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Revista Attalea Agronegócios
Bovinos de Corte

Boi suplementado, negócio fechado

Será mesmo que a grama do vizinho é sempre mais verde? É claro que uma pastagem verdinha, traz alegria a qualquer produtor. Mas, nem só de pasto verde vivem os bovinos, principalmente nos meses em que acontece a transição das águas para a seca e durante o período de seca. Por melhor que seja o capim, os animais necessitam de outros complementos, como os minerais, proteína e energia, para uma nutrição de qualidade a pasto.

Segundo um dos médicos veterinários do Departamento Técnico de Nutrição da Matsuda, Marco Antonio Finardi, com a estiagem, a produção de pasto diminui, além de ocorrer um déficit de nutrientes nas forrageiras. “Há uma diminuição nos níveis protéicos, energéticos e minerais na composição da forragem que é o alimento principal dos animais, sendo que quando isso não é corrigido, pode levar a uma diminuição na produção leiteira, menor fertilidade, queda na resistência imunológica e também perda de peso, levando ao efeito sanfona – quando os animais ganham peso nas águas e perdem na seca”, afirma.

 Sendo assim, uma das soluções é a suplementação mineral proteico- energética, pois existem formulações específicas para cada época do ano, sempre visando fornecer um complemento de nutrientes que muitas vezes encontram-se desbalanceados na forragem. Popularmente conhecida como mistura múltipla ou proteinado, o produto é usado como fonte não só de minerais, mas também de proteína e energia, podendo ser utilizada nas categorias de cria, recria e engorda, melhorando a eficiência ruminal e, consequentemente, o desempenho dos animais.

Composto por fontes protéicas (como farelo de soja, ureia, etc.), fontes energéticas (como milho, sorgo, etc.), minerais essenciais, a mistura é excelente para esse período transicional entre águas e seca, Finardi. Porém, ele adverte os produtores que a suplementação mineral proteico-energética só é vantajosa desde que haja oferta de forragem disponível aos animais, uma vez que seu objetivo é complementar os nutrientes que estão deficientes neste alimento, e não substitui-lo. Além disso, é importante que o produtor utilize formulações específicas conforme a época do ano e a categoria a ser suplementada.

“Principalmente na seca há uma queda no volume de pastagem disponível aos animais e também na qualidade nutricional deste alimento, o que limita a eficiência produtiva e o desempenho do gado”, explica.  “Por isso é preciso suplementar, mas alguns cuidados devem ser tomados nesse momento, pois “se não for feita uma suplementação com produtos específicos para esta época do ano, ela pode não atender as necessidades nutricionais e comprometer o resultado final do animal”, alerta Finardi.

Bonito, Porto Murtinho/MS

Cumprindo à risca esses requisitos, as melhorias virão direto para o bolso do homem do campo é claro. “Com a melhora do desenvolvimento animal e as melhores condições corporais é possível iniciar mais cedo a vida produtiva.  Os animais terão precocidade sexual, o que pode gerar um maior número de bezerros durante sua vida adulta. Para os animais voltados a produção de carne, poderão ser abatidos mais jovens, oferecendo uma carne de qualidade para atender o mercado consumidor, cada dia mais exigente, garante o especialista.

Outro fator fundamental para uma boa mineralização é o cuidado com o cocho. Finardi comenta que o ideal é que se tenham cochos cobertos a fim de proteger o suplemento mineral fornecido. “É importante que se tenha o cuidado, também, com a altura do cocho, principalmente quando trabalhamos com a categoria de cria, e não utilizamos o sistema de creep-feeding. Neste caso, os bezerros necessitam ter acesso ao cocho e, por isso, devemos respeitar a altura de 40 cm da borda superior do cocho ao solo, observa.

Outro ponto relevante é com o número de cabeças do lote, a fim de que se possa fazer um ajuste da linha do cocho, quando necessário, o que evita a a competividade entre os animais, pela comida, e o stress gerado por isso.  Já o acúmulo de água e de barro em redor do cocho, pode influenciar a ingestão de suplemento e o desempenho dos animais, pois eles não gostam de pisar na lama e na água, observa Finardi.

Para o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Sérgio Raposo “embora o mineral entre numa proporção muito pequena no produto carne, mesmo assim, ele é fundamental para o resultado final”. Raposo reforça que o espaço mínimo de cocho, entre os animais, é outro aspecto que precisa ser levado em consideração. Segundo o pesquisador “o próprio nome já diz – mínimo –, o que corresponde a seis centímetros por unidade animal, sendo que quanto mais espaço houver entre eles, é melhor”, conclui.

FONTE: Iara Siqueira – TAXI BLUE COMUNICAÇÃO ESTRATÉGICA
iarinha.siqueira@yahoo.com.br

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