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Revista Attalea Agronegócios
ARTIGOS

[Paulo Trani] – Os apelidos dos bixos da Agronomia

PAULO ESPÍNDOLA TRANI
Engenheiro Agrônomo pela ESALQ/USP. Mestre em Solos e Nutrição de Plantas e Doutor em Agronomia também pela ESALQ/USP. Pesquisador Científico aposentado do Instituto Agronômico – IAC-APTA.
Ex-morador da Casa do Estudante (CEU)
petrani32@hotmail.com

 

Com certeza a  melhor iniciativa dos Doutores (alunos veteranos) da Agronomia foi a criação dos apelidos para os calouros, mais conhecidos como “bixos”.  O mérito disso não é só dos Esalqueanos mas também dos veteranos das Faculdades de Agronomia de todo o Brasil. Inúmeros critérios são utilizados para “melhor” batizar os bixos que serão conhecidos durante 4 a 5 anos de Faculdade.  Muitos  ficam “apelidados” e  consagrados pelo resto da vida, tal é a “exatidão” dos apelidos.

Alguns são batizados com o nome da cidade de origem. Lembro-me  dos saudosos tempos da ESALQ de 1971 a 1974,  do Torrinha, Garça, Mococão, Mocoquinha, Ditinho Piraju, Xico Araras, Chico Limeira, a maioria vinda de cidades do interior paulista.

Outros bixos eram batizados conforme a semelhança com figuras conhecidas das histórias em quadrinhos como o Cascão (o Chiquetto, de São Paulo). Outros eram lembrados conforme suas características físicas, como o Barbante (magro e alto), o Biafra (super magro, ainda mais almoçando todos os dias no RUCALQ!),o Paulão Careca, o Cabeção.  Outros, eram devidamente contemplados com significativos apelidos até pelo jeito típico de caminhar e maneira de conversar, como o Marcha Lenta e o Vagareza. E assim, cada um aceitava com resignação, alguns até com alegria, o novo nome  que carregariam até o final do Curso Universitário.

Destaco 3 colegas  que seriam fortíssimos concorrentes a campeões caso houvesse um Concurso dos melhores apelidos de todos os tempos e de todas as Faculdades de Agronomia.

O primeiro deles é de um colega formado na ESALQ alguns anos antes da nossa Turma de 74. Conheci o mesmo quando trabalhei na CATI e ele era meu vizinho no mesmo prédio, no antigo Departamento de Defesa Vegetal. Sujeito calmo,  ouvia muito, falava pouco, mas às vezes me parecia “meio que distraído”. Aposentou-se discretamente, voltou para a sua cidade natal, Americana (SP). Recentemente soube por um colega de Turma dele, o apelido do “dito cujo”. Era “TV TUPI”. Isso porque ele vivia fora do ar! (muito apropriado e criativo)

O segundo é um colega formado em Espírito Santo do Pinhal (SP), no início da década de 70. Quando o conheci logo constatei que era muito dedicado ao trabalho, honesto, porém  extremamente ingênuo, mesmo para os padrões daquela época mais tranquila. O apelido dele era “Beto BHC”. Quando o fui procurar não tive a coragem de perguntar a origem de seu apelido. Depois, soube por dois colegas aqui do IAC que o conheceram e conviveram nos tempos da Faculdade.

O Beto “entrou” na Agronomia de Pinhal bem classificado, estudou muito para isso. Naqueles tempos a Faculdade de Pinhal era considerada a melhor Escola de Agronomia particular do Brasil! O Pai do Beto entusiasmado com a  sua “perfomance”  o premiou com um belo presente, um FUSCA zero quilômetro. Naquele época estava na moda ter um carro “envenenado” e o Beto foi consultar os Doutores de sua República como fazer para envenenar o veículo? O Doutor mais confiável da República recomendou o seguinte: “vá até o Setor de Entomologia,  arrume 1/2 quilo de BHC e despeje  tudo com um funil no tanque de gasolina do carro. E o Beto assim o fez! Desnecessário dizer que o Pai dele pagou caro para retirarem e desentupirem o tanque para  o Fusca voltar a funcionar!

O terceiro deles e talvez o mais criativo foi o apelido assumido pelo nosso colega e amigo Fábio Sardinha Pulz, o BISCATÃO! A gente pode revelar seu nome pois foi um dos poucos a assumir plenamente a nova “identidade” dando conhecimento a todos seus familiares e conterrâneos de Leme, ótima cidade do Interior Paulista. Como surgiu este apelido?

Ocorreu o seguinte: alguns “bixos” quando chegaram à Casa do Estudante da Agronomia (CEA, hoje CEU) foram cercados pelos veteranos e trancados dentro da sala de leitura no andar térreo do Prédio. Os “Doutores” colocaram a vitrola para tocar e desafiaram os “Bixos” a dançar PELADOS e em cima de uma pequena mesa naquele recinto. A grande maioria dançou de cuecas, mas não nus. Somente dois toparam dançar pelados e foram imediatamente batizados: o Bixo mais alto virou  Biscatão  (o Fábio) e o baixinho foi batizado de Biscatinho. Por questões óbvias (ética pessoal) não posso e não devo revelar os nomes dos colegas que aqui comento (com exceção do Fábio), mas o que vale é conhecermos o milagre e não o nome do Santo, como diz o ditado popular!

Agradecendo a atenção dos colegas pela paciência em ler este longo relato.

 

(*) Texto publicado, originalmente, em maio de 2016, no Blog da Associação dos Ex-Alunos da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” a ADEALQ (www.adealq.org.br)

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