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Revista Attalea Agronegócios
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ARTIGOS Café

[NECAF-UFLA] – Utilização de Compostos Orgânicos na Fertilidade e Nutrição de Cafeeiros

Brener Lorenzon Botega,

Artur José Lima Guedes,

Joana Caroline D’arc de Oliveira,

Maurício Antônio de Paula Santos,

(Graduandos em Agronomia pela UFLA – Universidade Federal de Lavras/MG)

https://www.facebook.com/necaf.ufla/

 

Introdução

Os compostos orgânicos ou fertilizantes orgânicos são resíduos naturais, que sofreram ou não processos de compostagens, que possuem características físicas, químicas e biológicas que possibilitam seu emprego na agricultura com a finalidade de melhorar as características do solo e aumentar a produtividade das culturas. Eles devem ter um bom custo benefício para sua produção, preferencialmente serem produzidos na própria fazenda, tendo um grande aproveitamento dos resíduos que ficam desperdiçados na propriedade ou adquiridos de terceiros. Estes se diferenciam dos fertilizantes convencionais pela sua atividade e atuação sobre o solo, as plantas e o ambiente, onde normalmente trazem efeitos positivos.

Cada vez maistilizado na agricultura, este tipo de fertilizante contribui com melhorias significativas nas plantações. Por isso, o uso deste composto está cada vez mais difundido em diversas culturas.

O composto é obtido pelo processo de compostagem, que nada mais é que um conjunto de técnicas aplicadas para controlar a decomposição de resíduos orgânicos, com a finalidade de obter, no menor tempo possível, um material estável, ricos em húmus e nutrientes minerais, com atributos físicos, químicos e biológicos superiores sob o aspecto agronômico.

Para o preparo do composto na propriedade agrícola duas fontes de matérias-primas são necessárias: os restos vegetais da própria lavoura, como a casca do café, e também com resíduos extrínsecos à cultura, como a casca de arroz, bagaço de cana, torta de mamona e restos animais, como estercos, cama de aviário, entre outros.

Obtenção do produto

Inicia-se a compostagem formando pilhas diretamente sobre o solo, de forma que a montagem da pilha (monte, meda ou leira) deve ser feita preferencialmente em terreno levemente inclinado para evitar que a água acumule na época das chuvas. A formação das pilhas deve prosseguir alternando a camada de restos vegetais com a de meios de fermentação, que são os restos animais e irrigando-se, sem encharcar ou deixar escorrer água pela base.

Os materiais devem ser colocados sem haver compactação ou pisoteio, visando a manutenção da aeração na pilha, garantindo assim maior eficiência no processo de compostagem.

Observando-se essas condições, a fermentação produz calor elevando assim a temperatura, sendo esta a primeira indicação do início da compostagem. É recomendado revolver a pilha, misturando-se as camadas de restos vegetais e animais para homogeneizar o composto, permitindo assim melhores condições de molhamento. Ao longo do processo, deve ser feito de três a cinco revolvimentos, dependendo da textura do material utilizado, num intervalo de 25 a 30 dias.

O composto estará pronto para uso quando não apresentar aquecimento após a ação de revolvimento e molhamento e quando estiver com aparência homogênea, coloração escura, onde não se possa mais distinguir os materiais originais.

Benefícios

Fertilizantes orgânicos, ricos em húmus, modificam as propriedades físicas do solo à medida que são aplicados, promovendo a formação de agregados. Como consequência, aumentam a porosidade, a aeração, a capacidade de retenção de água, que pode diminuir uma possível queda de produção por estiagem por conservar mais umidade no solo e por mais tempo.

Ao mesmo tempo, proporciona um aumento da capacidade de troca catiônica (CTC) do solo, ou seja, os nutrientes catiônicos, Cálcio, Magnésio e Potássio não serão lixiviados e passam a ficar disponíveis para as plantas em maiores quantidades e por mais tempo. Outro beneficio é a liberação de alguns ácidos orgânicos, como a umina, ácidos fúlvicos e húmicos, liberados pelo fertilizante, e diminuem a adsorção (imobilização) do P, sendo que este é um grande problema nos solos brasileiros.

Nessas condições, diminuem também as variações de pH, pelo seu poder de tamponamento, diminuindo necessidade de calagem (aplicação de calcário no solo para elevar o pH). Além disso, os fertilizantes químicos, aplicados nestas condições, serão mais bem aproveitados pelas plantas, e sua ação sobre a acidez e a salinização do solo diminuirá substancialmente.

Desvantagens

Como desvantagens, a aplicação do composto orgânico tem problema de logística e um custo operacional relativamente alto, pois a dosagem é alta e tem um baixo rendimento quando comparada ao fertilizante mineral.

Além disso, a adubação orgânica é um processo mais demorado. Tanto em sua fabricação quanto em sua aplicação. O tempo de decomposição do adubo para liberar os nutrientes é alto e não é possível dimensionar exatamente o quanto de composto orgânico deverá ser colocado para suprir as necessidades específicas de uma cultura.

Aplicação

Para se determinar a quantidade de resíduo necessária para a adubação, é preciso antes ter realizado a análise do solo e do material orgânico a ser aplicado como fonte de nutrientes, seja sólido ou líquido. Posteriormente, de acordo com a necessidade da cultura que se deseja adubar, pode-se calcular a quantidade de resíduo que supre a necessidade nutricional. Frequentemente, é necessário realizar a suplementação da adubação orgânica com adubos minerais para se obter a exigência nutricional da planta.

Os compostos orgânicos podem ser aplicados separadamente ou misturados a minerais. Neste último, a interação dos diferentes tipos de fertilizantes, frequentemente feita por empresas específicas deste ramo, origina o fertilizante denominado comercialmente como “organominerais”. Mas, se o produtor optar exclusivamente pela adubação orgânica, o volume a ser colocado na lavoura será maior.

Para a cultura do café, a dosagem de composto utilizado no sulco de plantio varia de 5 a 15 litros por metro de sulco. E em lavoura adulta, a dosagem varia de 10 a 40 ton.ha-1.

Cuidados

Além de melhorar o solo, o composto orgânico beneficia o sistema como um todo. Entretanto, no processo de preparo do composto orgânico ainda falta orientação aos produtores para fazer um material de qualidade. Uma característica de grande importância na obtenção do produto é a relação C/N, ou seja, carbono/nitrogênio, pois esta implica diretamente na velocidade de decomposição dos materiais utilizados. Neste sentido, a relação C/N, não pode ser acima de 20/1, e a umidade não pode ser acima de 30%.

Conclusão

O manejo nutricional das lavouras deve ser equilibrado, e desta forma, estes compostos orgânicos, por meio de sua tecnologia, propõem o fornecimento de modo equilibrado, contribuindo assim para melhorias no ambiente de cultivo e consequentemente na produtividade e lucratividade das lavouras cafeeiras. Ressalta-se a importância de suporte técnico para a recomendação e aplicação destes produtos, sendo indispensável a presença de um Eng. Agrônomo ou outros professionais da área.

É importante que o cafeicultor tenha em mente que a matéria orgânica do solo não é simplesmente sinônimo de adubação, e que seus benefícios vão mais além da questão nutricional, especialmente quando se considera a microbiologia do solo, retenção de água. Portanto, o produtor que desejar obter boas colheitas, deve investir no manejo do sistema de forma a aumentar ou preservar a sua matéria orgânica.

FOTOS

Figura. Preparação do composto.
Figura. Preparação do composto.
Figura. Aspecto final do produto.
Figura. Aspecto final do produto.
Figura. Esparramação no sulco de plantio.
Figura. Esparramação nas lavouras adultas.

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