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Revista Attalea Agronegócios
ARTIGOS Café

[Davi Moscardini] – Como escolher o fertilizante fosfatado para implantação do cafezal?

DAVI MOSCARDINI
Eng. Agrônomo, Mestrando em Fitotecnia pela ESALQ/USP
davi.moscardini@usp.br

Com o retorno das chuvas iniciam-se os preparativos para implantação de novas lavouras nas principais regiões cafeeiras do país. A fertilização fosfatada no sulco de plantio é uma operação crucial para o estabelecimento de cafezais de alto potencial produtivo, devido ao papel fundamental do fósforo (P) no desenvolvimento do sistema radicular dos vegetais.

Este nutriente não se movimenta com facilidade no perfil de solos tropicais devido a facilidade com que se precipita com alumínio, cálcio, manganês e ferro. Além disso possui forte afinidade com óxidos de ferro e hidróxidos de alumínio, minerais abundantes nos principais solos ocupados com café. A realização de posteriores fosfatagens em superfície são importantes, mas de maneira alguma substituem a aplicação de fósforo no sulco, única oportunidade de fornecimento de P em profundidade na cultura do café.

Figura 1. Deficiência típica de fósforo em condição de seca e baixa temperatura. Sintoma muito comum em lavouras implantadas com pouco fósforo no sulco e/ou com uso de fontes inadequadas.

COMO ESCOLHER UM FERTILIZANTE FOSFATADO?

Fertilizantes fosfatados de eficiência agronômica elevada são necessariamente solúveis em Água, Citrato Neutro de Amônio + Água ou Ácido Cítrico 2%. Esta é a garantia do fabricante, respaldada pela legislação brasileira, de que o produto adquirido pelo cafeicultor é solúvel e disponibilizará o teor de P declarado na embalagem.

Os adubos fosfatados estritamente solúveis em extratores ligeiramente ácidos, como o ácido cítrico 2%, são eficientes, mas não é prudente utilizá-los como fonte exclusiva de fósforo na implantação do cafezal, pois o enraizamento inicial das mudas é favorecido na presença de fósforo prontamente disponível.

A liberação mais lenta, característica deste tipo de fertilizante, pode impor dificuldades iniciais de acesso ao fósforo. A aplicação de calcário no sulco agrava ainda mais o problema, pois a elevação do pH do meio diminuirá a acidez, dificultando ainda mais a liberação de P de fertilizantes insolúveis em água. Sendo assim no momento da implantação é ideal que o que o cafeicultor opte por fosfatados solúveis em água, como sugere o Boletim 100, do IAC (2018).

No preparo do sulco também é interessante optar por fosfatados multinutrientes, especialmente para o fornecimento de macronutrientes secundários e micronutrientes. Os solos da Alta Mogiana apresentam de maneira geral baixíssimos teores de zinco e boro, problema que já pode ser atenuado no momento do plantio com uso de formulações fosfatadas enriquecidas com estes elementos.

Infelizmente muitas fontes de baixa qualidade têm sido ofertadas na região, com prejuízos sérios aos cafeicultores que às utilizaram no sulco de plantio (Figura 1). Muitas vezes o recomendante informa o teor de fósforo total no produto, como no caso de fertilizantes formulados a partir de apatita moída e pós de rocha. Do ponto de visto prático esta informação não tem serventia alguma, pois não esclarece quanto deste fósforo total é solúvel em extratores que simulam às condições da solução do solo, as quais o fertilizante estará sujeito no campo.

A obtenção de fertilizantes fosfatados a partir de apatita é realizada mediante ataque com ácido sulfúrico e fosfórico para a obtenção de Super Simples e Triplo, respectivamente. O uso de ácidos fortes para a solubilização de rocha fosfática evidencia a agressividade do processo industrial necessário para obtenções de fosfatados solúveis. Portanto a recomendação de rocha fosfática ígnea não acidulada e de pós de rocha para a implantação de cafezais é irresponsável e ineficiente para o fornecimento de fósforo.

Figura 2. Desenvolvimento radicular em relação a disponibilidade de fósforo em diferentes posições. A maior quantidade de raízes na posição com maior teor de P evidencia a importância do fornecimento deste nutriente em profundidade. Adaptado de Drew (1975).

DOSE DE FÓSFORO NA IMPLANTAÇÃO DO CAFEZAL

Em sua última versão, o Boletim 100 (2018) do Instituto Agronômico de Campinas recomenda o uso de fertilizantes fosfatados solúveis em água para o fornecimento de 160 a 200 kg de P2O5 /ha, independente do resultado da análise de solo.

Alguns produtores e técnicos têm realizado a aplicação de fósforo em profundidade, com auxílio de implementos que podem depositar o fertilizante até 80 cm abaixo da superfície. Esta prática é muito positiva para construção de química de solo favorável ao desenvolvimento radicular (Figura 2), mas há que se tomar o cuidado de não depositar toda a dose do fertilizante neste local, erro muitas vezes verificado no campo.

No caso de aplicações em profundidade o ideal é fornecer o recomendado nos primeiros 30 cm de solo seguido de dose adicional em profundidade de acordo com capacidade de investimento do cafeicultor, uma vez que ainda não existem recomendações oficiais para aplicação deste nutriente em profundidade.

REFERÊNCIAS
Drew, M. C. Comparison of the effects of a localized supply of phosphate, nitrate, ammonium and potassium on the growth of the seminal root system, and the shoot, in barley. New Phytol. (1975). 75, 479-490.

Quaggio, J. A et al. Atualização Boletim 100. 1º Simpósio sobre os avanços na nutrição de citros e café. Campinas, Abril 2018.

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