GUSTAVO MATIAS
MCT | Matias Coffee Trading
Semana: 22 a 26/06/2026
Instagram: @matiascoffeetrading
Contato: (16) 9.9291-2005
O contrato de setembro começou o ano de 2026 abrindo a 332,60 c/lb, bateu a mínima do ano em 09/Junho quando atingiu 238,90 c/lb e depois deu uma recuperada técnica para máxima de 284,80 c/lb e fechou a semana 273,20 c/lb.
Há quem observe a tendência de queda de quase 30% durante o ano e há quem prefira olhar para a esperança da recuperação recente de aproximadamente 14%, depende de qual é sua visão do mercado.
O contrato de setembro do Robusta abriu o ano de 2026 a 3.672 USD/Ton, bateu a mínima 2.947 USD/Ton em 10/Abril, subiu bastante e fechou a sexta-feira 26 em 3.627 USD/Ton … praticamente o mesmo preço do início do ano.
Interessante observar o diferencial médio de cada um:
Considere o diferencial como um termômetro da agressividade compradora, da disponibilidade de café e da urgência do mercado. Quando o diferencial cai é um ajuste de “desinteresse” em pagar mais pelo café, e quando o diferencial sobe é o mercado ficando mais agressivo nas compras.
No Arábica o diferencial da bica corrida está caindo desde meados de maio, no dia 07 de maio o índice CEPEA indicava a bica corrida do Arábica a -11,5 e na sexta-feira dia 26 fechou em -51,4 c/lb. Essa queda de quase 40 cents representa aproximadamente 52 USD por
Gráfico diferencial de arábica:

No Robusta, de acordo com o CEPEA que usa a referência de preço do Conilon tipo 6, 13 acima, o diferencial em USD/Saca caiu muito no final de Janeiro e não se recuperou, caiu por volta de 30 USD/Saca, recuperou uma parte e sexta-feira fechou em -14,73 USD/
Gráfico diferencial do robusta:

O dólar pouco mudou nesta semana e fechou praticamente no mesmo nível da semana anterior, em R$ 5,17. Ainda assim permanece cerca de 5% acima de maio quando bateu R$ 4,94, ajudando a sustentar parte do preço da saca em reais.
Foram publicados dois COT’s essa semana, o da semana anterior que não havia sido publicado devido ao feriado, e o dessa semana normalmente.
Em ambos, somados, os fundos diminuíram muito a posição vendida depois de várias semanas construindo posição vendida maior. Combinando Futuros + Opções, diminuíram em 7851 contratos a posição vendida e aumentaram em 3018 contratos a posição comprada.
O que pode ser um sinal de um mercado ainda travado, com pouco fluxo, atrasos de colheita, estoques baixos e spreads ainda muito invertidos.
Produtores seguem firmes na expectativa de preços mais altos diante das consequências climáticas, estão no campo diariamente e relatam problemas severos de qualidade e atrasos.
Há relatos de que caiu ao menos 30% de café no chão com as chuvas nas regiões cafeeiras, o que em uma safra desse tamanho já era naturalmente esperado em alguma proporção.
Além da qualidade comprometida, o mercado observa o atraso no fluxo de negociações. Os estoques continuam baixos em todos os continentes, compradores/indústria ainda permanecem trabalhando quase que da mão para a boca e dependendo do fluxo imediato, não podendo haver falhas como atrasos por conta de chuvas.
Até o momento, apesar do atraso da colheita, ainda não há relatos consistentes de atrasos nas entregas. As chuvas parecem ter contribuído para um mercado físico mais travado e para diferenciais maiores nos embarques imediatos, mas dificilmente explicam sozinhas a recuperação recente da bolsa, que também coincide com a intensa rolagem do contrato julho para setembro, cobertura de posições e recompras da indústria.
Fiz uma enquete com participantes do Brasil todo, perguntado o quanto está atrasada a colheita e o resultado foi de mais de 51% relatando atraso entre 3 e 4 semanas.
Espera-se que até setembro o mercado receba algo entre 35 e 40 milhões de sacas no mercado interno, com entregas de contratos a termo e também vendas sazonais do período brasileiro de colheita e negociações. Depois disso há naturalmente quem segure café por mais tempo e quem vai dosando as vendas conforme as próprias necessidades, quem espere virar o ano por conta de IR, enfim … a ordem natural para a sazonalidade Brasil.
Apesar da qualidade comprometida, o volume de café no Brasil continuará sendo grande, alguns produtores relatam a dificuldade de recolher café de chão, principalmente montanhas, mas faz parte de uma perda natural de uma safra de 72 milhões de sacas.
Olhando um pouco mais a frente para 2027 poderíamos ter problemas se abrir uma florada fora do tempo e até já há alguns relatos, entretanto o balanço hídrico do solo deve favorecer para os próximos meses considerando um possível El Niño.
O mercado continuará tentando avaliar quando esse café chegará ao mercado. O maior impacto das chuvas não será reduzir o tamanho da safra, mas atrasar seu fluxo e comprometer parte da qualidade.
Em Franca-SP aqui na Alta Mogiana o domingo está com dia limpo e temperatura amena 23 graus, sem previsão de chuva para a semana, espero que daqui para frente o clima ajude e o fluxo da colheita se normalize.
Boa semana,
