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Revista Attalea Agronegócios
Café

Geada atinge regiões cafeeiras do Paraná, São Paulo e Minas Gerais.

CARLOS ARANTES CORRÊA
Engº Agrônomo e Diretor da Revista Attalea Agronegócios
carlos@revistadeagronegocios.com.br

Ainda é muito cedo para quaisquer análises econômicas. Cooperativas vão a campo colher dados reais. Análise preliminar mostra que a Região do Cerrado foi a que recebeu intensidade maior da massa polar.

A massa de ar polar que chegou as regiões do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, no final de semana de 05 a 07 de julho, último, fez com que geadas atingissem áreas cafeeiras dos Estados do Paraná, São Paulo e Minas Gerais.

Todas as regiões cafeeiras foram afetadas, segundo informações preliminares das principais cooperativas de cafeicultores. Porém, segundo alguns consultores consultados pela Revista Attalea Agronegócios, ainda é muito cedo para contabilizar o montante do prejuízo e se vai haver reflexos significativos na produção da próxima safra.

Durante a Mesa Redonda Brasil & Colômbia, evento promovido pela Syngenta na Fazenda Santa Terezinha, em Pedregulho (SP), região da Alta Mogiana, e que reuniu cafeicultores da Federação Colombiana e cafeicultores da Alta Mogiana, a geada foi amplamente discutida entre os participantes.

O diretor da Cafezal Assessoria em Mercado de Café, Engº Agrº Anselmo Magno de Paula, avaliou de forma preliminar as informações obtidas in loco na Região da Alta Mogiana, bem como as imagens e vídeos que estavam circulando nas Redes Sociais de grupos de cafeicultores. “Considero que a geada foi mais intensa em locais pontuais, tanto na Alta Mogiana quanto no Sul e Sudoeste Mineiro. Principalmente em regiões de baixada ou exposição norte. Mas, no Cerrado Mineiro, a avaliação que tenho até o momento é que a geada foi bem mais severa, atingindo grandes extensões de cafezais”, disse Anselmo.

Para o Engº Agrº Éder de Carvalho Sandy, diretor da ECS Consultoria Agronômica, consultor na Região da Alta Mogiana e cafeicultor em Muzambinho (MG), ainda é muito cedo para uma determinação precisa dos prejuízos. “É uma avaliação preliminar ainda. Mas, tanto no Sul de Minas, quanto na Alta Mogiana, observamos que houve incidência maior da geada em regiões de baixadas, menos de 10% da área. Mas não deixa de ser muito ruim”, avalia Eder Sandy.

Esta mesma avaliação foi constatada pelo Engº Agrº Régis Ricco, diretor da RR Consultoria, empresa com consultorias especializadas no Sul de Minas, Espírito Santo, Bahia, Média e Alta Mogiana. “Foi uma geada bem mais abrangente que a de 2016, mas pontual nos problemas. Pegou mais áreas de baixada. Em alguns locais, a geada não respeitou só baixada, mas foram poucas. Tem produtor que não pegou nada. Em outras propriedades, grandes áreas de café foram atingidas, mas que quando avalia a área total da fazenda, representa menos que 5%. Temos sim clientes que tiveram mais de 20% de sua área atingida pela geada. Mas, de maneira geral, mapeando, enxergamos que foi um repeteco da geada de 2016. Isto é, áreas que já tinham sido plantadas sob condições de risco. Além de lavouras de 2 anos, que estão em 1ª safra e que foram plantadas após a geada de 2016, reflexo também do café a R$ 500,00, o que induziu muita gente a aumentar área, sendo que aqueles que não tinham mais área, entraram em áreas de risco. Em lavouras velhas, ainda de forma superficial, podemos afirmar que o dano foi menor, com 7-8% no Sul de Minas e 5% na Alta Mogiana. Já no Cerrado Mineiro, tem uma região que merece destaque: Ibiá (MG), Campos Altos (MG), Serra do Salitre (MG) e Tapira (MG), a geada pegou bem. Mas avaliamos que não foi representativo não. Particularmente, eu considero que a quebra de safra deste ano será bem mais representativo do que a geada, mas que também não é tão representativo (entre 5-10%). Isto vai ser mais danoso para o mercado do que a geada.

Vários cafeicultores contactados pela nossa equipe afirmaram que as áreas atingidas pela geada de 06 e 07 de julho deste ano, são praticamente as mesmas que foram atingidas há cerca de três anos atrás.

Nas Redes Sociais, o Engº Agrº Alessandro Guieiro, diretor da AG Consultoria Agronômica – Speciality Coffee e consultor na Região do Cerrado Mineiro, foi UM DIA RUIM. “Infelizmente, durante todo dia (segunda-feira, dia 09/07), ao visitar várias propriedades, pude constatar em loco o tamanho do problema promovido pela geada dos dias 6/7/19 e 7/7/19. Datas estas que, com toda certeza, irão ficar para sempre na memória de inúmeros produtores. Ainda é muito cedo e prematuro dizer volume de área e intensidade da geada e tão pouco “chutar” de forma amadora um número de queda de produtividade para safra 2019/2020 e também 2020/2021. Pois na cultura do café, dependendo da intensidade de perda de área foliar, pode acarretar em uma recepa. E, dependendo da lavoura, até mesmo o arranquio e substituição das plantas. O correto é aguardar e, na próxima semana, fazer um avaliação minuciosa e detalhada. Pudemos constatar pelo menos 3 níveis de intensidade de geada. Cada nível terá que ser tratado de uma forma, não podendo seguir uma regra e, sim, buscar o máximo de eficiência agronômica a fim de amenizar os prejuízos, uma vez que o mesmo já está instalado e é irreversível a curto prazo”, escreveu Alessandro Guieiro em seu perfil no Facebook.

Confira algumas imagens obtidas nas Redes Sociais (Facebook, WhatsApp e Instagram).

1 – REGIÃO DO CERRADO MINEIRO

Geada em cafezal do Cerrado Mineiro. (Créditos: Alessandro Guieiro)
Geada em cafezal do Cerrado Mineiro. (Créditos: Alessandro Guieiro)
Geada em cafezal em Indianópolis (MG) (Créditos: Edvandro Soligo)
Geada em cafezal em Indianópolis (MG) (Créditos: Edvandro Soligo)
Geada em cafezais em Indianópolis (MG) (Créditos: Thiago Santos)
Geada em cafezais em Indianópolis (MG) (Créditos: Thiago Santos)
Geada em cafezais em Indianópolis (MG) (Créditos: Thiago Santos)
Geada em cafezais em Indianópolis (MG) (Créditos: Thiago Santos)

 

2 – REGIÃO DA ALTA MOGIANA e SUDOESTE MINEIRO

Geada em Franca (SP), região da Alta Mogiana (Créditos: Toninho David)
Geada em Franca (SP), região da Alta Mogiana (Créditos: Toninho David)
Geada nas regiões da Alta Mogiana e Sudoeste Mineiro, municípios de Jeriquara (SP), Ribeirão Corrente (SP), Pedregulho (SP), Claraval (MG), Ibiraci (MG), São Sebastião do Paraiso (MG), São Tomás de Aquino (MG), Itirapuã (SP) e Franca (SP). (Créditos: José Marcos Pimenta)
Geada nas regiões da Alta Mogiana e Sudoeste Mineiro, municípios de Jeriquara (SP), Ribeirão Corrente (SP), Pedregulho (SP), Claraval (MG), Ibiraci (MG), São Sebastião do Paraiso (MG), São Tomás de Aquino (MG), Itirapuã (SP) e Franca (SP). (Créditos: José Marcos Pimenta)
Geada nas regiões da Alta Mogiana e Sudoeste Mineiro, municípios de Jeriquara (SP), Ribeirão Corrente (SP), Pedregulho (SP), Claraval (MG), Ibiraci (MG), São Sebastião do Paraiso (MG), São Tomás de Aquino (MG), Itirapuã (SP) e Franca (SP). (Créditos: José Marcos Pimenta)
Geada nas regiões da Alta Mogiana e Sudoeste Mineiro, municípios de Jeriquara (SP), Ribeirão Corrente (SP), Pedregulho (SP), Claraval (MG), Ibiraci (MG), São Sebastião do Paraiso (MG), São Tomás de Aquino (MG), Itirapuã (SP) e Franca (SP). (Créditos: José Marcos Pimenta)
Geada nas regiões da Alta Mogiana e Sudoeste Mineiro, municípios de Jeriquara (SP), Ribeirão Corrente (SP), Pedregulho (SP), Claraval (MG), Ibiraci (MG), São Sebastião do Paraiso (MG), São Tomás de Aquino (MG), Itirapuã (SP) e Franca (SP). (Créditos: José Marcos Pimenta)
Geada nas regiões da Alta Mogiana e Sudoeste Mineiro, municípios de Jeriquara (SP), Ribeirão Corrente (SP), Pedregulho (SP), Claraval (MG), Ibiraci (MG), São Sebastião do Paraiso (MG), São Tomás de Aquino (MG), Itirapuã (SP) e Franca (SP). (Créditos: José Marcos Pimenta)
Geada nas regiões da Alta Mogiana e Sudoeste Mineiro, municípios de Jeriquara (SP), Ribeirão Corrente (SP), Pedregulho (SP), Claraval (MG), Ibiraci (MG), São Sebastião do Paraiso (MG), São Tomás de Aquino (MG), Itirapuã (SP) e Franca (SP). (Créditos: José Marcos Pimenta)
Geada em cafezal em São Sebastião do Paraíso (MG) (Créditos: José Marcos Pimenta‎)
Geada em cafezal em São Sebastião do Paraíso (MG) (Créditos: José Marcos Pimenta‎)

 

3 – REGIÃO DA MÉDIA MOGIANA

Geada em Caconde (SP). (Créditos: João Paulo Colodino)

 

4 – REGIÃO DO SUL DE MINAS

Geada em cafezais em Alfenas (MG).
Geada em cafezais em Alfenas (MG).
Geada na Fazenda Tupã, em Conceição da Aparecida (MG) (Créditos: Thaina Freire)
Geada na Fazenda Tupã, em Conceição da Aparecida (MG) (Créditos: Thaina Freire)
Geada em Coqueiral (MG). (Créditos: Luciano Ribeiro de Souza)
Geada em Coqueiral (MG). (Créditos: Luciano Ribeiro de Souza)
Geada em Guaranésia (MG) (Créditos: Rodrigo Utteau Reis)
Geada em Guaranésia (MG) (Créditos: Rodrigo Utteau Reis)
Geada em cafezal em Inconfidentes (MG), a 1.200 metros de altitude. (Créditos: Orismar Francisco de Mira)
Geada em cafezal em Jacuí (MG). (Créditos: Jacinto Chiareli Jr.)
Geada em cafezal em Jacuí (MG). (Créditos: Jacinto Chiareli Jr.)
Geada em Monte Sião (MG), em propriedade a 1.000m de altitude. (Créditos: José Márcio)
Geada em Monte Sião (MG), em propriedade a 1.000m de altitude. (Créditos: José Márcio)
Geada em cafezal em Muzambinho (MG) (Créditos: Éder Sandy)
Geada em cafezal em Muzambinho (MG) (Créditos: Éder Sandy)
Geada em região de montanha de Nova Resende (MG). (Créditos: Pedro Henrique Viana)
Geada em região de montanha de Nova Resende (MG). (Créditos: Pedro Henrique Viana)
Geada em Poço Fundo (MG), lavoura a 1.100 metros de altitude (Créditos: Elias Ferreira Alves)
Método de ensacamento de mudas de café, em Nepomuceno (MG). (Créditos: Renato César)
Método de ensacamento de mudas de café, em Nepomuceno (MG). (Créditos: Renato César)
Método de ensacamento de mudas de café, em Nepomuceno (MG). (Créditos: Renato César)
Nepomuceno (MG): Muda salva pelo saco de papel. (Créditos: Renato César)
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