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Revista Attalea Agronegócios
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ARTIGOS Café

[NECAF – UFLA] – Novas Tecnologias na Adubação de Cafeeiros

  • Joana Caroline D’arc de Oliveira,
  • Maurício Antônio de Paula Santos,
  • Artur José Lima Guedes e
  • Brener Lorenzon Botega,

(Graduandos em Agronomia pela UFLA – Universidade Federal de Lavras/MG)

https://www.facebook.com/necaf.ufla/

 

Introdução

A cafeicultura brasileira caminha a passos largos rumo a tecnologia, e neste sentido, frequentemente são lançados novos produtos e patentes visando a melhoria do sistema de cultivo, a fim de otimizar o uso dos insumos e consequentemente obtendo maiores lucratividades.

Sabe-se que a produtividade média do parque cafeeiro nacional ainda é muito baixa, não ultrapassando 25 sacas.ha-1. Sobretudo, isto ocorre devido a uma associação de fatores que oneram a produção, como a característica geral dos solos de cultivo, que se apresentam muito intemperizados e pobres de fertilidade natural.

Aliado a isto, tem-se também a questão dos sistemas de cultivo, onde grande parte dos cafeicultores cultivam em condições familiares, e em lavouras muito antigas e depauperadas. Também pode ser associada a questão ambiental, ou seja, por fatores climáticos, também pela incidência de pragas e doenças, plantas daninhas ou por problemas de assimilação de nutrientes e consequentes perdas por lixiviação e volatilização.

Sabe-se que as plantas de cafeeiro são extremamente responsivas a adubação, e melhorias neste manejo podem implicar em grandes ganhos na produtividade das lavouras. Neste sentido, tecnologias como os fertilizantes estabilizados, de liberação lenta ou controlada, surgem como um estudo de grande importância para otimização da fertilização e consequente nutrição em áreas de cultivo com cafeeiros.

Importância

Estes novos fertilizantes são chamados de “fertilizantes inteligentes”, onde a liberação de seus nutrientes é de forma gradativa, aumentando assim a sua eficiência. Além deste ganho em eficiência, eles podem diminuir os impactos ambientais pela redução na volatilização e lixiviação do produto, o que consequentemente também diminuirá a perda dos nutrientes para o ambiente, ficando assim mais disponível para a absorção das plantas durante o seu ciclo.

Deste modo, com tais benefícios, o cafeicultor consegue ter um uso mais racional dos fertilizantes, de forma mais eficiente, aumentando a produtividade e podendo reduzir seus custos. Porém, há muita discussão em relação a qual dos fertilizantes trariam um maior benefício ao cafeicultor, havendo diversos estudos comparando a produção e os custos envolvendo os diferentes fertilizantes.

Sendo assim, o mercado disponibiliza três tipos de fertilizantes com eficiência aumenta, sendo eles os fertilizantes de liberação controlada, fertilizantes estabilizados e os fertilizantes de liberação lenta.

Fertilizantes de liberação controlada

São grânulos de fertilizantes convencionais que recebem um recobrimento ou encapsulamento de materiais orgânicos ou inorgânicos para controlar a penetração de água e, consequentemente, a taxa de dissolução do fertilizante e a liberação dos nutrientes. Podendo ser utilizada diversas formulações, que contenham um ou mais nutrientes no interior dos grânulos.

O termo liberação controlada se dá pois a duração da liberação dos nutrientes em um intervalo de tempo é conhecida, podendo variar de 30 a 180 dias, variando de acordo com a marcha de absorção do nutriente em cada cultura. Aliado a isto a disponibilização também está associada a fatores climáticos, como a temperatura e a umidade, a espessura das camadas de polímero e o material utilizado para o revestimento.

Fertilizante estabilizado:

Fertilizantes estabilizados são aqueles tratados com algum aditivo que atua na inibição da pronta disponibilização do nutriente à planta, que neste caso é exclusiva ao Nitrogênio. Tais aditivos, também chamados de estabilizantes, são substâncias que aumentam o tempo de fixação do nitrogênio, seja na ureia ou no amônio. Os fertilizantes estabilizados são divididos em duas classes: inibidores da nitrificação (substância que inibe a oxidação biológica do nitrogênio de amônio a nitrato) e inibidores da urease (substância que inibe a atividade da enzima urease, retardando a hidrólise da ureia, em climas adversos, diminuindo a volatilização de amônia).

Estes fertilizantes possuem algumas características especificas que encarecem o produto, como: não trazem efeitos colaterais que prejudicam a fertilidade do solo; não apresenta toxidez para o solo, plantas, animais e seres humanos; o processo de registro é demorado; são ambientalmente corretos; contudo, apesar de caros, podem ser economicamente viáveis por diminuírem as perdas.

Fertilizante de liberação lenta:

Os fertilizantes de liberação lenta são quimicamente modificados, onde são criadas cadeias poliméricas entre diferentes carbonos e a ureia, fazendo com que o N seja liberado para absorção da planta de acordo com a decomposição das cadeias dos polímeros em CO2 e NH3, as quais serão decompostas por atividade microbiológica.

Além disso, estes fertilizantes não possuem revestimento, e tem como princípio a redução da solubilidade do N contidos em sua composição. Pode-se utilizar também como definição dos fertilizantes de liberação lenta, como aqueles que retardam a disponibilidade de nutrientes para absorção das plantas, ou que consigam aumentar sua disponibilidade à planta por um maior período do que os convencionais. Porém, não há parâmetros para esta liberação, eles são influenciados pelas condições edafoagroclimáticas e pelo tamanho das partículas, não podendo se ter uma previsão do tempo de disponibilização.

Modo de aplicação

A aplicação dos fertilizantes estabilizados, de liberação lenta e os de liberação controlada no plantio são realizadas da mesma forma, em duas covetas laterais à muda, com metade da dose em cada coveta, em profundidade de 5 a 10 cm. O recomendado é aplicar logo após o transplantio ou até 10 dias após. Em lavouras mais velhas, a aplicação é feita no início das chuvas, de forma única. Não é necessário aumentar as doses por conta de perdas no ambiente, sendo utilizada somente a dose exigida pela cultura.

Custo benefício

Os fertilizantes de eficiência aumentada por possuírem uma maior tecnologia envolvida em sua produção, geralmente são mais caros quando comparados aos convencionais. Os fertilizantes estabilizados possuem o custo cerca de 10 a 30% maior do que os fertilizantes convencionais, enquanto os de liberação lenta e controlada são cerca de 60 a 80% mais caros em relação aos convencionais.

Diante desta comparação, percebe-se que os fertilizantes com essas tecnologias são geralmente mais caros, no entanto, por outro lado, podem aumentar a produtividade devido ao maior aproveitamento de N e reduzir os custos com mão- de- obra em adubações de cobertura, já que são realizados em uma única aplicação. Sendo assim, deve-se escolher com cuidado os insumos adequados que proporcione menor custo por unidade de N efetivamente utilizada e melhor relação custo/benefício.

Tabela 1. Custo médio por tonelada dos diferentes tipos de fertilizantes utilizados na cafeicultura. Lavras, 2018.

Tipo de Fertilizante Custo Médio por tonelada
Liberação Lenta R$ 2500,00
Liberação Controlada R$ 2500,00
Estabilizados R$ 1700,00
Convencional R$ 1200,00

 

Considerações

São necessários maiores estudos científicos, para determinar se o maior investimento inicial com os fertilizantes de eficiência aumentada realmente trazem um retorno em produtividade, mantendo a lavoura bem nutrida. E se há diferenças entre a utilização destas distintas tecnologias quando submetidas a diferentes sistemas de cultivo ou nível tecnológico.

Eletromicrografia por microscopia eletrônica de varredura do granulo de ureia revestido com enxofre elementar e polímeros

 

Modo de ação dos inibidores da urease e da nitrificação utilizados como aditivos em fertilizantes nitrogenados.
Modo de ação dos inibidores da urease e da nitrificação utilizados como aditivos em fertilizantes nitrogenados.
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