CaféCafés EspeciaisESPECIAL: 6ª Alta CaféEVENTOS - DESTAQUES

Inovações apresentadas na 6ª Alta Café incentivam produtores a repensarem práticas no campo

Controle biológico, pulverização em baixo volume, uso de turfa enzimática são tecnologias que ampliam as possibilidades de manejo na produção cafeeira.

A 6ª Alta Café tem evidenciado um movimento que vai além da apresentação de máquinas, palestras e novas tecnologias: a necessidade de mudança de mentalidade no campo.

Em um setor historicamente guiado por práticas transmitidas entre gerações, soluções inovadoras vêm desafiando produtores a revisarem seus processos produtivos, com foco em eficiência, sustentabilidade e autonomia.

Especialistas, empresas e cafeicultores entusiastas presentes na feira defendem que o atual cenário exige uma ruptura gradual com a experimentação de novas tecnologias, ferramentas e possibilidades.

A proposta não é abandonar o conhecimento acumulado ao longo dos anos, mas integrá-lo a novas tecnologias que já demonstram resultados concretos em produtividade, redução de custos e menor impacto ambiental.

Controle biológico no combate à ferrugem do café

Um dos exemplos mais emblemáticos dessa mudança é o avanço do controle biológico no manejo do cafezal, especialmente no combate à ferrugem do café, uma das principais doenças da cultura.

Empresas como a NuAgri têm apostado em soluções que utilizam micro-organismos para substituir ou reduzir o uso de defensivos químicos. A proposta, segundo Felipe David Oliveira, representante da empresa, é oferecer ao produtor mais autonomia e previsibilidade, além de um ambiente produtivo mais equilibrado.

Felipe David Oliveira: soluções utilizam micro-organismos para substituir ou reduzir o uso de defensivos químicos.

Entre os diferenciais apresentado na 6ª Alta Café está uma máquina que permite ao próprio produtor multiplicar os insumos biológicos dentro da fazenda. “A tecnologia possibilita transformar pequenas quantidades de micro-organismos em grandes volumes de aplicação, reduzindo custos e aumentando a independência em relação ao mercado de insumos”, explica Felipe.

Além disso, o uso de inimigos naturais, como insetos predadores e parasitoides, tem mostrado eficiência no controle de pragas como bicho-mineiro e broca-do-café, atuando de forma contínua no ambiente produtivo.

Apesar dos avanços, a adoção ainda enfrenta resistência. “É uma mudança cultural”, admite o especialista. “O produtor está acostumado ao efeito imediato do químico, mas o biológico trabalha com equilíbrio e construção de sistema”.

Pulverização em baixo volume: alternativa para uso eficiente da água

Outra tecnologia que chama atenção por romper com padrões tradicionais é a pulverização em baixo volume. Sistemas como UBV (Ultra Baixa Vazão) e BV (Baixa Vazão) vêm sendo apresentados como alternativas mais eficientes no uso de água.

Fernando Dedemo: tecnologia permite reduzir drasticamente o volume aplicado por hectare.

De acordo com Fernando Dedemo da empresa KPI Internacional, a tecnologia permite reduzir drasticamente o volume aplicado por hectare, mantendo, e em alguns casos aumentando, a eficiência da operação.

“No cafezal, os produtores costumam aplicar 400 litros de calda por hectare. Nosso processo, que envolve desde fazer as contas do que é gasto, passando pela sensibilização do baixo volume de pulverização, depois a escolha do bico e do melhor método, conseguimos alcançar 100 litros de calda por hectare e comprovando que a cobertura é também eficientes”, comenta.

Especialista mostra que pulverização em baixo volume também tem cobertura eficiente.

Uso de turfa enzimática: estímulo à atividade biológica do solo

Também apresentada como solução de manejo na 6ª Alta Café está a turfa enzimática da empresa

Enzzi Brasil, que atua como condicionador biológico do solo. De acordo com Márcio Pires, representante da marca, o insumo age liberando nutrientes que já estão presentes no solo, mas indisponíveis para a planta, além de potencializar o efeito de fertilizantes aplicados, como fósforo e micronutrientes.

“Pode ser aplicada via pulverização em momentos estratégicos do ciclo, como pré e pós-florada e no enchimento de grãos. É uma tecnologia que pode ser integrada ao manejo convencional sem interferências, contribuindo para um melhor aproveitamento dos insumos e estimulando a atividade biológica do solo”, comenta.

Outro destaque está na capacidade de reduzir estresses fisiológicos das plantas, evitando o chamado “travamento biológico” causado por defensivos e condições adversas.

“Com isso, o cafeeiro mantém sua atividade metabólica, especialmente a fotossíntese, de forma mais contínua, o que impacta diretamente na redução do aborto de frutos e na uniformidade da produção”, finaliza Márcio.

Para o setor, a lógica é clara: não se trata apenas de economizar insumos, mas de tornar o sistema produtivo mais inteligente e adaptado às novas demandas do campo.

“Há 20 anos houve uma virada de chave do método de produção, método de organização, de informações no setor cafeeiro, tratando a cafeicultura como uma empresa, como uma indústria. A geração que está a frente das fazendas hoje já é diferente dos avós. Temos tudo calculado na ponta do lápis, sabemos até que ponto vale implantar cada tecnologia. Hoje os métodos são diferentes e não tem como parar as inovações. Temos que produzir com qualidade, com produtividade, impactando cada vez menos o meio ambiente e tendo como desafio os eventos climáticos, cada vez mais descompassados”, destacou o cafeicultor Alexandre de Oliveira durante bate-papo na arena Innova Café.

FONTE: Fernanda Cicillini e Livia Borges (OZ Conteúdo – 6ª Alta Café)

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