AgroindústriasNOTÍCIASPolítica Agrícola

Governo de SP lança Rotas da Cachaça para fomentar turismo, agronegócio e desenvolvimento regional

Iniciativa intersecretarial reúne oito rotas distribuídas por 65 municípios em diversas regiões do estado. além de oito destinos de experiências e oito destinos de negócios

O Governo de São Paulo lançou, nesta quinta-feira (11), na sede da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, as Rotas da Cachaça de São Paulo, ação inédita que destaca o potencial turístico da produção desta bebida que representa a história e a identidade cultural do Brasil.

As Rotas da Cachaça vão ampliar mercados, estimular novos investimentos e expandir a presença da cachaça paulista dentro e fora do país, garantindo um produto seguro e de qualidade. A proposta integra produtores, indústrias, comerciantes e consumidores, movimentando toda a cadeia econômica com novos negócios, empregos e fortalecimento do setor.

Serão 8 rotas e 2 destinos espalhados por 65 municípios, que indicam alambiques familiares e propriedades rurais, além de locais especializados, museus, pousadas temáticas e espaços culturais dedicados à cachaça. Os novos destinos se juntam às consolidadas Rotas do Café, Rotas do Vinho e Rotas do Queijo

Guilherme Piaí, secretário de Agricultura do Estado de São Paulo.

“As Rotas da Cachaça de São Paulo representam muito mais do que um roteiro turístico: elas são um marco para a valorização da cadeia produtiva da cachaça. Ao integrar tradição, ciência e sustentabilidade, o projeto fortalece pequenos e grandes produtores, impulsiona a formalização e abre portas para novos mercados, inclusive internacionais. É uma iniciativa que transforma a cachaça em símbolo de identidade cultural e motor de desenvolvimento econômico, consolidando São Paulo como referência nacional e global na produção de destilados de excelência”, comenta o secretário de Agricultura e Abastecimento de SP, Guilherme Piai.

“Esta é a bebida que mais simboliza a cultura brasileira e o mercado internacional também já abraça essa tradição. Os alambiques paulistas têm legado e qualidade e posicionaram o estado de São Paulo como o principal exportador do destilado. Com as Rotas da Cachaça, o Governo quer desenvolver e incentivar ainda mais essas potencialidades, apresentando aos turistas história e gastronomia e impulsionando economias locais”, afirmou o vice-governador, Felicio Ramuth.

Avanços regulatórios e linha de crédito

A edição deste ano também marca uma virada regulatória no setor. Durante o evento, o vice-governador do Estado, Felicio Ramuth, assinou o decreto que regulamenta a Lei 18.154 de 2025, estruturando o Sistema Estadual de Inspeção Vegetal, que moderniza e fortalece as normas de rastreabilidade, auditoria e segurança de produtos de origem vegetal. Com esse avanço, a bebida passa a contar com a fiscalização das equipes de defesa agropecuária do estado de São Paulo, garantindo padrões técnicos mais rigorosos, qualidade química, conformidade sanitária e segurança para produtores e consumidores.

O vice-governador Felício Ramuth e Roberto de Lucena, secretário de Turismo e Viagens

“As Rotas da Cachaça de São Paulo representam muito mais do que um roteiro turístico: elas são um marco para a valorização da cadeia produtiva da cachaça. Ao integrar tradição, ciência e sustentabilidade, o projeto fortalece pequenos e grandes produtores, impulsiona a formalização e abre portas para novos mercados, inclusive internacionais. É uma iniciativa que transforma a cachaça em símbolo de identidade cultural e motor de desenvolvimento econômico, consolidando São Paulo como referência nacional e global na produção de destilados de excelência”, comenta o secretário de Agricultura e Abastecimento de SP, Guilherme Piai.

Já a linha de crédito Alambique Legal é vinculada à linha Artesanal + Legal, lançada em dezembro de 2025, que totaliza R$ 3 milhões para o segmento de produtos artesanais. O objetivo é custear processos de registro, certificação e adequação produtiva, garantindo que os produtores atendam plenamente às exigências legais.

A criação da linha responde a uma demanda identificada na implantação da Rota da Cachaça: parte dos produtores inscritos não puderam participar por falta de regularização. Com o Alambique Legal, esses produtores passam a ter acesso aos recursos necessários para concluir sua legalização, ampliando inclusão produtiva, fortalecendo cadeias locais e assegurando condições para comercialização formal, integração às Rotas e participação em outras políticas públicas de valorização da produção de cachaça em São Paulo.

IMPACTOS ECONÔMICOS

São Paulo cresceu quase 36% nas exportações de cachaça, ritmo superior ao observado na maioria das economias regionais brasileiras. A diversificação de destinos e a expansão em mercados premium indicam evolução da imagem e qualidade da cachaça paulista no exterior, fortalecendo o branding do produto.

Entre os impactos esperados, destacam-se:

  • Organização e qualificação da oferta turística e produtiva;
  • Aumento da visitação a alambiques;
  • Valorização da cachaça como produto cultural e premium, reforçando reputação e posicionamento das marcas paulistas;
  • Estímulo à formalização, novos empreendimentos e investimentos na cadeia produtiva (hospedagem, gastronomia, artesanato, logística, eventos e serviços);
  • Ampliação da exposição nacional e internacional, fortalecendo a cachaça como destino turístico e ativo identitário do estado.

“Nosso objetivo é utilizar a vocação de São Paulo neste segmento para potencializar o desenvolvimento regional, ou seja: quanto mais turistas movimentando a economia nos municípios produtores, maior a produção de insumos e o aquecimento da rede de serviços, como hotéis e restaurantes, consequentemente impactando na geração de renda e emprego”, afirma Jorge Lima, secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de SP.

Para micro, pequenas e médias empresas, startups e produtores rurais interessados em ingressar no mercado internacional, a InvestSP, instituição vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, oferece o programa ExportaSP, uma capacitação gratuita e 100% online que fornece, de forma prática e acessível, todo o suporte necessário para o planejamento de exportação, sem sair de casa. Até o primeiro semestre de 2025, foram capacitadas cerca de 1,3 mil empresas de todas as regiões do estado de São Paulo.  

“Essa iniciativa valoriza o território paulista, fortalece as comunidades produtoras e amplia a visibilidade das nossas marcas. As Rotas da Cachaça estimulam novos investimentos e impulsionam a inserção internacional da cachaça paulista, gerando impacto direto na economia regional”, destaca Rui Gomes, presidente da InvestSP.

TRADIÇÃO

A cachaça é um dos destilados mais emblemáticos do país, com quase 500 anos de história. São Paulo é um dos principais polos de produção, pesquisa e consumo, liderando as exportações brasileiras, com 6,6 milhões de litros, equivalentes a 46% do total nacional. Além disso, o estado é responsável por 30,7% dos empregos ativos na fabricação de aguardente de cana-de-açúcar em 2024, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, e representa 52,5% dos códigos de Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) por fabricação de aguardente de cana-de-açúcar (dados de 2023- RFB) registrados no país.

As rotas Serras Paulistas, Mogiana, Noroeste, Cuesta, Itaqueri e Tietê, Centro Paulista, Frutas e Bandeirantes, Circuito das Águas e Alta Paulista concentram 65 produtores do destilado. O projeto inclui, ainda, sete destinos de experiências e oito destinos de negócios.

Confira a lista completa no site www.rotasdacachaca.sp.gov.br/rotas-cachaca.

Rota Mogiana

Famosa por suas paisagens cafeeiras, a Mogiana também é um polo emergente de cachaças. Aqui, o domínio agrícola e a tradição das famílias produtoras resultam em rótulos equilibrados, com técnicas apuradas e uso criativo de madeiras. A proximidade com circuitos gastronômicos e vinícolas faz da rota um convite à harmonização e ao turismo integrado.

OBS: Clique e Confira aqui matéria exclusiva sobre a CACHAÇA BARRA GRANDE, do amigo Engº Agrº Maurílio Cristófani

Rota Alta Paulista

A Rota Alta Paulista valoriza a tradição da cachaça no interior de São Paulo, onde a agricultura forte e o saber moldam produções autênticas. Em alambiques familiares e propriedades rurais, a cana vira cultura, história e orgulho regional. A rota reúne produtores dedicados à qualidade, sabores premiados e experiências que conectam o visitante ao cotidiano do campo. Um percurso que revela um São Paulo simples, verdadeiro e profundamente ligado à terra.

Rota Bandeirantes

Em uma região historicamente ligada aos caminhos bandeirantes e às antigas vias de tropeiros, esta rota celebra a força agrícola paulista. Os engenhos convivem com pomares, pequenos sítios e tradições rurais que atravessam gerações. A cachaça aqui reflete essa diversidade: variações envelhecidas, infusionadas, descansadas e produzidas com rigor . Um território onde sabores, história e memória se encontram.

Circuito das Águas e Nascentes

Entre vales e estâncias hidrominerais, a Rota do Circuito das Águas e Nascentes reúne pequenos produtores que preservam a tradição do alambique de cobre e a pureza da matéria-prima. Em uma região marcada por nascentes cristalinas, clima favorável e paisagens turísticas consagradas, a cachaça ganha notas leves, bem definidas e grande identidade territorial. É um roteiro que une bem-estar, gastronomia, turismo rural e a autenticidade do interior paulista.

Destinos de Cachaça

Além das rotas, São Paulo abriga locais especializados, museus, pousadas temáticas e espaços culturais dedicados à cachaça. São lugares que contam histórias, preservam acervos raros, oferecem cursos, degustações e harmonizações, e ampliam a presença do destilado na gastronomia e no turismo. Destinos que celebram a cultura da cachaça e oferecem experiências únicas ao visitante.

Destinos de Negócios

São Paulo também lidera o setor em pesquisa, inovação, tecnologia e produção industrial. Engenhos que não abrem para visitação, centros científicos, usinas, laboratórios e marcas em expansão compõem uma rede sólida que impulsiona a qualidade e o desenvolvimento da cadeia produtiva. Esses destinos mostram a dimensão econômica da cachaça paulista e seu papel estratégico no Estado.

Rota Itaqueri, Cuesta e Tietê

No encontro entre serras, planaltos basálticos e o rio Tietê, surgem cachaças de personalidade marcante. A região abriga produtores que valorizam técnicas tradicionais, cultivo sustentável e experimentações com madeiras brasileiras. A Cuesta — com suas formações naturais — e o polo turístico de Brotas complementam um roteiro de aventura, natureza e experiências de destilação.

Rotas das Serras

Nas regiões serranas de São Paulo, o terroir se revela no clima ameno, na altitude e nas paisagens de refúgio. A cachaça ganha elegância, equilíbrio e aromas complexos, com destaque para envelhecimentos variados e processos bem cuidados. Um roteiro que une turismo rural, gastronomia afetiva e produtores que mantêm viva a tradição do alambique familiar.

REFERÊNCIAS

Assim como as Rotas do Vinho, as Rotas do Café e as Rotas do Queijo, lançadas pelo Governo de São Paulo desde o ano passado, as Rotas da Cachaça de São Paulo reservam experiências que combinam e valorizam o turismo rural, a natureza, a história, proporcionam degustações e formação técnica.

Os alambiques paulistas têm entre seus destaques produtores tradicionais como Engenho São Luiz (1906), Mandaguahy (1858), Fazenda Benedetti (1929), JP (1925) e Zanoni, além de destilarias referências como Sapucaia (1933), Santa Capela, Villaggio De Simoni, Brisa da Serra e a Companhia Müller de Bebidas, fabricante de uma das marcas brasileiras mais conhecidas no mundo.

INOVAÇÃO

As rotas incluem ainda institutos de pesquisa e inovação, vinculados à Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (Apta), como o Grupo de Estudos da Cadeia da Cachaça (GECCA), coordenado pela Apta Regional de Piracicaba e de Bauru e o Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta), responsáveis pela metodologia do Concurso Estadual de Qualidade da Cachaça Paulista, vinculados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

O circuito apresenta experiências de visitas e degustações guiadas, trilhas ecológicas, almoços harmonizados e hospedagens rurais. No segmento de formação, o projeto prevê a realização de workshops e cursos com a temática voltada para o turismo histórico e vivências imersivas com famílias produtoras. Em regiões como o Vale do Ribeira e o Circuito das Águas, o roteiro se integra à natureza, com propriedades que unem sustentabilidade, conservação ambiental e gastronomia.

“São Paulo está valorizando sua cadeia produtiva desde o lançamento das Rotas do Vinho. Seguimos e anunciamos as Rotas do Café, Rotas do Queijo e agora as Rotas da Cachaça, que coroam este trabalho de valorização do nosso turismo rural”, afirmou o secretário de Turismo e Viagens, Roberto de Lucena.

ORGANIZAÇÃO SETORIAL

Nesse contexto de profissionalização, Laura Vicentini, produtora da primeira cachaça brasileira certificada em sustentabilidade e presidente da Câmara Setorial da Cachaça do Estado de São Paulo, destaca o crescimento do setor. Atualmente, São Paulo responde por cerca de 45% da produção nacional de cachaça, somando destilação em coluna, de processo industrial, e alambique, produzida nos moldes mais tradicionais. Desde que assumiu a presidência, em 2024, o número de produtores integrados à Câmara passou de 58 para 70, com crescimento médio anual de 20%.

Laura teve papel decisivo na concepção do Concurso Estadual de Qualidade da Cachaça Paulista, promovido pela SAA. Ela destaca que a principal demanda dos produtores sempre foi a inclusão obrigatória da análise química, etapa que por décadas parecia distante da realidade dos pequenos alambiques. O concurso paulista foi o primeiro do país a oficializar esse procedimento, integrando avaliação técnica, científica e sensorial. A iniciativa teve impacto imediato em nível nacional e passou a inspirar outros concursos a adotarem a análise química como critério obrigatório.

Laura Vicentini, Câmara Setorial da Cachaça do Estado de São Paulo.

Para a presidente da Câmara, o momento é histórico: “A criação das Rotas da Cachaça e a consolidação do Concurso estruturaram e beneficiam o setor, elevaram o padrão técnico e abriram novas oportunidades para os produtores”, afirma Vicentini.

Ao integrar a premiação do concurso com o lançamento das Rotas da Cachaça de São Paulo, o Governo do Estado apresenta uma bebida que é patrimônio histórico, produto gastronômico e destino turístico do interior paulista.

Related posts

Cadeia da carne bovina exige profissionais mais curiosos e orientados a dados. Você tem esse perfil?

Mario

BB Seguros lança Seguro Faturamento para Milho Safrinha

Mario

Parecer da EMBRAPA subsidia autorização do plantio do algodão GM em Rondônia

Mario

Deixe um Comentário

Este site utiliza cookies para melhorar sua experiência. Presumiremos que você concorda com isso, mas você pode cancelar se desejar. Aceitar Leia Mais