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Pesquisa Genética: Avanço no combate à cigarrinha das pastagens

Pesquisa genética encontra no DNA do capim braquiária genes que resistem à cigarrinha das pastagens, praga que ameaça as pastagens de 90% do rebanho bovino brasileiro.

Cerca de 95% do rebanho bovino brasileiro (218 milhões de cabeças, em 2018) é criado solto no pasto. São 170 milhões de hectares cobertos por gramíneas forrageiras, em sua imensa maioria (80% a 90% dos pastos, segundo a EMBRAPA) capim braquiária (Urochloa decumbens). O capim braquiária é uma pastagem tropical de origem africana, que foi introduzida no Brasil a partir dos anos 1970 e que aqui se aclimatou com enorme sucesso.

“Tamanha é a dependência da bovinocultura brasileira do capim braquiária, que qualquer praga que ataque esta forrageira trará enormes consequências econômicas,” explica a geneticista Anete Pereira de Souza, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

“A cigarrinha das pastagens (Notozulia entreriana) é a pior praga dos pastos no Brasil. O inseto deposita seus ovos sobre as folhas do capim. Após eclodir, as larvas sugam a seiva da planta, que seca completamente e morre,” diz Souza.

O controle das pragas nas pastagens é apenas biológico ou via seleção de novas variedades resistentes às pragas. “Mas não se conhecem até o momento variedades de braquiária que sejam resistentes à cigarrinha das pastagens. É impensável o uso de agrotóxicos nos pastos, dado o risco de contaminação da carne,” explica Souza, que é especialista no melhoramento genômico de plantas.

Este quadro pode estar com os dias contados. Uma equipe de pesquisadores da Unicamp liderada por Souza conseguiu identificar regiões no genoma do capim braquiária que contêm genes de resistência à cigarrinha das pastagens. “É a primeira vez na história que se consegue encontrar genes de resistência à cigarrinha em gramíneas forrageiras,” afirma Souza.

crédito: Forest and Kim Starr (Creative Commons)

O trabalho começou há muitos anos, com a participação da EMBRAPA. Foram realizados testes de resistência com mais de 200 variedades de braquiária que, no interior de grandes estufas, foram expostas à ação das cigarrinhas para verificar a suscetibilidade de cada planta.

De acordo com Souza, foram identificadas muitas variedades totalmente suscetível à cigarrinha, que morreram, bem como aquelas poucas variedades com pouca ou com maior resistência. Nestas, apesar de o inseto ter depositados seus ovos, as larvas não chegaram a se desenvolver e as plantinhas não morreram.

Uma vez identificadas as plantas resistentes à cigarrinha, deu-se início à parte genômica do trabalho, para a identificação de quais seriam os genes responsáveis que estariam conferindo resistência à praga.

“Conseguimos identificar três regiões do genoma do capim braquiária onde há genes de resistência à cigarrinha,” explica a geneticista Rebecca Caroline Ulbricht Ferreira, a primeira autora do trabalho que saiu na revista científica Frontiers in Plant Science (https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fpls.2019.00092/full).

O trabalho abre a possibilidade da seleção, no médio prazo, de variedades de braquiária que sejam resistentes à cigarrinha das pastagens. A pesquisa foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

FONTE: Peter Moon – AGÊNCIA BRASILEIRA DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA
e-mail: petermoon@yahoo.com

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