MARCELO FRAGA MOREIRA
mmoreira66@yahoo.com
[Comentário Semanal – 16 a 20/06/2025]
É um profissional há mais de 30 anos atuando no mercado de commodities agrícolas,
escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting –
Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.
www.archerconsulting.com.br
Mais uma semana com os fundos + especuladores ditando o movimento do mercado. Na semana o próximo vencimento Set-25 encerrou @ 315,05 centavos de dólar por libra-peso – chegou a cair 3.800 pontos entre a máxima e a mínima (fechamento anterior / máxima / mínima / fechamento atual respectivamente @ 346,00 / 349,80 / 311,85 / 315,05 centavos de dólar por libra-peso).
Em Londres não foi diferente. O vencimento Nov-25 chegou a cair 688 US$/tonelada (41,27 US$/saca = 227 R$/saca). O vencimento novembro-25 encerrou a semana @ 3.737 US$/tonelada – equivalente a 224 US$/saca ou 1.232 R$/saca (fechamento anterior / máxima / mínima / fechamento atual respectivamente @ 4.287 / 4.387 / 3.699 / 3.737 US$/tonelada).
Com toda essa queda o diferencial de compra praticado pelas cooperativas e tradings melhorou um pouco pois os produtores estão relutantes em vender. Mesmo assim o café arábica tipo 6 e o café robusta perderam os suportes psicológicos dos 2.000 R$/saca e 1.200 R$/saca.
O mercado entrou no período “mercado de clima”.
Na quarta-feira, sem risco de geadas, Londres chegou a cair 6% e NY 5%. Porém, na sexta-feira, logo pela manhã saíram previsões climáticas sobre eventual risco de geada nos próximos dias 22-24 de junho levando os mercados a subirem 400-500 pontos em NY e até 100 US$/tonelada em Londres. Porém, após análise mais cuidadosa dos modelos meteorológicos o risco da geada foi eliminado e os fundos + especuladores voltaram às vendas! Ah esses fundos…
No final de semana os modelos meteorológicos voltaram a apresentar novos riscos com a massa polar entre os dias 23-24 de junho apresentando novo risco de geadas em áreas produtoras dos Estados do Paraná, São Paulo e sul de Minas Gerais.
Então, provavelmente os mercados deverão abrir em alta na próxima segunda-feira!
Atenção pois poderá ser uma nova oportunidade para o produtor ainda aproveitar preços acima dos R$ 2.000/saca para o café arábica tipo 6 e talvez novamente acima dos R$ 1.300/1.400 para o café robusta.
A semana terminou bem negativa. Os três próximos vencimentos em NY (setembro-25, dezembro-25 e março-26) encerraram abaixo do importante suporte da média-móvel dos 200 dias. Com o fechamento da sexta-feira o mercado do café arábica entrou agora em “tendência de baixa”.
Com esse fechamento o próximo objetivo no curto prazo em NY continua sendo os 240 centavos de dólar por libra-peso. Considerando um diferencial de compra nos 40 pontos para o café arábica tipo 6 “bica corrida” esse patamar de preços representa um café arábica ao redor dos 1.400 R$/saca.
Já em Londres os próximos vencimentos nov-25 / março-26 e julho-26 já estão bem próximos do suporte importante nos 3.500 US$/tonelada. Perdendo os 3.500 US$/tonelada próximos suportes apenas nos 3.000 US$/tonelada e 2.750 US$/tonelada (165 US$/tonelada = aproximadamente 900 R$/saca).
Com o quadro fundamental ainda o mesmo, sem grandes alterações, os fundos + especuladores agora estão com uma “faca quente cortando a manteiga”… Ou seja, estão em condições para derrubar NY até o suporte aguardado – 240 centavos de dólar por libra-peso.
No curto prazo creio que existem apenas 2 fatores que ainda poderão levar os fundos + especuladores a reverter a sentimento baixista: risco real de geadas nos próximos 45-60 dias e a confirmação da quebra na produção do café arábica e também do café robusta.
Muitos produtores do café arábica confirmam uma quebra acima dos 20% no rendimento. E alguns produtores do café robusta também relatam problemas com quebras entre 10-15%.
O sentimento do produtor é para uma safra total do café arábica no máximo em 36 milhões de sacas e no café robusta em no máximo 20 milhões de sacas – totalizando uma produção total em 56-58 milhões de sacas.
Por outro lado, o mercado segue acreditando em uma safra “grande” acima dos 65 milhões de sacas.
Mesmo com o Brasil produzindo 64 milhões de sacas o mundo irá, novamente, ter um déficit entre produção x consumo estimada em -8,50 / -16 milhões de sacas.

E, como já mencionado em comentários anteriores, a recomposição dos estoques globais voltará a criar estoque já a partir da próxima safra 26/27 com o índice “estoque x consumo” voltando próximo aos 10%.
Os fundos + especuladores + algorítimos e todo o mercado comprador estão analisando esses números / projeções diariamente, e estão sem pressa para realizar novas compras. O presidente da Nestlé, nessa semana, afirmou em uma entrevista que estão estimando quedas nos preços nos próximos meses com a normalização da oferta.
Creio que, mesmo com o mercado bem vulnerável nos próximos dias – podendo seguir caindo até os 240 centavos de dólar por libra-peso – os fundamentos de curto prazo seguem positivos.
O mercado atual está nas mãos do produtor. O mundo continua necessitando importar 3,50 milhões de sacas por mês. Se o produtor se organizar e cadenciar suas vendas então, aí sim poderemos ver o mercado sustentando os 2.000 R$/saca no café arábica e pelos menos 1.200 R$/saca no café robusta.
Já ficou provado que o consumidor e os importadores conseguem comercializar e seguir obtendo resultados positivos comprando café acima dos 300 centavos de dólar por libra-peso. Durante os últimos 18 meses NY trabalhou acima desse patamar e os compradores continuaram comprando com base nesses preços (vencimento Set-25 está acima dos 300 centavos de dólar por libra-peso desde o dia 2 de dezembro de 2024).
O produtor ainda está tendo a oportunidade para vender e/ou realizar operações de hedge para o seu produto para venda até dez-25 ainda acima dos 300 centavos de dólar por libra-peso! “Ótimo”? Claro que não. Para um mercado que já negociou acima dos 2.800/3.000 R$/saca “vender hoje” @ 2.000 R$/saca representa ter “deixado na mesa” 28% do “ótimo”!
Porém, considerando um custo de produção entre 700-900 R$ por saca (e sim, esse custo de produção é consenso para a maioria dos produtores) vender a 2.000 R$/saca continua sendo um excelente retorno!

Para a safra 26/27 as cotações em NY encontram suporte importante na faixa dos 280 centavos de dólar por libra-peso (resultando em um preço para o produtor ainda acima dos 300 US$/saca – aproximadamente acima dos 1.700 R$/saca)! E ainda com um retorno estimado para o produtor eficiente ainda acima dos 50%-70%-100% do seu custo de produção!
O próximo vencimento Setembro-26 apresenta suporte importante nos 280 centavos de dólar por libra-peso e depois apenas nos 220 centavos de dólar por libra-peso (liquidando para o produtor aproximadamente 238 US$/saca ou 1.400 R$/saca equivalente).

As operações de hedge existem para serem utilizadas como “proteção, para garantir um resultado X% acima do seu custo de produção”, garantir uma margem suficiente para o produtor continuar investindo na sua “fábrica a céu aberto”!
Porém muitos produtores continuam ainda apenas “olhando”, realizando a “dança da chuva”, acreditando que os preços continuarão (continuariam) subindo em linha reta para os 3.000 / 3.500 / 5.000 R$/saca.
Poderia acontecer? Poderia NY atingir os 500 centavos de dólar por libra-peso? Sim. Caso a safra 25/26 viesse mesmo abaixo das 50 milhões de sacas. Porém a realidade agora é outra e dificilmente a safra 25/26 virá inferior a 60 milhões de sacas.
E a próxima safra 26/27? Se não tiver um evento climático relevante então provavelmente será acima dos 80 milhões de sacas!
O risco “geada” nesse momento, se ocorrer, irá comprometer a safra 26/27 e 27/28. A produção para a safra 25/26 já está dada. Eventual geada não afetará a produção atual (uma vez que a colheita está bem avançada em diversas regiões).
Então, produtor, como sempre mencionamos aqui no final do nosso “comentário semanal”: PROTEJA-SE!
Se realizar vendas futuras compre uma “call-spread*” como proteção para uma eventual quebra na sua safra futura.
Se preferir não vender o seu produto físico agora e aguardar por preços melhores, então não fique apenas “olhando, torcendo”. E, sim, compre um seguro / proteção contra eventuais baixas. Compre uma estrutura “put-spread*” garantindo um piso ao redor dos 1.500 R$/saca (para não pagar muito caro pelo seguro).
Produtor: como sempre, PROTEJA-SE!
Boa semana a todos!
=X=X=X=X=X=X=
** “Call” = opção de Compra
** “Put” = opção de Venda
** “Compra Call-Spread” = compra e venda simultânea de 2 Opções de Compra comprando a Opção com preço de exercício mais baixo vendendo a Opção com preço de exercício mais alto);
** “Venda Call-Spread” = venda e compra simultânea 2 Opções de Compra vendendo a Opção com preço de exercício mais baixo e comprando a Opção com preço de exercício mais alto);
** “Compra Put-Spread” = compra e venda simultânea 2 Opções de Venda comprando a Opção com preço de exercício mais alto e vendendo a Opção com preço de exercício mais baixo);
** “Venda Put-Spread” = venda e compra simultânea 2 Opções de Venda vendendo a Opção com preço de exercício mais alto e comprando a Opção com preço de exercício mais baixo);
** “CFTC” = Commodity Futures Trading Commission – agência independente do governo dos Estados Unidos que regula os mercados de futuros e opções das commodities;
** “IBGE” = Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
** “Cecafé” = Conselho dos Exportadores de Café do Brasil
** “SECEX” = Secretaria comércio exterior
** “CNC” = Conselho Nacional do Café
** “USDA” = Departamento da Agricultura dos Estados Unidos
** “FNC” = Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia
** “FAS” = Serviço Agrícola Estrangeiro do USDA*
** “OIC” = Organização Internacional do Café
** “GCA” = Green Coffee Association
** “ABIC” = Associação Brasileira da Indústria de Café
** “Sincal” = Associação dos Produtores do Brasil
** “NDF” = (Non-Deliverable Forward), um contrato a termo de moeda com liquidação financeira, com vencimento para aquele mês
** “Pib” = Produto Interno Bruto
** “FED” = Banco Central Americano
** “NOAA” = Departamento Nacional da Atmosfera e Oceanos dos Estados Unidos
** “EUROSTAT” = Serviço de Estatística da União Europeia responsável pela publicação de estatísticas e indicadores de elevada qualidade a nível europeu que permite a comparação entre países e regiões
** “OPEP” = A Organização dos Países Exportadores de Petróleo
** “FOMO” = É caracterizada pela necessidade constante que uma pessoa tem de saber o que outras estão fazendo. FOMO, sigla que vem da expressão em inglês “fear of missing out”, que traduzida para o português significa “medo de ficar de fora”.
o investidor fica com receio em perder uma oportunidade no mercado e sai “comprando ou vendendo” para não ficar de fora da “oportunidade” divulgada na mídia (FOMO = Free of missing out A Organização dos Países Exportadores de Petróleo
** “COOXUPÉ” = Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé
** “Coccamig” = Cooperativa Central de Cafeicultores e Agropecuaristas de Minas Gerais
** “PIB” = Produto interno Bruto de um país
** “COPOM” = Comitê de Política Monetária, é um órgão do Banco Central. Ele foi criado em 1996 com o objetivo de traçar e acompanhar a política monetária do país. Esse é o órgão responsável pelo estabelecimento de diretrizes a respeito da taxa de juros
** “BASIS” = O basis é a disparidade de preço causada pela diferença geográfica entre os pontos de entrega da commodity. Ele é calculado subtraindo o valor da commodity no mercado físico em determinada praça, pelo preço do mesmo produto no mercado futuro.
** “Bandas de bollinger” = do inglês bollinger bands, é um indicador de volatilidade bastante utilizado para prever se um ativo está sobre-comprado, estável ou sobre-vendido. Ele é formado por duas médias móveis, uma superior e outra inferior que indicam tal informação. São alguns atributos desse indicador:
Antever os níveis de preço de um ativo
Antecipar topos e fundos de preço no gráfico
Mostrar a intensidade de valorização ou desvalorização de um ativo
Portanto, este indicador tenta mostrar se uma ação está barata ou cara, em um determinado período de tempo.
Desse modo, ele é indicado para operações de curto prazo, day trade ou swing trade.
O autor da técnica é o americano John Bollinger (nascido em 1950), analista financeiro e colaborador da área de análise técnica. John lançou o seu livro Bollinger on Bollinger Bands em 2001, mas essa técnica começou a ser desenvolvida por ele ainda na década de 1980. As bandas são derivadas das médias móveis e mostram que, independente de qualquer movimento que o preço faça, ele tende a voltar a um equilíbrio. Portanto, temos aí um “estreitamento das bandas” no gráfico de candlestick.
** “PMI” = A sigla PMI significa, em inglês, Purchasing Manager’s Index e é um indicador que mede a atividade econômica de um país a partir de pesquisas mensais realizadas por uma empresa privada.
Assim, o PMI também é conhecido como Índice de Gerentes de Compra e seu principal objetivo é fornecer informações sobre a temperatura de alguns setores da economia e orientar os diversos profissionais do mercado.
** Vicofa: Associação do Café e Cacau do Vietnam
