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Revista Attalea Agronegócios
Frutas

Micropropagação de mudas fomenta a produção de morangos no Estado

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo incentiva a produção sustentável de frutas por meio da biotecnologia de micropropagação de mudas, que é feita pelo Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes (DSMM) da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS). As mudas de morango produzidas no Núcleo de Produção de Mudas (NPM), localizado no município de Tietê, beneficiam diretamente produtores da região de Atibaia e Jarinu, onde estão concentrados 10% da produção do fruto no Estado de São Paulo.

O laboratório surgiu como uma demanda de matrizes de morango da Associação dos Produtores de Morangos e Hortifrutigranjeiros de Atibaia, Jarinu e Região, e o objetivo do trabalho realizado pelo Laboratório de Micropropagação de Tietê é de produzir matrizes com alta qualidade genética e fitossanitária.

O Laboratório conta com equipamentos modernos para produção in vitro.

Segundo a engenheira agrônoma e diretora do NPM, Walkíria Nicolosi Cury, as matrizes são bem aceitas em virtude do processo de produção in vitro. “Nós seguimos rigorosamente os padrões determinados pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), utilizamos como fonte de material de propagação as plantas registradas de diversas cultivares do interesse dos produtores e as matrizes geradas rendem bons resultados no campo”.

A produção de matrizes de morango tem um ciclo de aproximadamente um ano. Em 2019 foram produzidas mais de 29 mil matrizes. Walkiria conta que “o processo de micropropagação é feito a partir de tecido meristemático, que é como se fossem células tronco da planta, que conseguem se regenerar dando origem a outras plantas idênticas a planta mãe”.

Na casa de vegetação são mantidas as plantas de diversas cultivares, registradas junto ao Mapa, que darão origem as matrizes de mudas de morango.

O processo começa com preparo do meio de cultura, composto químico feito de nutrientes e substâncias necessárias para o desenvolvimento e multiplicação dos explantes – é o tecido que dará origem a futuras mudas -, e com a esterilização de pinças e bisturis para extração do meristema, em Câmara de Fluxo Laminar, onde é feita repicagem. Então é realizada a coleta e desinfestação de estolões das plantas (tipo de caule que tem um “broto” na ponta, onde se localiza o tecido meristemático), que são mantidas em Casa de Vegetação.

Os explantes de morango em fase de multiplicação.

O desenvolvimento do processo da micropropagação é executado pela engenheira agrônoma Laura Becker, responsável pela produção do Laboratório que, junto de sua equipe, faz a extração dos meristemas do morango. Cada tubo de ensaio, cultivar e lote é identificado. As cultivares são postas In Vitro e vão para uma sala escura, onde permanecem por 30 dias. Após esse período, são encaminhadas para a sala de crescimento, em que ficam durante um mês, a 25°C, com iluminação por 16 horas ao dia.

Posteriormente, inicia-se a fase de crescimento das plântulas (também chamado de explantes) in vitro, as quais serão repicadas em meio de multiplicação, por quatro vezes, a cada 30 dias. Após o 4º subcultivo (o subcultivo é a fase em que as plântulas se multiplicam entre repicagens), as plântulas vão para o enraizamento, na sala de crescimento, sob as mesmas condições de temperatura e luminosidade. Em 2019, cada meristema que passou pelo processo de repicagem gerou em média 120 matrizes de mudas de morango.

Explantes, que dará origem a um novo subcultivo, sendo repicados em câmara de fluxo laminar.

Por fim, com as plântulas já enraizadas, é realizado o transplante para bandejas, e colocadas em túnel de nebulização, iniciando assim o processo de aclimatização. Após 15 dias, as bandejas são levadas para estufa, onde são irrigadas e recebem tratos fitossanitários adequados, até atingirem os padrões exigidos para o plantio em campo.

Após a produção dos matrizes de mudas, elas são comercializadas pelo DSMM por meio do Núcleos de Produção de Mudas (NPM). A grande maioria das matrizes geradas pelo laboratório do Tietê é encaminhada anualmente, no período da primavera, para a Associação dos Produtores de Morangos de Atibaia e Região, que as preparam para se tornarem mudas. Em média, cada matriz de muda feita por meio da micropropagação gera 200 mudas que vão a campo para originar morango.

Fruta que é destaque no município de Atibaia, o morango, representou 10% do total produzido no Estado de São Paulo em 2018. Segundo levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA), no ano em questão, foram colhidas 270 mil caixas de quatro quilos de morango em Atibaia, de um total de 2.4 bilhões em todo Estado.

Além da biotecnologia gerada pela Secretaria de Agricultura em beneficio dos produtores de morango, Atibaia também conta com o “Programa de Revitalização da Cultura do Morango”, desenvolvido pela Prefeitura Municipal junto aos produtores para a implantação da Produção Integrada do Morango.

A política pública promove menor utilização de defensivos agrícolas; aumento de produtividade por planta; valorização do produto; prioridade dos produtores de morango na utilização da patrulha agrícola mecanizada; recebimento de composto de resíduos de poda; e assistência técnica.

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