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Revista Attalea Agronegócios
ARTIGOS Aves e Suínos

[Aguinaldo Margato e Rodrigo Martins] – Cuidados no fornecimento de água de bebida para frangos de corte

AGUINALDO MARGATO NETO
Médico Veterinário e mestrando em Zootecnia pelo IF Goiano Campus Rio Verde (GO)

E-mail: aguinaldo.medvet@hotmail.com
RODRIGO MARTINS RIBEIRO
Doutor em Zootecnia e professor do IF Goiano Campus Rio Verde (GO)

A produção é influenciada por diversos fatores, os quais incluem, instalações, alimentação e manejo. Destes, a qualidade da água de bebida é de suma importância para a produção avícola eficiente uma vez que, as aves em produção comercial, possuem uma alta demanda de água, a qual está diretamente relacionada ao seu desenvolvimento e bem-estar.

Aves com restrições crescentes na disponibilidade de água, apresentam redução de crescimento e piora na conversão alimentar. Essas variáveis são inversamente proporcionais, sendo que quanto maior a restrição de água, menor o ganho de peso.

fornecer água em quantidade e qualidade para o atendimento das necessidades das aves, com índice zero de contaminantes é objetivo constante, pois a água não é apenas um nutriente vital, mas também está envolvida em muitas funções fisiológicas importantes, tais como:

  • Digestão e absorção, sustentando a função enzimática e o transporte de nutrientes.
  • Termorregulação.
  • Lubrificação de articulações e órgãos, além da passagem de alimento pelo trato gastrintestinal.
  • Eliminação de resíduos, etc.

A origem da água deve ser de fonte conhecida, podendo ser de poço artesiano; fonte natural protegida (livre de contato com insetos, animais, terra, raízes); rede pública; e somente em situações emergenciais, via caminhão pipa, rios e açudes. Dependendo da fonte, a água pode conter quantidades excessivas de vários minerais ou estar contaminada por bactérias. Os níveis aceitáveis desses parâmetros estão descritos na tabela 1.

As análises físico-químicas e microbiológicas devem ser realizadas em laboratórios e quando da liberação de construção de aviários novos e/ou sempre que ocorra troca de fonte para fornecimento de água às aves. Como rotina é recomendado fazer a análise físico-química e microbiológica no mínimo uma vez ao ano. A coleta deve ser feita, no ponto de bebida das aves, em frascos estéreis, transportadas em caixa de isopor com gelo e identificada corretamente. Em caso de não atendimento dos parâmetros ideais, deve- se seguir o fluxo inverso (do ponto de bebida em direção à fonte) para identificar o ponto de contaminação.

Tabela 1: Parâmetros ideais para água de bebida das aves.

PARÂMETRONÍVEL (mg/L)
Sólidos dissolvidos totais (SDT)500
pH 6 – 8
Dureza total< 110
Cloreto< 250
Nitrato< 10
Sulfato< 250
E.coli0/100 mL
Fonte:Brasil, 2008

Quando a água para consumo das aves tiver alterações significativas nos parâmetros de qualidade, deve-se avaliar o sistema produtivo de cada produtor, e a possibilidade de alterar o local de captação ou necessidade de ações corretivas sobre o problema identificado.

A melhor garantia para tratamento da água, independente da via de captação, é a cloração na entrada da caixa d’água. Nessa etapa do processo, a água deverá ser clorada a 3 ppm no máximo, devido ao abastecimento do painel evaporativo. Caso necessário, a cloração da água deverá ser complementada na entrada de cada aviário para elevação a 5 ppm. Para que esta cloração seja efetiva e que os níveis de cloro se mantenham constantes de maneira a neutralizar quaisquer agentes contaminantes que possam ser danosos à saúde das aves, é necessário que se utilize o dosador de cloro ou clorador.

Os reservatórios de água devem ser fechados, construídos em alvenaria, ferro (latão), fibra de vidro ou polietileno. Deve haver uma caixa d’água auxiliar, com capacidade de 1.000 L para diluição de medicamentos para os aviários que não tiverem dosador do sistema nipple. A água deve passar por essa caixa apenas na necessidade de medicação. Ao final de cada lote o reservatório deve ser lavado, sendo que, nos casos em que o reservatório de água da granja é central, a limpeza pode ser realizada anualmente, desde que a água deste permaneça sempre clorada e sejam realizadas análises frequentes sem comprometimento da qualidade.

É recomendado que a tubulação que liga a caixa d’água ao sistema de alimentação dos bebedouros tenha diâmetro mínimo de 60mm para que não reduza a vazão de água e que o sistema de tubulações seja específico para atendimento de água de bebida, não devendo ser derivado para atendimento de nebulizadores ou painéis evaporativos.

É fundamental checar a tubulação periodicamente e realizar as manutenções a fim de evitar restrições e reduções da passagem da água e limpar/desinfetar as tubulações por hipercloração, respeitando a proporção de cloro choque indicado pelo fornecedor, usando a fita reagente para validar a concentração mínima de cloro livre (mais que 10 ppm), mantendo as linhas com essa solução por 2 horas e esvaziá-las através de flushing com água clorada (3 a 5 ppm) sob alta pressão.

O impacto da temperatura ambiente sobre o consumo de água, pode aumentar entre 6-7% para cada grau acima de 21°C. Nesse sentido, é importante acompanhar a disponibilidade de água, que responde às mudanças da temperatura ambiente, já que a água armazenada ficará a uma temperatura semelhante à ambiental. Em lugares em que a temperatura da água disponível para as aves normalmente excede os 24°C, devem ser usados métodos de controle como flushing, isolamento dos encanamentos (canos enterrados, no mínimo, a 30cm de profundidade) e reservatórios de água sombreados, (sombreamento natural ou artificial).

Exemplo de sombreamento natural.
Exemplo de sombreamento artificial

O fornecimento de água só será efetivo, se todo o cuidado com qualidade for acrescido de disponibilidade dessa água para os pintinhos, o que é alcançado através de uma adequada regulagem de bebedouros.

Ao garantir a proporção de número de equipamentos por aves, os bebedouros pendulares precisam ter sido distribuídos de forma que as aves não necessitem se deslocar, quando adultas, mais do que três metros para alcançar a água, respeitando-se uma distância mínima de 0,80 metros das fontes de aquecimento, para não aumentar a temperatura da água. Além disso, os pendulares devem ser limpos, no mínimo, duas vezes ao dia usando esponja e água limpa.

É válido ressaltar que além da altura e vazão, é importante ter a pressão adequada, pois ela determina quanta água a ave recebe quando o pino do bebedouro é ativado. A alta pressão fornecerá mais água que a baixa pressão.

Assim conclui-se que deixar de lado os cuidados com a água durante a vida dos animais alojados, acarretam em grandes prejuízos financeiros para os produtores, pois a água está diretamente ligada a performance animal, e é um dos principais fatores responsáveis pelo sucesso de uma criação de frango de corte, alinhado a ambiência, sanidade, genética, nutrição e mão-de-obra.

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