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Revista Attalea Agronegócios
ARTIGOS Bovinos de Leite

[Glayk Humberto Vilela e Vânia Mirele Carrijo] – Desafios do setor leiteiro

GLAYK HUMBERTO VILELA BARBOSA
Zootecnista, B.Sc Mestre em Produção Animal Sustentável pelo IZ – Instituto de Zootecnia.

Jurado Efetivo de Raças Zebuínas e Assessor de Pecuária Leiteira.
E-Mail: glaykhumbertovilela@yahoo.com.br

VÂNIA MIRELE FERREIRA CARRIJO
Médica Veterinária, B.Sc Mestre Produção Animal Sustentável pelo IZ – Instituto de Zootecnia.

Docente do Centro “Paula Souza”. Atua na área de sanidade, escrituração
zootécnica e biotecnologia da reprodução.

O agronegócio brasileiro tem crescido a taxas elevadas, suprindo o mercado nacional e contribuindo decisivamente para as exportações, com destaque para a soja, milho e carnes. A história recente mostra que o dinamismo do setor está no mercado internacional, visto que a demanda doméstica é limitada. O leite é um dos produtos que não teve inserção adequada neste mercado, ficando seu potencial limitado ao consumo dos brasileiros. Assim, crescimentos acentuados na oferta implicariam fortes quedas de preços.

Nos últimos anos, observou-se forte expansão da produção leiteira no Brasil. A produção cresceu 62,5% (4,1% a.a.), enquanto que o número de vacas ordenhadas aumentou de 22,7%. Esta diferença indica ganho de eficiência no sistema produtivo, ou seja, as vacas ordenhadas passaram a produzir mais leite. Embora a produção de leite esteja espalhada por todos os estados, indicam que a produção se concentra em Minas Gerais (26,6%), Rio Grande do Sul (13,3%), Paraná (12,9%) e Goiás (10,5%). Esses quatro estados são responsáveis por 65% da produção nacional.

A cadeia produtiva no caso do complexo agroindustrial pode ser considerada como a relação sistêmica entre agricultura, indústria e serviços resultando na produção de bens.

A cadeia produtiva de alimentação para animais é composta por produtores de grãos e forragens, fábricas de ração e produtores de bens de capital, moinhos de cereais, fábricas de óleo, indústrias química e farmacêutica, fabricantes de embalagens, entre outros. Ocupa posição de destaque no contexto do agronegócio, pois possibilita, através do consumo de rações pelos animais, a conversão de produtos de origem vegetal em alimentos protéicos, como carne, leite e ovos, e em matérias-primas importantes como lã e couro. A “cadeia de rações” por sua vez faz parte das cadeias produtivas de proteínas animais. No caso de pet food, as rações não se configuram como insumos, mas sim como produto final, doméstico.

A bovinocultura de leite no Brasil é uma atividade antiga que vem sendo praticada desde o período de colonização portuguesa. Quando os primeiros animais foram introduzidos no país e tinham como finalidade o transporte de carga e a produção de leite. De lá para cá, a pecuária atravessou diferentes períodos. Desde progressos lentos, até períodos de salto qualitativo quando o leite do tipo B passou a ter forte representatividade para o país.

Sabemos que em meio a altos e baixos, o setor tem forte representatividade para o país e grandes chances de melhoria. Além disso, já existem tecnologias desenvolvidas no Brasil que possibilitam melhores retornos. Aproveitar melhor o potencial das pastagens, manejar o animal de forma a obter melhores resultados e técnicas de planejamento que são decisivas para o sucesso do rebanho.

Empregando mais de 2 milhões de pessoas, a produção de leite tem grande importância não só na pecuária como no agronegócio brasileiro. E esses números são crescentes! A cada ano que passa temos melhores resultados da pecuária leiteira.

Nos últimos 50 anos, a produção de leite vem crescendo e em 2021 deverá chegar a 35 bilhões de litros. Junto com esta estimativa, o agronegócio tende a crescer nas próximas décadas e para garantir o desenvolvimento efetivo do setor leiteiro, dependerá das decisões dos envolvidos na cadeia frente aos os desafios diários, para que consigam produzir mais, com melhor qualidade e maior regularidade.

Com aproximadamente 23 milhões de cabeças, o Brasil possui um dos maiores rebanhos produtivos do mundo. Nós perdemos em quantidade apenas para a Índia. No que diz respeito ao gado de leite ficamos em 4º lugar como o maior produtor.

Mas, como em toda cadeia de produção, o pecuarista de leite enfrenta desafios diários para manter a produtividade do rebanho. Nesse texto você vai entender um pouco mais sobre as dificuldades enfrentadas e como contorná-las!

Desafio 1: Produtividade da atividade leiteira

Apesar dos dados bastante positivos, a média de produção por vaca que é influenciada por vários fatores externos. Nesses fatores de genética, nutrição, manejo e sanidade não ficamos tão bem assim. O 4º lugar é garantido pela quantidade de cabeças mas a questão de produtividade ainda reflete resultados extremamente baixos, cerca de 1,6 mil litros por vaca ao ano.

Na busca pela maior produtividade e eficiência no cenário globalizado e agressivo, os produtores de leite enfrentam desafios com custos de produção, preço do leite, mudança climática, qualidade do leite, importações de produtos lácteos e produtividade.

O controle do custo de produção do leite, apesar de não ser uma tarefa fácil, é fundamental para garantir a sustentabilidade na fazenda. Não é à toa que essa é uma das grandes preocupações dos produtores independentes em todos dos níveis.

São muitos os itens que estão envolvidos na produção de leite que impactam diretamente nos custos, como por exemplo:

  • Preço da energia elétrica;
  • Preço do combustível;
  • Preço da mão de obra e insumos;
  • Organização e disciplina do produtor entre outros.

A partir do momento que o produtor tem métodos efetivos de controle de risco nesses fatores ele consegue ter conhecimento dos custos variáveis e se prevenir contra eles. Aplicando uma gestão apurada e confiável é possível analisar a sazonalidade e proporcionalidade de gastos para a produção esperada.

Essa gestão auxilia para tomada de decisões em momentos críticos, o que faz com que sua fazenda se torne mais eficiente e sustentável.

Desafio 2: Alterações Climáticas

A preocupação com a mudança climática na pecuária é muito relevante já que a eficiência produtiva e reprodutiva dos animais são afetadas. Temperaturas extremas e alta umidade do ar podem desencadear o estresse calórico no seu rebanho e isso é prejudicial!

As alta temperatura leva a um menor consumo de alimentos, maior consumo de água, procura por sombra, redução dos movimentos, alteração nas concentrações hormonais e nas necessidades metabólicas. Além de tornar todo o ambiente mais propenso ao desenvolvimento de doenças, impactando na sanidade do animal.

As temperaturas baixas afetam principalmente na produção e manutenção das pastagens e volumosos em geral e também na produção de grão (milho, soja), ingredientes nobres das rações.

Todos esses processos ‘anormais’ interferem na quantidade de litros de leite. Estes fatores desencadeiam redução da produção, na taxa de concepção, alteração na duração do cio e problemas de imunidades.

Para minimizar estes impactos é necessário promover maior conforto térmico aos animais. Para isso é necessário a adoção de algumas estratégias que envolvem tanto a aplicação de tecnologias como movimentações da sua equipe. As práticas mais comuns são:

  1. Modificação física do ambiente; Tente fornecer mais qualidade de vida para o seu rebanho! Isso pode ser feito com instalação de ventiladores, aspersores e bebedores, por exemplo.
  2. Investimento em desenvolvimento genético; É super importante pensar em como adaptar o seu rebanho para o ambiente em que ele está inserido. Essa evolução pode ser feita com o desenvolvimento raças mais tolerantes ao calor;
  3. Melhoramento nutricional; O gasto calórico é influenciado de acordo com a mudança de temperatura, principalmente nos períodos mais quentes. Busque incentivar a qualidade nutricional nesse período!

Um fator associado aos desafios da pecuária de leite está muito inserido na questão nutricional. Quando o estresse calórico acontece também a qualidade do leite e este é outro grande desafio o produtor leiteiro. O estresse calórico acarreta prejuízos na produção e influência no sucesso do produtor na atividade.

Isso acontece porque a avaliação da qualidade do leite está relacionada a alta incidência de mastite, a alta contagem bacteriana e contagem de células somáticas. Problemas assim são desencadeadas devido à falta de higiene durante a ordenha, refrigeração ineficiente após a ordenha e ausência ou falha na implementação de um programa de boas práticas de produção.

A pecuária de leite é uma atividade muito complexa que exige eficiência técnica e econômica para conseguir sobreviver em um cenário tão competitivo. O sucesso do produtor depende cada vez mais de uma boa gestão. Adote tecnologias para superar os desafios e consequentemente melhorar a sua competitividade e produtividade.

Sabemos que ainda existem muitas diferenças de nível tecnológico e gerencial nas diversas propriedades espalhadas pelo país. Existem aquelas que são conduzidas de forma bastante profissional e com grande apropriação de tecnologias. Já em outras, a propriedade sequer é considerada como uma unidade produtiva.

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