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Revista Attalea Agronegócios
Café

[Carlos Brando] – Tipos de geadas e impactos na produção de café nos próximos anos

CARLOS H. J. BRANDO
Engenheiro com pós-graduação em nível de doutorado no MIT (EUA),

fundador e sócio da P&A Marketing Internacional, empresa de marketing

É muito difícil avaliar os reais impactos das geadas na produção porque, em primeiro lugar, as geadas afetam as plantações de café em diferentes níveis de intensidade – os “tipos” de geadas mencionados acima – e, em segundo lugar, estes tipos de geadas estão associados a diferentes graus de perdas em 2022 e nos anos seguintes.

Quando se olha para vistas aéreas das áreas afetadas pela geada, com cafezais com cor uniforme preta ou marrom, tem-se a impressão de que o impacto é homogêneo em toda a área. A realidade é que, avaliando a nível de campo, os impactos podem ser bastante diferentes, apesar da mesma cor e aparência uniformes vistas de cima. Isto levou à consideração de três impactos distintos no que não é uma descrição científica, mas apenas uma visão prática geralmente usada para ajudar leigos a compreender as perdas causadas pelas geadas.

Uma geada de “capote” danifica apenas a parte superior da árvore. Uma geada “total” afeta o cafeeiro adulto de alto a baixo. O impacto sobre os cafeeiros jovens, que ainda não estão produzindo ou estão começando a produzir, é diferente daquele que afeta as árvores adultas.

Como a geada de capote danifica o terço ou metade superior do cafeeiro, a poda deverá ser feita a uma determinada altura acima do solo, a ser decidida caso a caso na área afetada, geralmente no terço superior da árvore. A parte do cafeeiro não podada produzirá em 2022 e a produtividade dependerá do ciclo bienal de produção do café, ano de safra alta ou baixa.

A geada total afeta as folhas de cima a baixo do cafeeiro e requer poda perto do solo. A produção não retornará até 2024 e poderá ser alta dependendo das práticas de cultivo do café nos dois anos intermediários.

Os danos causados pela geada aos cafezais jovens geralmente são totais, mas há duas possibilidades: o sistema radicular ainda é viável e o cafeeiro é podado próximo ao solo ou as árvores devem ser arrancadas. No primeiro caso, haverá alguma produção em 2024 com safra plena em 2025. No segundo caso, o esquema será atrasado em um ano, ou seja, produção inicial em 2025 e plena em 2026.

As possibilidades acima estão resumidas na tabela abaixo:

A faixa de números mencionados atualmente em relação às perdas de safra por todos os tipos de geadas em 2022 é de 5 a 8 milhões de sacas, com um limite superior maior citado por algumas fontes. As estimativas para 2022 serão mais precisas quando estiverem disponíveis os relatórios técnicos necessários para acessar as linhas de crédito criadas para ajudar os produtores afetados pelas geadas. Estes relatórios também esclarecerão as perdas de safra esperadas para depois de 2022.

As perdas em 2022 podem ser ainda maiores devido à seca deste ano, que muitos especialistas afirmam já ter afetado o potencial produtivo de muitas áreas de café. As temperaturas atuais são extraordinariamente altas e a cidade de São Paulo teve seu dia mais quente no mês de setembro desde que as temperaturas começaram a ser registradas.

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