fbpx
Revista Attalea Agronegócios
Image default
ARTIGOS Café Irrigação

[Eder Sandy] – Resultados Técnico-Econômico do Manejo de Irrigação em Café (Coffea arabica L.), com lâmina de reposição de água abaixo da ETP, na Região da Alta Mogiana Paulista. (Dados de primeira safra)

EDER CARVALHO SANDY

Eng.° Agrônomo. ECS Consultoria Agronômica. Consultor em Cafeicultura. E-mail:- eder.sandy@ecsagro.com.br

IGOR RODRIGUES QUEIROZ

Eng.° Agrônomo. ECS Consultoria Agronômica. Colaborador. E-mail:- igorrqueiroz@gmail.com

ERIVAL GABRIEL GUIMARÃES FERREIRA

Eng.° Agrônomo. ECS Consultoria Agronômica. Colaborador. E-mail:- eggferreira1@gmail.com

{ ECS CONSULTORIAhttps://www.facebook.com/ecsagro }

CESAR ELIAS BOTELHO

Eng.° Agrônomo. Pesquisador da EPAMIG

MARCELO JORDÃO FILHO

Eng.° Agrônomo. Fundação PROCAFÉ.

 

A irrigação se apresenta como uma prática de incremento de produtividade, associada a outras práticas de bom manejo (tratos culturais, fertilidade e nutrição equilibrada) do cafeeiro, juntamente com as exigências climáticas e a aptidão da região para a produção (Sandy et. al. 2015). De acordo com Pereira et. al. (2008), as condições de aptidão térmica para o café arábica, tona-se marginais por calor quando a média anual se encontra em 22-23 ℃, e atrelado a condições como citado por Matiello et. al. (2016), regiões cujo o déficit hídrico anual em torno de 100 a 200 mm, apresentam-se como regiões marginais, necessitando de irrigação eventuais.

Segundo Renna (2006) é fundamental a importância da deficiência hídrica moderada durante o período de repouso vegetativo (inverno) para a indução e formação das gemas florais. Um manejo pouco abordado é a irrigação utilizando lâmina baixa, ou seja, a evapotranspiração potencial (ETP) como fator determinante para a definição do turno de rega com reposição nunca igual ou superior ao valor da ETP de uma lavoura, fazendo com que ao final do período de inverno o déficit hídrico seja menor que o limite aceitável para o cafeeiro, que é de 170 mm (Alves, 2010), fazendo com que o cafeeiro não tenha longos períodos de deficiência hídrica e eventuais danos produtivos e fisiológicos, principalmente em regiões marginais.

O experimento em campo é conduzido na região da Alta Mogiana Paulista; estabelecido na Fazenda Glória, município de São José da Bela Vista (SP), de altitude 800 metros. A classificação climatológica de acordo com Koeppen é Cwb com precipitação média anual de 1.650 mm e temperatura média anual 21 ºC. No entanto, as medições locais apresentam temperatura média anual de 23ºC e déficit hídrico em condições normais de 70 mm e em anos atípicos, até 150 mm; enquadrando nas classificações de Pereira et. al. (2008) e Matiello et al. (2016).

Resultados de análise química de solo – 17/07/2017

 

Resultados de análise em extrato saturado – 17/07/2017

Embora existam pesquisas sobre diferentes manejos de irrigação associado à ETP, objetivou este estudo apresentar resultados técnicos de produtividade com o manejo de irrigação com lâmina de água abaixo da evaporação potencial para regiões marginais e apresentar a viabilidade econômica (custo x benefício) mediante a resposta de 18 cultivares de café arábica (Coffea arábica L.) submetidos ao manejo. A viabilidade do manejo em estudo, compreende somente o custo médio de implantação de um sistema de irrigação por gotejamento e conduzido do plantio à primeira safra (30 meses).

Resultado de análise foliar – A: 17/01/2017

 

Resultado de análise foliar – B: 23/06/2017.

 

O delineamento experimental utiliza o bloco ao caso (DBC) sendo 18 tratamentos:  8 cultivares de café arábica da Fundação Procafé; 7 do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e 3 da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), disposto em 4 repetições de 18 parcelas com 10 plantas cada, sendo 2 repetições conduzido sequeiro e 2 com manejo de irrigação. Os materiais foram transplantados para o campo em 31/01/2015 com espaçamento de 3,6 por 0,75 m, totalizando estande de 3.703 plantas por hectare.

A irrigação adotada desde o plantio, utiliza o sistema de gotejamento com vazão de 1,6 l.h-1, o que corresponde a 2,3 mm.h-1 de água. A metodologia para a definição dos turnos desde a implantação com o balanço hídrico de Thornthwaite e Mather (1955) com dados climatológicos locais. A colheita de cada parcela experimental ocorreu na data 01/06/2017 separando uma amostra de café por parcela de ‘’roça’’ para posterior secagem determinação da renda e produtividade.

As variáveis agronômicas avaliadas foram: Produtividade em sacas por hectare (sc.ha-1) e rentabilidade econômica do manejo adotado.

Tabela 1- Custo médio de implantação de sistema de irrigação por gotejamento na cultura do café. Fazenda Glória, São José da Bela Vista – SP, safra 2016/2017.    

Referências Custo de implantação (R$.ha-1)
Mínimo Máximo Média
Matiello et. al. (2016) 7.500,00 11.000,00 9.250,00
Fernandes A.L.T. (2017) 6.000,00 8.000,00 7.000,00
Franca-SP (2017) 7.000,00 9.000,00 8.000,00
Média 6.833,33 9.333,33 8.083,33

Tabela 2 – Apresentação das variáveis do balanço hídrico mensal do período de janeiro de 2015 a maio de 2017 para os tratamentos com irrigação. Valores em (mm). Fazenda Glória, São José da Bela Vista – SP, safra 2016/2017.

Tratamento Sem irrigação Com irrigação
Período Fev/15-Mai/15 Jun/15-Jan/16 Fev/16-Mai/16 Jun/16-Jan/17 Fev/17-Mai/17 Fev/15- Mai/15 Jun/15- Jan/16 Fev/16- Mai/16 Jun/16- Jan/17 Fev/17- Mai/17
Chuva 650 1.215 392 906 391 650 1.215 392 906 391
Lâmina Irrigada 3 266 62 351,60 60
ETP 350,2 841,9 403,4 780,1 407,1 350,2 841,9 403,4 780,1 407,1
ETR 346 790 352,8 642,9 356,1 346 790 373,6 742 385,7
Déficit -4,6 -144,8 -50,60 -137,2 -51,1 -4,2 -48,2 -29,8 -38,1 -21,5
Excedente 272,4 502,5 122,5 161,7 90,3 333,4 676,5 122,5 323,9 90,3
Reposição % ETP 0,86 31,60 15,37 45,07 14,74

                                                                                                             

Tabela 3 – Resultados técnicos de produtividade do tratamento com manejo de irrigação lâmina baixa sobre tratamento sequeiro. Fazenda Glória, São José da Bela Vista – SP, safra 2016/2017.

Tratamentos Incremento de produtividade
Produtividade observada (sc.ha-1) % sc.ha-1
Maior Menor Média Maior Menor Média Maior Menor Média
Sem irrigação 68,04 a A 46,98 a A 57,48 B 39,25 8,65 19,85 34,03 5,60 14,65
Com irrigação 80,87 a B 54,83 c A 72,13 A
CV 7,2%

Tabela 4 – Resultados econômicos do tratamento com manejo de irrigação lâmina baixa sobre tratamento sequeiro. Fazenda Glória, São José da Bela Vista – SP, safra 2016/2017.                           

Tratamentos Rentabilidade
(R$/ha)1 (R$/sc.ha-1 incrementado)
Maior Menor Média Maior Menor Média
Sem irrigação 30.747,27 21.230,26 25.975,21 15,378,15 2.530,64 6.620,33
Com irrigação 36.545,15 24,777,67 32.595,54
CV 7,2%
1O preço médio de R$ 451,90 para a saca de café de 60 kg refere-se ao preço líquido, bica corrida, tipo 6, bebida dura para melhor, conforme índice Esalq/BM&F referente ao mês de colheita do experimento (Julho).

Considerações Finais

O manejo de irrigação localizada, com lâmina de água abaixo da evaporação potencial apresentou-se viável tecnicamente, com ganhos significativos já na primeira safra aos 30 meses de idade; Com incrementos médios de produtividade na ordem de 19,85%, ou 14,65 sc.ha-1, em relação aos tratamentos sequeiros.

Quanto a viabilidade econômica, para as condições em estudo, mostrou-se que para o incremento médio de produtividade na ordem de 19,85% (14,65 sc.ha-1) os custos de implantação da irrigação, na primeira safra, praticamente são retornados, sendo que para o retorno integral do investimento, é necessário incrementos de produtividade a partir de 17,78 sc.ha-1; Para este caso em questão.

O trabalho vai ser continuado a fim de ser obter mais dados ao longo das safras e consolidar os resultados. Para o ano em estudo vale se ressaltar que os déficits hídricos para o período de floração não foram altos (setembro de 2016), sendo que estes percentuais de incrementos tendem a aumentar em anos com maior déficit hídricos nos meses de floração. A irrigação localizada apresenta alta viabilidade técnico-financeira na região da Alta Mogiana Paulista.

Experimento em 07 de junho de 2015.

 

Aspecto do experimento em 1º de Outubro de 2015.

 

Aspecto da produção do Experimento em 10 de maio de 2016.

 

Acima e abaixo, catação no Experimento em 10/05/2016

Experimento em 20/09/2016 – Blocos 1 e 2 à esquerda (Sequeiro) e blocos 3 e 4 à direita (Irrigado).
Em maio de 2017, visita do Engº Agrº César Elias Botelho ao campo. À esquerda “MGS Aranãs” e à direita “Catuaí Vermelho IAC -99.
Amostra beneficiada e limpa em 14/08/2017.
Conjunto de peneiras (Pinhalense – www.pinhalense.com.br) para classificação utilizado no Experimento.

Related posts

Simcafé acontece em abril e promete surpreender cafeicultores da Alta Mogiana

2º Simpósio Brasileiro de Manejo Biológico na Cultura do Café comprova a importância da sustentabilidade na cafeicultura

Revista Attalea Agronegócios

Condições climáticas extremas exigem cuidados redobrados dos cafeicultores

Revista Attalea Agronegócios

Deixe um comentário