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Revista Attalea Agronegócios
ARTIGOS Aves e Suínos

[Lídia Caroline, Cibele Minafra e Ana Paula Gomide] – Aditivos naturais e fitogênicos melhoram o desempenho produtivo e proporcionam o bem-estar em Codornas Japonesas sob estresse térmico por calor

LÍDIA CAROLINE FERREIRA CRUZ
Mestranda em Zootecnia, Instituto Federal de Educação,

Ciência e Tecnologia Goiano – Campus Rio Verde – GO

CIBELE SILVA MINAFRA
Docente do Programa de Pós-graduação em Zootecnia, Instituto Federal
de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano – Campus Rio Verde – GO

ANA PAULA CARDOSO GOMIDE
Docente do Programa de Pós-graduação em Zootecnia, Instituto Federal
de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano – Campus Rio Verde – GO

A produção de Codornas Japonesas (Coturnix japonica) no Brasil teve um aumento significativo nos últimos 5 anos. A região sudeste possui a maior produção, seguida da região Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte. Contudo, a produção de ovos de codornas no Brasil teve um aumento de quase 10% nos últimos 4 anos (IBGE, 2019). O aumento de interesse pela coturnicultura pode ter influência no crescimento de estudos acadêmicos sobre nutrição, melhoramento genético, manejo e tecnificação da cadeia produtiva (Silva et al., 2018).

Produção de codornas é necessário que atenda um bom manejo, bem-estar animal, nutrição de qualidade e biosseguridade, com a finalidade de promover a saúde animal, obter um retorno sustentável e desenvolvimento com eficiência e rentabilidade. A Codorna Japonesa pode iniciar a postura de ovos aos 35 dias de vida, com a média de200 a 300 ovos/ano. Portanto, o período de incubação dos ovos é de 17 a 18 dias (Raji et al., 2014); (Borda-Molina et al., 2020). Entretanto essa precisão de produtividade é influenciada por diversos fatores e o manejo que a codorna é submetida, como por exemplo, o desconforto térmico provocado pelo calor prejudica a produção e a qualidade dos ovos (Cruvinel et al., 2020).

A coturnicultura, assim como a cadeia produtiva de frangos de corte ou de postura, exige cuidados não somente com uma nutrição de qualidade, mas também um conforto direcionado a ausência de estresse por frio ou calor. A temperatura elevada do ambiente pode levar a uma diminuição do crescimento e queda no desempenho das codornas, além de ser um fator que prejudica o bem-estar dos animais. O desconforto térmico pode influenciar em alterações no sistema imunológico da ave e desestabilizar a barreira intestinal, facilitando o extravasamento de endotoxinas e microrganismos patogênicos do lúmen intestinal para corrente sanguínea. O estresse térmico por calor diminui o consumo de ração das codornas e diminuição do peso corporal, podendo levar ao baixo desempenho produtivo (El-Kholy et al., 2018).

As aves são animais homeotérmicos, ou seja, mantém uma temperatura corporal constante, porém esse mecanismo é eficiente na faixa termoneutra de temperaturas ambientais do animal. Quando as temperaturas ambientais excedem esta faixa, a temperatura corporal aumenta, bem como a frequência respiratória. Sendo a última, um mecanismo utilizado para dissipar calor e tentar manter a temperatura corporal. Porém, essas alterações que acontecem gera um gasto de energia e estresse, levando a todas as alterações fisiológicas que podem contribuir para o desequilíbrio saudável do animal, bem como sua produção. Considerando que há uma diminuição do consumo de ração, consequentemente queda na produção de ovos, incluindo ovos leves por diminuição do peso e porcentagem da gema e comprometimento da fertilidade dos ovos (El-Tarabany, 2016).

A taxa metabólica do organismo pode mudar sob fatores de estresse em climas mais quentes. O estresse por calor prejudica o equilíbrio entre os radicais livres e os antioxidantes em favor dos mesmos no organismo, levando ao estresse oxidativo (Halici et al., 2011). Tal estresse também está associado diminuição das concentrações de vitaminas do séricas, reservas de minerais e oxigênio, bem como o suprimento do desempenho produtivo, aumento da concentração de colesterol sérico hepático e da expressão da proteína do choque térmico (Akdemir et al., 2015); (Greene et al., 2016). O óleo da casca da canela promove a redução na peroxidação lipídica nos tecidos do fígado, coração e rim de codornas sob estresse térmico por calor, seus principais compostos são o cinamaldeído, o álcool benzílico e o eugenol (Türk et al., 2015).

Codorna Japonesa (Coturnix japonica). (Créditos: Revista Attalea Agronegócios)

O conforto térmico possui benefícios imensuráveis quanto a saúde e resultados produtivos do animal, contudo, mesmo que a ave tenha que enfrentar desafios quanto ao estresse provocado por calor, existem algumas alternativas que podem melhorar ou manter a saúde do animal, como por exemplo a dieta. Os aditivos naturais adicionados na dieta de codornas japonesas podem influenciar em um melhor desempenho produtivo quando estão sob altas temperaturas ambientais. O eucalipto (Eucalyptus camaldulensis) melhora a saúde de codornas quando estão em ambientes com alta temperatura, além de melhorar a resistência da casca do ovo e a resposta imunológica (Fathi et al., 2019).

Os aditivos fitogênicos são derivados de plantas medicinais com a finalidade de melhorar o desempenho e a saúde do animal. Ainda estimulam a secreção de enzimas digestivas, aumentam a motilidade, possuem ação antimicrobiana, antiviral, anti-helmínticas e coccidiostáticas, além de estimular o sistema imunológico e possuir atividade anti-inflamatória e anti-oxidativa (Gheisar e Kim 2018). O pó da semente da Moringa oleifera como aditivo na dieta de codornas japonesas preveni os efeitos nocivos do estresse térmico por calor, por meio de flavonóides e outros compostos fenólicos. Portanto, aumenta o peso do ovo, melhora a taxa de conversão alimentar e a produção de ovos; aumenta a espessura da casca, albumina e gema (Abou-Elkhair et al., 2020).

Outro aditivo, como o extrato da raiz de Berberis vulgaris na dieta das aves aumenta a ingestão de ração e produção de ovos em ambiente onde causa estresse térmico por calor quando comparado a ambientes termoneutros. A raiz de Berberis vulgaris também é capaz de aliviar o estresse oxidativo, refletido pela peroxidação lipídica e atividade de enzimas antioxidantes, além de exercer efeitos antioxidantes (Sahin et al., 2013).

O estresse térmico por calor além de levar a perdas econômicas significativas pela baixa produção de ovos de codornas japonesas, prejudica a saúde e bem-estar da ave. Entretanto em locais onde as temperaturas são elevadas podem ser utilizadas alternativas a fim de minimizar as alterações fisiológicas no animal. Diversos estudos apontam a adição de aditivos naturais e fitogênicos na dieta do animal com o objetivo de reduzir os impactos negativos que o estresse térmico por calor pode causar. Outra alternativa, seria o uso do própolis, pois melhora a conversão alimentar e influencia a produção precoce de ovos, mesmo em condições onde as temperaturas estão elevadas (Mehaisen et al., 2019). Tem-se se óleos essenciais, extratos, enzimas, probióticos, prebióticos, que ajudam a modular a microbiota e com isto a imunidade das codornas.

Referências Bibliográficas

Abou-Elkhair, R; Basha, HÁ; Naby, WSHAE; Ajarem, JS; Maodaa, SN; Allam, AA e Naiel, MAE 2020. E_ect of a Diet Supplemented with the Moringa oleifera Seed Powder on the Performance, Egg Quality, and Gene Expression in Japanese Laying Quail under Heat-Stress. Animals 10(5): 809. http://dx.doi.org/10.3390/ani10050809

Akdemir, F; Sahin, N; Orhan, C; Tuzcu, M; Sahin, K e Hayirli, A 2015. Chromium-histidinate ameliorates productivity in heat-stressed Japanese quails through reducing oxidative stress and inhibiting heat-shock protein expression. British Poultry Science 56(2): 247-254. http://dx.doi.org/10.1080/00071668.2015.1008992

Borda-Molina, D; Roth, C; Hérnandez-Arriaga, A; Rissi, D; Vollmar, S; Rodehutscord, M; Bennewitz, J e Camarinha-Silva, A 2020. Effects on the Ileal Microbiota of Phosphorus and Calcium Utilization, Bird Performance, and Gender in Japanese Quail. Animals 10: 885. https://doi.org/10.3390/ani10050885

Cruvinel, JM; Urayama, PMG; Santos, TS; Denadai, JC; Muro, EM; Dornelas, LC; Pasquali, GAM; Contin Neto, AC; Zanetti, LH; Ferreira Netto, RG; Sartori, JR e Pezzato, AC 2020. Different dietary electrolyte balance values on performance, egg, and bone quality of Japanese quail (Coturnix Coturnix Japonica) under heat stress. Tropical Animal Health and Production 53(1). https://doi.org/10.1007/s11250-020-02472-7

El-Kholy, MS; El-Hindawya, MM; Alagawanya, M; Abd El-Hacka, ME e El-Sayedb, SAA 2018. Use of acetylsalicylic acid as an allostatic modulator in the diets of growing Japanese quails exposed to heat stress. Journal of Thermal Biology 74: 6-13. http://dx.doi.org/10.1016 / j.jtherbio.2018.02.011 

El-Tarabany, MS 2016. Effect of thermal stress on fertility and egg quality of Japanese quail. Journal of Thermal Biology 61: 38-43. http://dx.doi.org/10.1016/j.jtherbio.2016.08.004

Fathi, MM; Al-Homidan, I; Ebeid, TA; Abou-Emera, OK e Mostafa, MM 2019. Dietary supplementation of Eucalyptus leaves enhances eggshell quality and immune response in two varieties of Japanese quails under tropical condition. Poultry Science 99: 879-885. https://doi.org/10.1016/j.psj.2019.09.001

Gheisar, MM e Kim, IH 2018. Phytobiotics in poultry and swine nutrition – a review. Ital J Anim Sci. 17: 92-99. https://doi.org/10.1080/1828051X.2017.1350120

Greene, E; Khaldi, S; Ishola, P; Bottje, W; Ohkubo, T; Anthony, N e Dridi, S 2016. Heat and oxidative stress alter the expression of orexin and its related receptors in avian liver cells. Comparative Biochemistry and Physiology 191: 18-24. http://dx.doi.org/10.1016/j.cbpa.2015.08.016

Halıcı, M; İmik, H; Koç, M e Gümüş, R 2011 Effects of α-lipoic acid, vitamins E and C upon the heat stress in Japanese quails. Journal of Animal Physiology and Animal Nutrition 96 (3): 408:415. https://doi.org/10.1111 / j.1439-0396.2011.01156.x 

IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: <https://sidra.ibge.gov.br/pesquisa/ppm/quadros/brasil/2019>.  Acesso em: 12 mar. 2021

Mehaisen, GMK; Desoky, AA; Sakr, OG; Sallam, W e Abass, HO 2019. Propolis alleviates the negative effects of heat stress on egg production, egg quality, physiological and immunological aspects of laying Japanese quail. PLoS ONE 14(4): e0214839. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0214839

Raji, AO; Mbap, ST e Aliyu, J 2014. Comparison of different models to describe growth of the japanese quail (Coturnix Japonica). Trakia Journal of Sciences 2: 182-188. https://doi.org/10.4321/S0004-05922014000300004

Sahin, K; Orhan, C; Tuzcu, M; Borawska, MH; Jabłonski, J; Guler, O; Sahin, N e Hayirli, A 2013. Berberis vulgaris root extract alleviates the adverse effects of heat stress via modulating hepatic nuclear transcription factors in quails. British Journal of Nutrition 110: 609-616. https://doi.org/ 10.1017/S0007114512005648

Silva, AF; Sgavioli, S; Domingues, CHF e Garcia, RG 2018. Coturnicultura como alternativa para aumento de renda do pequeno produtor. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. 70: 913-920. https://doi.org/10.1590/1678-4162-10065

Türk, G; Şimşek, ÜG; Çeribaşi, AO; Çeribaşi, S; Kaya, ŞÖ; Güvenç, M; Çiftçi, M; Sönmez, M; Yüce, A; Bayrakdar, A; Yaman, M e Tonbak, F 2015. Effect of cinnamon (Cinnamomum zeylanicum) bark oil on heat stress-induced changes in sperm production, testicular lipid peroxidation, testicular apoptosis and androgenic receptor density in developing Japanese quails, Theriogenology 84(3): 365-376. https://doi.org/10.1016/j.theriogenology.2015.03.035.

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