GUSTAVO MATIAS
MCT | Matias Coffee Trading
Semana: 13 a 17/07/2026
https://cafezalsuldeminas.com.br/
Instagram: @matiascoffeetrading
Contato: (16) 9.9291-2005
Outra semana volátil no Arábica e no Robusta, o índice que mede a amplitude média diária (ATR) no diário (14 períodos) está em quase 1.900 pontos por dia no Arábica, e em 157 USD/Ton no Robusta. Isso gera riscos e oportunidades todo dia e os operadores de mesa aprenderam a lidar com isso.
Durante a semana o Arábica teve o pico de 352,40 e a mínima de 310,50 e acabou a semana em 320,30 c/lb, fechou quase -1.400 pontos em relação a semana anterior, enquanto o Robusta teve o pico de 4.033 e a mínima 3.769, e fechou a semana em 3.877 não muito longe de onde fechou semana passada.
O preço médio da saca no Arábica, fechou por volta de R$ 1.700,00 a saca, algumas regiões pagam um pouco melhor, Alta Mogiana, Cerrado e especificamente Varginha, onde a concorrência nos lotes é mais forte do que em cidades menores e com poucos compradores. Observar que produtores venderam mais nas últimas 2 semanas, não só café da safra 26, mas também safra 27 aproveitando os melhores preços proporcionados pela alta da bolsa, dólar com a curva muito favorável, trouxe preços de até R$ 2.000,00 para 2027.
O Conilon, ficou por volta de R$ 1.050,00 a saca, com algumas exceções até R$ 1.100,00. Observar que produtores venderam mais também no mercado interno, aproveitando melhores preços.
Acompanhando os diferenciais da bica corrida do Arábica pude observar que o preço do café praticamente não se mexe com o movimento da bolsa, o diferencial absorve esses movimentos bruscos.
Em c/lb, bolsa sobe 10 cents, BC cai 10 cents, e vice-versa.
O dólar também fechou a sexta-feira praticamente no mesmo valor que fechou na semana passada, R$ 5,11. Pouca volatilidade na semana.
O COT (no Arábica) mostrou os Fundos não comerciais (especulativos) desmontando mais posições vendidas, liquidaram -3.822 contratos, e também liquidaram posições compradas em -1.591 contratos.
Interessante observar esses números, o desinteresse de permanecer posicionado num mercado que está exigindo muito dinheiro dos participantes e riscos altíssimos que estão desproporcionais as mudanças dos fundamentos físicos, fazendo compradores e vendedores desmontarem posições.
Notar também que no Arábica, em pouco mais de 1 mês, o volume de contratos foi reduzido de 215.000 para 165.000 contratos aproximadamente. E no Robusta subiu um pouco, de 98.000 para 106.000 aproximadamente também em pouco mais de 1 mês.
Depois dessas semanas mais voláteis da história recente do café o mercado ainda tem força para subir ou tudo não passou de um enorme short covering?
Na minha opinião é importante separar o curto do médio prazo.
No médio prazo continuo enxergando um cenário relativamente confortável, as projeções ainda apontam para um superávit global na safra 26/27, a colheita brasileira continua avançando e até o momento não apareceu nenhum fato concreto capaz de transformar esse cenário em um grande déficit mundial. Tudo encaminha para uma “regularização” da oferta.
Mas o curto prazo está mais tenso, não apertado em volume total, mas em disponibilidade imediata, qualidade e disposição de venda.
Os estoques certificados permanecem baixos, os spreads seguem invertidos, os diferenciais continuam firmes mais para cafés finos, e apesar da alta recente, o produtor brasileiro continua comercializando de forma relativamente modesta.
Vendeu mais? Sim. Despejou café no mercado? Muito longe disso.
A alta foi suficiente para estimular negócios ,e melhorar preços físicos e destravar parte do mercado, mas não alterou completamente o comportamento do produtor.
Nas últimas 3 safras o produtor adotou a estratégia de dosar ofertas e ajudar a sustentar o preço, inclusive quando a bolsa caiu em 2026 para 240 cents, mas o diferencial da BC subiu próximo dos recordes históricos, em alguns casos sendo negociados até a nível da Bolsa de NY.
Para os meses de agosto e setembro obviamente haverá muito mais disponibilidade com o período de entregas futuras que abastecem muito as cooperativas e exportadoras.
Os custeios agrícolas também com vencimento pré-determinado “forçam” as vendas para os produtores cumprirem os compromissos financeiros.
Outro ponto importante é a qualidade.
As conversas continuam girando em torno de cafés com maior catação, peneiras menores e dificuldade para encontrar determinados padrões de qualidade. Enquanto alguns cafés encontram compradores rapidamente, outros precisam aceitar descontos cada vez maiores, o mercado continua pagando muito mais pela qualidade do que simplesmente pelo volume. Esse é um detalhe que muitas vezes passa despercebido quando olhamos apenas para a tela de Nova York.
Também continuo acompanhando atentamente o comportamento dos spreads entre vencimentos.
Historicamente curvas muito invertidas costumam mostrar maior necessidade de café no curto prazo do que no longo. Não significa necessariamente falta de café, mas normalmente significa que o mercado atribui mais valor ao café disponível hoje do que ao café que chegará alguns meses à frente.
Entretanto é sabido que exportadoras e cooperativas também trabalham com contratos mais longes, principalmente depois de assumir tanto risco em anos anteriores.
Hoje vemos na tela o contrato de setembro U6 a 320,30 e o contrato de dezembro a 303,80 c/lb, uma diferença enorme de 16,5 c/lb, quase R$ 110,00 por saca. Essa inversão remunera o café disponível agora, penaliza o carregamento de operações e mostra que a urgência do mercado continua concentrada nos embarques próximos.
Ainda não vejo elementos suficientes para afirmar que o mercado mudou completamente sua visão sobre a safra brasileira, o atraso da colheita continua existindo, os relatos de problemas de qualidade continuam aparecendo, mas a maior parte desses fatores já era conhecida antes da forte recuperação das últimas semanas.
Por isso continuo acreditando que grande parte da alta recente foi consequência do fluxo financeiro e do reposicionamento dos fundos, assunto abordado na semana passada no texto Efeito Dominó.
Agora que parte relevante dessas posições vendidas foi liquidada o mercado precisará encontrar novos compradores para continuar subindo ou novos fundamentos que justifiquem preços ainda maiores, enquanto isso sigo olhando um mercado dividido.
Se o mercado continuar subindo, ótimo. O preço atual do café está remunerando bem o produtor e seria ótimo permanecer ou subir.
Continuo acreditando que bons preços devem servir principalmente para melhorar margens e construir proteção no preço, o mercado pode permanecer apertado por algum tempo, mas também podem mudar de direção muito mais rápido do que imaginamos.
O curto prazo continua apertado até quando?
Boa semana,
