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[Escritório Carvalhaes] – Boletim semanal – ano 88 – n° 21

ESCRITÓRIO CARVALHAES
A mais antiga publicação periódica do café brasileiro –
desde 1933, a melhor fonte de pesquisa sobre o mercado mundial de café.
www.carvalhaes.com.br

Santos (SP), sexta-feira, 28 de maio de 2021

Tivemos mais uma semana com o mercado de café trabalhando em forte alta. As cotações do café na ICE Futures US subiram explosivamente. Abriram hoje em forte alta e se mantiveram assim por todo o pregão. Os contratos com vencimento em julho próximo fecharam com 700 pontos de alta, valendo US$ 1,6235 por libra peso. Romperam o patamar de um dólar e sessenta centavos e mostram folego para continuar em ascensão. Ontem fecharam o dia valendo US$ 1,5535 por libra peso. Na sexta-feira passada fecharam a US$ 1,5010 por libra peso. No balanço da semana a alta nos contratos para julho próximo foi de 1225 pontos.

No mercado cambial brasileiro, o dólar comercial recuou frente ao real esta semana. O recuo, principalmente hoje e nos últimos dois dias, reflete o otimismo do mercado com as contas públicas brasileiras no curto prazo. O dólar perdeu hoje 0,82% e fechou a semana a R$ 5,2120. Ontem recuou 1,09%, e anteontem 0,45%. Na sexta-feira passada encerrou a R$ 5,3530. Em reais por saca, os contratos para julho próximo fecharam hoje valendo R$ 1 119,31. Encerraram a sexta-feira passada valendo R$ 1 062,85. Com o recuo do dólar frente ao real nesta semana, a alta do café em reais foi menor do que em Nova Iorque.

A forte alta na ICE no decorrer da semana, agitou o mercado físico brasileiro. Os preços subiram dia após dia, mas as ofertas variaram bastante de um comprador para outro. A queda acentuada do dólar frente ao real continuou dificultando os negócios. O mercado apresentou-se comprador para todos os tipos de café. Os negócios que foram fechados saíram a preços bem acima dos da semana passada. O volume de negócios fechados foi pequeno, em ritmo de entressafra.

Os vendedores continuam cuidadosos, a cada dia mais preocupados com o clima, com a renda dos primeiros cafés colhidos neste início de trabalhos da nova safra 2021/2022, e com a alta forte e generalizada nos insumos. O volume de lotes da atual safra 2020/2021 ainda em mãos de produtores é pequeno.

As torrefações brasileiras, responsáveis pelo abastecimento do segundo maior mercado consumidor do mundo, aproximadamente 22 milhões de sacas anuais, se mostram severamente preocupadas com o quadro atual. Os preços subiram forte, bem acima do que imaginavam, e mesmo nos preços atuais encontram bastante dificuldade para comprar café verde no volume necessário às suas atividades. Para turvar mais o cenário, estamos entrando no período de inverno, quando o consumo brasileiro cresce.

Os preços sobem em função dos fundamentos, que como temos repetido, continuam sólidos e apontando para cotações em alta. Depois do segundo semestre de 2020 seco, com chuvas muito abaixo do esperado, o clima, nas regiões produtoras de café do Brasil, já naturalmente em ano de safra baixa, permaneceu seco, quente, com chuvas insuficientes, bem abaixo das médias históricas neste primeiro semestre de 2021; os reservatórios das hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste terminam o período de chuvas deste ano no menor nível desde 2015; as incertezas climáticas e queda na produção persistem também nos demais países produtores de café; a perspectiva de alta no consumo do hemisfério norte no segundo semestre; a revisão para baixo pela OIC da produção mundial de café no atual ano-safra. As poucas chuvas que agora, quando iniciamos os trabalhos de colheita, estão caindo em algumas regiões produtoras ajudam pouco a lavoura, mas atrapalham os trabalhos neste início de colheita e prejudicam a qualidade dos primeiros frutos espalhados nos terreiros.

A notícia divulgada hoje de que o governo brasileiro deve emitir alerta de emergência hídrica para o período de junho a setembro em cinco Estados brasileiros – Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná, todos na bacia do Rio Paraná, onde se concentra parte da produção agropecuária e grandes hidrelétricas, foi uma confirmação da severidade da seca sobre as principais regiões produtoras de arábica no Brasil e assustou ainda mais os operadores de mercado no Brasil e em NY. Nessa região a situação é classificada como “severa” e a previsão é de pouco volume de chuvas para o período.

Segundo o alerta de emergência hídrica emitido pelo Ministério das Minas e Energia é a pior seca dos últimos 111 anos em Minas Gerais e nos demais quatro estados. Só Minas Gerais responde por aproximadamente 70% da produção de arábica do Brasil. São Paulo é o segundo maior produtor brasileiro de café arábica. Nossa produção de arábica está concentrada nesses cinco estados.

Até dia 17, os embarques de maio estavam em 309.359 sacas de café arábica, 93.376 sacas de café conillon, mais 5.160 sacas de café solúvel, totalizando 407.895 sacas embarcadas, contra 742.017 sacas no mesmo dia de abril. Até o mesmo dia 17 os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em maio totalizavam 1.621.519 sacas, contra 1.733.809 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 21, sexta-feira, até o fechamento de hoje, dia 28, subiu nos contratos para entrega em julho próximo 1225 pontos ou US$ 16,20 (R$ 84,45) por saca. Em reais, as cotações para entrega em julho próximo na ICE fecharam no dia 21 a R$ 1062,85 por saca, e hoje dia 28 a R$ 1119,31. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em julho a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 700 pontos.

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