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Revista Attalea Agronegócios
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ARTIGOS Café

[Patricia Santoro] – Pesquisa e Inovação: A distância entre o discurso político e as ações

PATRÍCIA SANTORO 
Pesquisadora do IAPAR – Instituto Agronômico do Paraná.
www.iapar.br

 

Ao contrário do tripé “saúde, segurança e educação”, o investimento em ciência não dá voto, mesmo assim o tema está sempre presente nos discursos políticos. Na prática, o descaso do país com a pesquisa e inovação compromete seu desenvolvimento. Acredito que foi com essa percepção que o governador do Paraná, Ratinho Júnior, fez a seguinte proposta em seu Plano de Governo: “Com rápidas e intensas modificações, sobretudo tecnológicas, o Paraná precisa enfrentar o aumento da demanda por capacitação e realizar investimentos em pesquisa e inovação”.

A agricultura, principal atividade econômica do Estado, impacta de maneira expressiva em seu desenvolvimento, o que se deve em grande parte às tecnologias geradas pelo Instituto Agronômico do Paraná – IAPAR, ao longo dos seus 46 anos de existência. Contrastando a sua promessa de campanha e com o discurso de enxugar a máquina pública, o governo estuda a possibilidade de extinguir o IAPAR como instituição autônoma de pesquisa, subordinando suas ações à direção de uma nova instituição que se pretende criar a partir da fusão do IAPAR, CPRA, EMATER e CODAPAR.

A fusão de instituições geralmente se dá em resposta adaptativa a um quadro orçamentário restritivo, mas a ação nem sempre reflete em redução de despesas. Além disso, experiências que se têm em outros estados em que houve a fusão entre pesquisa agropecuária e extensão é que os resultados, em geral, são prejudiciais às ações de pesquisa. O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, aponta que após a fusão a pesquisa perde prioridade, uma vez que seus resultados necessitam de um tempo maior para serem alcançados, o que faz com que sua visibilidade seja menor.

Dada à relevância de seu trabalho, IAPAR consolidou-se como uma marca forte e de alta credibilidade na geração do conhecimento científico e tecnológico. Com um papel social, econômico e ambiental de extrema importância, atua em prol da sociedade, de forma estratégica a garantir competitividade e sustentabilidade das atividades agropecuárias. São inúmeros os benefícios gerados pelo Instituto que, por exemplo, já desenvolveu mais de 180 cultivares de espécies como café, milho, feijão, trigo, mandioca, frutas, entre outras, preconizando a alta produtividade, resistência à pragas e doenças e adaptação às diferentes condições de clima e solo do Paraná. O IAPAR atua também com foco na redução do uso de agrotóxico, com a produção de alimentos seguros, menor impacto ambiental e redução dos custos de produção. Desenvolve tecnologias para a conservação de solos e água e recuperação de áreas degradadas.

Realiza pesquisas sobre as mudanças climáticas, criando mecanismos para reduzir seus efeitos sobre a agricultura. Busca alternativas para promover a diversificação da produção agrícola com espécies de maior valor agregado, menor risco de mercado e melhoria da renda no campo.

Apesar de toda sua contribuição, o IAPAR tem sido desprezado por nossos governantes ao longo dos anos. Seu principal capital é um corpo técnico de alta qualificação que vem se rescindindo pela não reposição do quadro de servidores, levando a uma situação crítica que compromete as entregas. Situação esta que demonstra a urgente necessidade de reestruturação, com garantia de recursos financeiros, contratação de pessoas qualificadas e gestão com foco em resultados. Isso sim, senhor governador, é investir em pesquisa e inovação. A fusão, ao contrário, coloca em risco a autonomia da ciência, com prejuízos irreversíveis para o desenvolvimento de processos e produtos estratégicos à agropecuária, e graves consequências à sociedade. Enquanto a ciência não for prioridade, daremos passos gigantescos ao retrocesso.

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