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Diagnóstico revela futuro da cafeicultura em Brasília e destaca cafés especiais do DF

1º Workshop de Cafeicultura expôs os desafios, oportunidades e caminhos para consolidar o café brasiliense no cenário nacional

O 1º Workshop de Cafeicultura, realizado na última sexta-feira (05) em Brasília (DF), reuniu produtores, técnicos, pesquisadores, e representantes do setor, dentre os quais a Assessoria Técnica do Conselho Nacional do Café (CNC).

O evento, promovido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) no Distrito Federal, em parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária do Distrito Federal (Fape) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), junto com a Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri/DF), realizou diversas atividades para fomentar o café no Distrito Federal.

O evento apresentou diagnóstico inédito da cadeia produtiva, inovação e sustentabilidade do setor no Distrito Federal. Além disso, expôs os desafios, oportunidades e caminhos para consolidar o café brasiliense no cenário nacional; a atuação da Embrapa Café para auxiliar os produtores da capital do Brasil; e também apresentou o “Prêmio Café do Cerrado Central – a força do produtor em cada grão”, que vai reconhecer os melhores cafés da região, além de iniciativas de capacitação e acesso a mercados. Dessa premiação, poderão participar, além do DF, produtores da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (RIDE), que são das cidades do Goiás e de Minas Gerais que fazem fronteira com o DF.

Abrindo a programação, o pesquisador Omar Cruz Rocha (Embrapa Café) destacou a importância da pesquisa, desenvolvimento e inovação para a sustentabilidade do setor. Foram apresentados resultados de projetos como o uso da braquiária como planta de cobertura, que reduz a necessidade de herbicidas e aumenta em até 20% a disponibilidade de água no solo. A Embrapa reforçou ainda a implementação do Núcleo de Estudos Avançados do Café (NEAC), em Brasília, que vai oferecer ao setor ferramentas analíticas de ponta, alternativas para novos produtos derivados do café e incentivo à cafeicultura regenerativa.

De acordo com a Embrapa Café, o Brasil conta hoje com 330 mil estabelecimentos de café, presentes em 17 estados e 1.983 municípios, gerando mais de 8,4 milhões de empregos diretos e indiretos. No DF, embora a produção ainda seja pequena em escala, o potencial de geração de renda, dinamização da economia e valorização da agricultura familiar foi amplamente reconhecido durante o workshop.

Osmar Cruz Rocha (Embrapa) destacou a implantação do Núcleo de Estudos Avançados no Café, em Brasília (DF)

Diagnóstico da cafeicultura do DF

O workshop foi marcado, ainda, pela apresentação dos resultados de pesquisa inédita da Emater-DF sobre a cafeicultura no Distrito Federal, que revelou dados sobre o perfil dos produtores, desafios da mecanização, papel das mulheres na atividade e perspectivas para o crescimento de cafés especiais na região. A engenheira agrônoma da instituição Roseli Oliveira mostrou que a maioria dos trabalhadores das lavouras de café do DF são mulheres, com curso superior e, segundo a pesquisa, a maior parte da produção das propriedades é para consumo próprio.

Outro dado relevante é que para 82% das propriedades visitadas, o café ainda não é fonte de renda; e sobre venda da produção, a maioria, 36%, usa o café para consumo próprio/não vende; 22% exporta;19% faz a venda de forma direta; 12% faz torrefação; e 11% vende através de associação.

O papel das mulheres e a integração com outras culturas

O diagnóstico reforçou o protagonismo feminino na cafeicultura do DF, tanto na gestão das propriedades quanto na produção e comercialização. Grupos como o Elo Rural têm estimulado o associativismo, a troca de experiências e a valorização da agricultura familiar. Também foi ressaltada a integração da cafeicultura com outras atividades rurais, como horticultura e fruticultura, o que diversifica a economia e aumenta a renda das famílias.

Ainda na programação, houve a apresentação do especialista em avaliação sensorial de cafés, K.J. Yeung (Q-Grader), que destacou a importância da prova de xícaras (cupping) como ferramenta de diferenciação e reforçou que Brasília também produz cafés especiais capazes de conquistar mercados exigentes. Ele explicou que o desafio desse profissional é dar visibilidade e agregar valor ao trabalho dos produtores locais.

O 1º Workshop de Cafeicultura do DF se consolidou como um marco para o setor, ao unir ciência, inovação e protagonismo dos produtores locais. O presidente do Conselho Nacional do Café, Silas Brasileiro, explica que eventos como esse fortalecem o café do Brasil, promovem mais conhecimento sobre o produto e estimulam a valorização crescente dos pequenos produtores.

“Excelente o trabalho da Embrapa Café, que é nosso parceiro em várias iniciativas. Destaco também a qualidade da pesquisa feita pela Emater e a importância dos resultados que nos trouxe. Tudo isso nos mostra que Brasília tem potencial para conquistar um espaço relevante no mercado de cafés especiais, unindo qualidade, sustentabilidade e identidade regional. Parabéns a todos os envolvidos”, disse.

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