HISTÓRIAImigrantes Japoneses

A Colônica Itacolomy: a imigração japonesa no Oeste Paulista

A região de Promissão (SP) foi uma das primeiras no Oeste Paulista a receberem imigrantes japoneses

Até meados do século XIX, a Zona Norte e Oeste do Estado de São Paulo raramente fora percorrida pelo homem branco. Sabe-se que no século XVIII algumas poucas expedições terrestres em direção às áreas mineradoras passaram pela região, particularmente pelo vale do Rio Aguapeí/Feio e pela “Serra de Ybitucatu”, atual Serra de Botucatu. Ocupação rural jamais houvera.

É a partir de 1850, em razão da declinante produção aurífera, bem como de pedras preciosas em Minas Gerais, que para a província de São Paulo se dirigem muitos mineiros. Mas não foi, porém, apenas a exaustão das atividades extrativas que “expulsou” uma grande leva de migrantes mineiros em direção a São Paulo.

A Lei n.601, de 18 de setembro de 1850, chamada “Lei de terras”, influenciou na vinda dessa população, aliás a maior do Império. Embora a lei tivesse sido criada, em parte, para estancar a ocupação de terras devolutas por posseiros, acabou por incentivá-la.

A penúria econômica de grande parte da população mineira e, um pouco depois, o alistamento militar para a Guerra do Paraguai influenciaram positivamente para a “fuga” à província de São Paulo, possuidora de imensas matas, sinal de boa terra.

As regiões das atuais cidades de Franca, Mococa, Ribeirão Preto, até pela proximidade com Minas Gerais, foram as primeiras áreas ocupadas. Porém, muitos seguiram viagem cruzando o Rio Tietê em busca das comentadas “Terras do Oeste”.

No início do século XX, o Estado conseguiu ampliar a sua fronteira agrícola, através do desbravamento da região e a “oferta” das terras a grandes empreendimentos e “gigantes da Estrada de Ferro. A cultura do café era a principal atividade. As estradas de ferro contribuíram para a ampliação da atividade e, ao mesmo tempo, o café “financiava” os trilhos de escoamento do produto até os grandes centros.

Porém, os diretores da Companhia de Terras, Madeiras e Colonização de São Paulo (The San Paulo Land, Lumber & Colonization Company) e da Companhia Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (CEFNOB) também tinha outros planos:- a venda de terras; o pequeno agricultor precisaria ter à disposição, além da terra barata e do transporte fácil, garantido pela CEFNOB, núcleos urbanos que o amparassem nas necessidades, e onde pudesse vender sua futura produção. Portanto, a formação de povoados passaria a ser uma das principais preocupações desses loteadores rurais.

A comunhão de interesses entre as duas companhias era evidente. Para a primeira, a vantagem maior estava em negociar terras rurais com imigrantes; os núcleos urbanos viriam a reboque como estratégia de venda. Já a CEFNOB visava, principalmente, ao transporte de cargas, especialmente café, a ser plantado pelos futuros ocupantes. O transporte de passageiros, embora menos lucrativo que o de cargas, também carrearia à CEFNOB ganhos razoáveis.

A tática funcionou perfeitamente. No início dos anos 1920, já tinha parcelado 38.434 alqueires vendidos a mais de dois mil compradores brasileiros, portugueses, italianos, espanhóis e japoneses.

OS JAPONESES NO OESTE PAULISTA

Nesta questão da imigração, a Região Centro-Oeste Paulista guarda grande influência da cultura nipônica em diversas áreas. Algumas das maiores indústrias da região foram fundadas pelos pioneiros e seus descendentes. Entre as gerações, grandes nomes se destacaram profissionalmente e também nos esportes, nas artes e na política.

Cidades como Guaimbê e Promissão (SP) estiveram entre as primeiras a receber colônias de japoneses viabilizadas por um dos “pais da imigração”, Shuhei Uetsuka.

A foto desta matéria retrata ex-colonos e imigrantes japoneses no ano de 1918, na Colônia Itacolomy (em terras da antiga Fazenda Itacolomy), no município de Promissão (SP), pelo líder e dr. Shuhei Uetsuka, marcando o início da colonização japonesa e a transição dos imigrantes para proprietários de terras no interior paulista. Também se deu ali o início do plantio de algodão.

FONTE: Histórias Japonesas do Brasil
Crédito da foto: MUSEU HISTÓRICO DA IMIGRAÇÃO JAPONESA NO BRASIL.

Créditos do texto
1) – “A ocupação da terra rural na zona Noroeste Paulista” (Nilson Ghirardello)
2) – “Antiga Colônica de Itacolomi em Promissão” (Daniel Ferrari e Humberto Yamaki)

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