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Revista Attalea Agronegócios
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Café

Altas incidências de ferrugem nesta época do ano pedem atenção dos produtores de café

Apesar do calor dos últimos dias, na safra de 2018-2019 os produtores de café devem estar atentos para a antecipação dos danos causados pela ferrugem do cafeeiro, a principal doença da cultura. Causada pelo fungo Hemileia vastatrix, a ferrugem está amplamente distribuída em todas as regiões cafeicultoras do país e forma lesões amareladas contendo inúmeros uredosporos na face inferior das folhas (Figura 1). As folhas atacadas caem e essa queda debilita a planta, que não consegue formar os botões florais da safra seguinte. A ferrugem pode reduzir até 35% da produção da cultura e reduz a vida útil da lavoura.

Figura 1 Ferrugem face superior e inferior das folhas. Pústula na face inferior e uredosporos.

Por ser muito dependente do clima, a epidemia da ferrugem pode ser variável em cada região em que o café é cultivado no Brasil e, de acordo com as condições climáticas que ocorrerem em cada ano nessas regiões, mas em geral tem início em dezembro, tem o pico em maio-junho e, a partir desses meses, decresce.

Desde 2016 uma equipe formada por pesquisadores do Instituto Agronômico, Instituto Biológico, Embrapa Café, IAC – Fazenda Experimental de Mococa e produtores rurais de Franca (SP) e Caconde (SP) realiza levantamentos em Franca, Caconde, Mococa e Campinas (Figura 2) para estudar a relação entre a ocorrência de doenças e pragas e o clima do período estudado.

Figura 2 Municípios amostrados nos levantamentos e incidências de ferrugem, causada por Hemileia vastatrix, em janeiro de 2019.

Nestes locais pequenas áreas das lavouras são disponibilizadas para os levantamentos e permanecem sem tratamentos químicos contra doenças e pragas durante os períodos estudados.

Nos levantamentos realizados na safra de 2018-2019, entretanto, causam preocupação as elevadas incidências de ferrugem já em janeiro nas regiões de Campinas (SP), Franca (SP) e Caconde (SP), com incidências de ferrugem, nas áreas sem tratamento, de 44,4 % na cultivar “Catuaí” em Campinas (SP), de 32% na cultivar “Mundo Novo” em Franca (SP) e incidências de 33 e 53% nas cultivares “Catuaí” e “Mundo Novo”, respectivamente, em Caconde (SP) (Figura 2).

Apenas em Mococa (SP), região mais quente que as demais, as folhas com ferrugem encontradas em novembro caíram e a ferrugem ainda não está ocorrendo nas áreas sem tratamento.

As condições climáticas que favorecem a ferrugem são temperaturas entre 20 e 22ºC e chuvas acima de 30mm. São condições desfavoráveis para a doença temperaturas máximas médias mensais acima de 30ºC e mínimas médias mensais abaixo de 15ºC.

Em Franca, Caconde e Mococa as temperaturas máximas e mínimas médias mensais estiveram dentro do intervalo em que a ferrugem se desenvolve, abaixo de 30ºC e acima de 15ºC, respectivamente, nos meses de setembro a dezembro de 2018 (Figura 3).

Figura 3 Precipitação e temperaturas máximas e mínimas em Franca, Caconde, Mococa e Campinas Precipitação mínima par a ocorrência da doença 30 mm

Em Campinas (SP), o mês de dezembro já teve temperaturas bastante elevadas (Figura 3). A ocorrência de ferrugem em elevadas incidências nas regiões avaliadas pode estar relacionada às chuvas que foram relativamente regulares neste início de safra e às temperaturas, que não foram limitantes para o desenvolvimento da doença. As plantas amostradas também apresentam elevada carga pendente e este é um fator de grande importância na epidemia de ferrugem. Plantas de cultivares suscetíveis mais produtivas são sempre mais atacadas pela doença.

TEMPERATURAS FAVORÁVEIS PARA A OCORRÊNCIA DA DOENÇA 20-22ºC

A maioria dos produtores de café brasileiros realiza rotineiramente tratamentos com fungicidas para o manejo da ferrugem do cafeeiro em lavouras instaladas com cultivares suscetíveis. O calor que está ocorrendo em janeiro em todas regiões cafeicultoras deve inibir o progresso da doença nos próximos dias.

No entanto, o fato de haver inóculo em plantas sem tratamento, ou com tratamento deficiente, indica que os produtores devem estar atentos para o ressurgimento da doença assim que as condições climáticas se tornarem mais favoráveis.

Os produtores não devem reduzir o número de aplicações, mas talvez o intervalo entre as aplicações, caso as condições climáticas se tornem favoráveis à ferrugem novamente, especialmente considerando que os uredosporos da ferrugem são bastante resistentes a condições climáticas adversas e que as folhas contendo lesões de ferrugem podem permanecer no campo.

FONTE: Engº Agrº Arivaldo – Cooxupé Alfenas
Tel. (35) 9.9829-4028

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