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Revista Attalea Agronegócios
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Engorda a Curral: ciclo completo, de terminação e complementação do sistema pastoril

Nos últimos anos o modelo econômico obrigou as empresas pecuárias a aumentar sua eficiência na produção para poder alcançar uma rentabilidade que permita a estas empresas continuar sua atividade. Entre as alternativas de intensificação na produção de carne surgiu a produção baseada no “feedlot (confinamento) ou engorda a curral (semi-confinamento)”.

Estes sistemas foram montados no melhor estilo americano, com grande uso de concentrados. Hoje a relação de preços entre grão e carne não está em seu melhor momento já que os grãos em geral aumentaram bem mais que o valor da carne.

Diante desta realidade referente aos altos custos de alimentação nos Feedlots e com abundante informação e experiência existentes em outros países como nos Estados Unidos e alguns países da Europa, a EEA Balcarce INTA dentro de seu projeto de intensificação da invernada, desenvolveu uma série de trabalhos de “engorda a curral” utilizando como base da dieta a “silagem de milho de planta inteira”.

Este sistema permite aos pequenos e médios produtores, introduzir-se na alimentação a curral. Este objetivo é fundamental já que não se deveria ver o feedlot como um sistema antagônico ao pastoril e sim complementar ao mesmo e vice-versa.

A alimentação a curral permitiria simplificar o manejo de invernada em pastejo, nos momentos de baixa produção forrageira (inverno), para a manutenção de altas cargas na primavera ou obter uma melhor e mais homogênea terminação dos animais atrasados da invernada tradicional.

Outro aspecto importante no desenvolvimento da tecnologia da alimentação “a curral” é a quem está focada. Em nosso caso a mesma está dirigida aos pequenos e médios produtores.

A maioria das pessoas acredita que nos Estados Unidos os feedlots são todos de grande tamanho, 60% dos animais terminados em Feedlots provem de estabelecimentos que engordam menos de 1000 animais por ano.

Logicamente também existem confinamentos de 80 a 100.000 cabeças, onde o manejo sofisticado da dieta, comedouros, distribuição, etc. é extremamente importante. Entretanto nos feedlots pequenos o mais importante é reduzir ao mínimo os custos de infra-estrutura, optando por uma dieta econômica fácil de manejar e com boa resposta produtiva.

Nesta apresentação se exporá informação relacionada com a alimentação “a curral” com dieta em base a silagem de milho, suplementada com diferentes níveis de proteína e energia e seu efeito sobre o ganho diário de peso vivo, conversão alimentar, cobertura graxo, custo da alimentação e composição química da carne.

VANTAGENS NO USO DO MILHO
As principais vantagens que apresenta o uso de silagem de milho são:

1 – Alto nível de produção por hectare – A medida de que otimiza o uso da tecnologia disponível, consegue-se obter rendimentos de 40 a 60 toneladas de Matéria Verde (MV) por hectare
2 – Baixo custo por tonelada de matéria seca – Já que na medida em que se aumenta a produção por hectare reduze-se substancialmente seu custo.
3 – Adequada concentração de energia – Se a silagem é realizada no momento ideal, o material produzido terá uma adequada concentração de energia, produzida pelo amido dos grãos. Entretanto a silagem é um alimento muito deficiente em proteína (6 a 9% de Proteína Bruta) o que implica na necessidade de suplementação com uma fonte proteica que cubra os requerimentos necessários a dieta animal.

VANTAGENS DA “ENGORDA A CURRAL”

1- Permite liberar superfície para outras atividades:

  • A utilização da silagem de milho permite acumular grande quantidade de matéria seca de boa qualidade, otimizando carga e ganho de peso em pastejo, gerando uma alta produção de carne por hectare quando usada na alimentação “a curral”.
  • Dados da EEA Balcarce mostram produções de carne acima de 2.400 kg. por hectare de milho ensilado, com a dieta básica suplementada de forma adequada.
  • Este tipo de conversão permite integrar uma muito boa agricultura, cuja maior produção resulta em menor custo da MS produzida por hectare, com uma produção de carne eficiente.
  • Logicamente quanto maior o animal esta eficiência de conversão diminui, já que a diferença entre kg./alimento por kg./animal aumenta.
  • Este sistema de alimentação aumenta o valor agregado da silagem de milho ao transforma-lo em carne, do que se obteria pela simples venda dos grãos produzidos.

2- Aumenta o ritmo de engorda:

  • Permite a terminação dos animais em um curto espaço de tempo, em “frame” pequeno e ciclo completo, isto é quando os animais entram pós desmame e vão sendo terminados com mais de 6 mm de graxa dorsal, obtendo-se a terminação em aproximadamente 180 dias.
  • Nossa experiência indica que com uma dieta a base de silagem de milho, com um índice de colheita de 30 a 33% (grãos + resto da planta) e 15% de proteína na dieta (farinha de girassol), se obtém um ganho diário de poso vivo (GDPV) acima de 1 kg. registrando índice de conversão de aproximadamente 6,5 kg de dieta por kg de PVG.
  • O custo da dieta por kg ganho flutua entre $ 0,35 a 0,50 em função da dieta preparada e tipo de animal. Este nível de engorda produz um animal terminado com menor peso total.
  • Para um AA (Aberdeen Angus) de “frame” pequeno o peso de terminação de engorda “a curral” é de aproximadamente 330 a 340 kg. enquanto que o mesmo animal engordado num sistema pastoril eficiente (0,700 kg/dia) se termina com 360 a 370 kg.
  • Quando se complementa um sistema pastoril com terminação “a curral” se obtém excelentes resultados já que os animais alcançam altas taxas de GDPV, não somente pela dieta consumida, mas pelo aumento compensatório que se obtém em períodos curtos de terminação, com animais provenientes de pastejo e ganhos mais reduzidos.
  • Alguns exemplos do mencionado: Entrando com animais AA pretos de 313 kg. e vermelhos de 460 foram obtidos GDPV e conversões de 1,30 e 1,60 kg/dia e 6,2 a 7,0 kg/kg respectivamente para negros e colorados. Os pesos finais foram 370 e 530 kg. Comparando estes pesos de terminação com o sistema de feedlot de ciclo completo, os AA negros de ciclo completo terminaram com 40 kg. a menos e os colorados com menos 70 kg.
  • Com o tipo de dieta composta a base de silagem de milho os animais são dispensados da necessidade do período de adaptação, o que permite um período de engorda rápido e eficiente.
  • No exemplo citado os animais foram retirados com 45 dias, com um custo de alimentação por kg. ganho de $ 0,31 a 0,35 para os negros e colorados respectivamente.

3 – Permite a terminação de animais aproveitando os diferenciais sazonais de preço:

  • Este sistema de produção permite terminar animais aproveitando variações sazonais de preço, já que se podem engordar os animais de forma independente da produção forrageira.
  • O comentado no ponto No. 2 é um claro exemplo do que se pode obter em períodos curtos de tempo. Se a alimentação “a curral” fosse realizada em base a uma dieta de grãos, os tempos de terminação se prolongam, pois é necessário um período de adaptação a esse tipo de dieta de pelos menos 18 a 20 dias, quando a composição da mesma é de 70 a 80% de concentrado.
  • Esta dieta produz uma taxa de engraxamento maior, pelo balance hormonal que gera (altos níveis de insulina), mas não necessariamente produzem taxas de GDPV muito superiores as mencionadas para uma dieta a base de silagem de milho.

4 – Na alimentação “a curral” é relativamente fácil administrar o consumo total de energia:

  • No sistema “a curral” é relativamente fácil controlar o consumo energético total dos animais. Isto permite regular o ganho de peso vivo diário e um outro fator sumamente importante no custo de produção de um feedlot, que é a taxa de conversão alimentar.
  • Ao limitar o consumo obtem-se bons ganhos de peso, de uma composição de ganhos mais magra (menos graxa). Isto permite uma conversão mais eficiente, isto é menos alimento por kg. ganho.
  • Aplicando este conhecimento em Balcarce foi gerado um sistema pastoril de alta carga animal com 10 animais por hectare, complementado com o sistema de alimentação “a curral”. Esta integração nos permite diminuir a carga no período Outono-Inverno, derivando parte dos animais ao feedlot.
  • Logo na primavera quando a produção forrageira aumenta se invertem as posições, derivando animais do feedlot para a pastagem, aproveitando não só a quantidade disponível como a excelente qualidade das pastagens da primavera.
  • Este manejo permite consumir toda a forragem produzida em 90 dias, o que equivale a 60% da produção total de pastagem, liberando assim o sistema da necessidade de prover reservas forrageiras que, alem de cara significa uma importante perda de qualidade.

CONCLUSÕES

• Não existe ou pelo menos não deveria existir confrontos entre os sistemas de produção pastoril X feedlot, os dois se complementam e esta complementação será maior ou menor em função da resposta econômica de sua integração. Não há dúvida de que a forragem é o alimento mais barato que dispomos, o que devemos fazer é utiliza-la e complementar os sistemas.
• O custo da dieta está em função de seus componentes, sendo a silagem de milho pelo maior volume o elemento principal. É evidente que quanto maior a produção de milho silagem por hectare, tanto menor será o custo por kg. da dieta ofertada.
• Cabe esclarecer que a engorda “a curral” parece ser uma das vias mais adequadas para essa melhora, já que potencializa o sistema pastoril através da melhora na terminação e homogeneidade da produção.
• Com os trabalhos realizados surge claramente a viabilidade de se obter altos índices de ganho diário de peso vivo, superiores a um kg, junto a uma excelente terminação, utilizando silagem de milho como dieta básica, suplementada com proteína já que a mesma é deficiente nesse nutriente.
O uso de uréia como único suplemento nitrogenado não permitiria a obtenção de boa resposta produtiva, enquanto que sua combinação com uma fonte de proteína verdadeira poderá resultar em uma alternativa interessante.
Quando se objetiva a engorda em um curto período de tempo é justificado o uso de grãos (milho) na dieta em vista de que favorece a deposição de graxa.
• Os custos apresentados neste trabalho incluem exclusivamente os valores referentes a alimentação, devendo incorporar-se custos diretos restantes (sanidade, pessoal, etc) e os indiretos (estrutura), sendo os primeiro muito variáveis em função do número de animais confinados e o número de ciclos realizados por ano.

 

FONTE: Dr. Francisco SANTINI – INTA Balcarce (2004)
Tradução: Julio C. Gómez/Sinuelo

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