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[Paulo Mazzafera] – “Amplitude térmica, cinética do etileno e abscisão foliar em Coffea arabica”

PROFº PAULO MAZZAFERA
Libérica Consultoria Agrícola

A queda foliar no café neste período, em Minas principalmente, tem isso um problema e quebrado a cabeça para entender. Tenho comentado que acredito ser a amplitude térmica o grande vilão. A alta amplitude térmica diurna entre dia e noite. Cabe aqui uma observação. Esta amplitude pode ter sido bem anterior à observação da queda das folhas. Quando? Há necessidade de pesquisa. A hipótese é que essa amplitude eleva o etileno e, ao mesmo tempo, enfraquece o sinal de auxina que mantém a folha aderida.

A abscisão depende da razão auxina/etileno na zona de abscisão. Enquanto há fluxo polar de auxina, a zona de abscisão é insensível ao etileno; a queda desse fluxo sensibiliza a zona de abscisão, e o etileno então ativa celulases e poligalacturonases que separam as células. O que importa é o gradiente de auxina, não sua concentração absoluta.

A via de Yang (de produção do etileno) produz etileno em dois passos: SAM → ACC → etileno. A transformação de SAM para ACC é mediada pela enzima ACS (citosólica, induzida por estresse). A enzima ACO transforma ACC para etileno e é o passo termossensível.

As duas enzimas respondem à temperatura de forma diferente, o que cria uma janela de produção de etileno:

  • Calor > ~35 °C: ambas caem, mas a ACO cai mais rápido; a ~40 °C o etileno é praticamente nulo.
  • Frio (noite): a ACO é mais inibida que a ACS → o ACC acumula sem virar etileno (reservatório de substrato).
  • Faixa amena ~20–30 °C: a ACO opera perto do ótimo e a conversão é máxima.

Daí o mecanismo noite-fria/dia-quente: à noite a ACO fica inibida e o ACC se acumula; ao amanhecer, na faixa amena, a ACO reativa e descarrega o ACC num surto de etileno. Esse fenômeno é bem documentado em frutos (acúmulo de ACC no frio, pico ao reaquecer). Uma amplitude diurna ampla é um ciclo estresse-alívio repetido a cada 24 h → pulsos sucessivos. Se o dia esquentar demais, a ACO volta a ser suprimida. Por isso o surto máximo ocorre em aquecimento moderado, como a tarde de inverno mineira.

A ideia de que a amplitude reduziria a biossíntese de auxina não é o correto. O que o frio compromete é o transporte polar da auxina do ápice para o resto da planta, diminuindo o gradiente na zona de abscisão.

Resumindo

  • Noite fria → ACC acumula + transporte de auxina prejudicado.
  • Tarde amena → ACO reativa → surto de etileno.
  • Zona de abscisão sensibilizada (gradiente colapsado) + pulso de etileno → separação e queda.
  • Ciclo diário repetido + déficit hídrico → efeito cumulativo sobre a desfolha.

RESSALVA

A evidência cinética vem sobretudo de frutos/pós-colheita, não de folhas nem de café; a cadeia completa nunca foi testada em café. 

FONTE: Rede Social do Café.

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