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Revista Attalea Agronegócios
Bovinos de Leite

[Glayk Humberto Vilela e Vânia Mirele Carrijo] – Efeito do estresse térmico na produtividade de vacas leiteiras

GLAYK HUMBERTO VILELA BARBOSA
Zootecnista, B.Sc Mestre em Produção Animal Sustentável pelo IZ – Instituto de Zootecnia.

Jurado Efetivo de Raças Zebuínas e Assessor de Pecuária Leiteira.
E-Mail: glaykhumbertovilela@yahoo.com.br

VÂNIA MIRELE FERREIRA CARRIJO
Médica Veterinária, B.Sc Mestre Produção Animal Sustentável pelo IZ – Instituto de Zootecnia.

Docente do Centro “Paula Souza”. Atua na área de sanidade, escrituração
zootécnica e biotecnologia da reprodução.

As características climáticas representam um dos fatores que podem ser considerados limitantes para produtividade leiteira. A associação entre elevadas temperaturas, alta umidade do ar e radiação solar pode acarretar alterações comportamentais e fisiológicas em diferentes espécies leiteiras.

Efeitos do ambiente como modificadores da condição fisiológica das vacas leiteiras, que resultarão em baixos índices produtivos, pois com o aumento dos parâmetros fisiológicos há diminuição da ingestão de alimentos e consequentemente, redução na produção de leite, baixas taxas de concepção e atraso no crescimento de animais de reposição, ocasionando perdas econômicas significativas para o produtor.

A produção animal vem sendo uma constante preocupação e motivo de atenção e esforços de vários pesquisadores, que buscam incessantemente através de estudos nas diversas áreas do conhecimento cientifico, responder dúvidas e encontrar alternativas que buscam o rendimento produtivo dos animais.

O sucesso na produtividade é atingido com qualidade e em quantidade atendendo a demanda dos consumidores, com isso, diversos fatores devem ser considerados. Dentre eles, cita-se a adaptabilidade das diversas raças de animais leiteiros as condições regionais.

Animais quando adaptados a determinados ambientes, respondem positivamente a produtividade, no entanto quando ocorre variação de temperatura nesse ambiente os animais ativam seu sistema termorregulatório para manter seu conforto térmico.

Mesmo sendo o sistema natural de controle de temperatura corporal, a termo regulação ocasiona um esforço extra no animal e desta forma ocasiona uma alteração na sua produtividade.

Quando ocorre essa variação de temperatura tanto calor como frio, os animais priorizam a manutenção da homeotermia e dessa forma a produção de leite e a reprodução são as primeiras funções a serem prejudicadas pelo estresse térmico, um dos primeiros sinais visíveis desse estresse é o aumento da frequência respiratória para promover a perda de calor por meio de evaporação.

Para que o ambiente seja considerado confortável o animal deve se encontrar em equilíbrio térmico, ou seja, quando o calor produzido é perdido para o ambiente sem causar prejuízos a homeostase do animal.

O conforto ambiental é afetado pelo estresse térmico e possui influência direta dos elementos do clima como o vento, a chuva, a umidade relativa do ar, radiação solar e temperatura. E as diferentes intensidades destes elementos aplicados sobre os animais definindo a produção animal.

Conforme ocorrem variações nas condições de genética, nutrição e ambiência ocorrem alterações na dinâmica da produção leiteira. Sendo a nutrição um fator de extrema importância, pois o animal transforma o alimento em produto de interesse humano. Dessa forma, o entendimento da inter-relação dos elementos do clima com os fatores genéticos, nutricionais e fisiológicos, faz com que a produtividade animal possa ser ampliada.

Cerca de dois terços do território nacional está situado na faixa tropical do planeta, onde predomina elevada temperatura e radiação solar, podendo ultrapassar a zona de conforto dos animais, levando ao estresse térmico, e consequentemente afetando a produção e a qualidade do leite, principalmente em vacas de alta produção, devido a serem mais sensíveis ao calor e terem maior dificuldade em dissipá-lo.

O estresse calórico é um típico problema encontrado no manejo de vacas leiteiras nos trópicos e sub trópicos, causando reduções na produção e mudanças na composição físico-química do leite, redução na ingestão de alimentos e aumento na ingestão de água, a perda de produção de leite devido ao aumento de temperatura depende de fatores como a umidade relativa do ar, velocidade do vento, nutrição e outros fatores relacionados ao manejo.

As temperaturas críticas superiores e inferiores, delimitam a faixa de termo neutralidade para animais, pois o conforto térmico depende também da umidade relativa do ar, da capacidade adaptativa do animal, do metabolismo e do período produtivo.

Em relação à tolerância ao calor existe diferença genética, pois animais Bos indicus são mais termotolerantes do que animais Bos taurus, em virtude da maior capacidade de transpiração e menor taxa metabólica. O estresse calórico pode resultar em um decréscimo de 17% na produção de leite de vacas de 15 kg de leite/dia e de 22% em vacas de 40 kg de leite dia.

Além da redução no consumo de alimentos, as respostas das vacas em lactação ao estresse térmico incluem a redução na produção e porcentagem de gordura no leite, redução no consumo de forragem como porcentagem do total de alimento, aumento das necessidades de manutenção, diminuição da atividade, especialmente durante o dia e aumento da frequência respiratória e hipertermia.

A melhor condição de conforto térmico proporcionada por sombra natural, não diz respeito apenas à presença de árvores nos piquetes de criação bovina, mas sim à utilização de sombrites artificiais, que proporcionam uma melhor condição de conforto aos bovinos do que a presença de árvores com distribuição isolada nas pastagens.

Assim, o objetivo desse artigo foi abordar os principais impactos relacionados ao estresse térmico na produção de leite e alguns fatores que podem ser utilizados para minimizar essas condições. Para controlar os efeitos do estresse térmico o produtor pode fazer uso de algumas estratégias de manejo ambiental, nutricional e sistema de resfriamento.

O uso de alguns métodos como o sombreamento natural e artificial, dieta com menor incremento calórico, e uso de sistemas como ventilador, aspersor e painel evaporativo podem se mostrar eficientes para animais que estão submetidos ao calor.

Desde modo, conclui-se que o estresse térmico causa vários problemas aos rebanhos leiteiros e quando identificado, podemos controlar seus efeitos e minimizar as perdas econômicas.

Vários métodos para controlar o efeito do estresse térmico se mostraram eficientes, porém a escolha do método adequado depende do seu custo benefício e das características especificas.

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