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[Xico Graziano] – “Agrotóxico causa câncer?”

XICO GRAZIANO
Engenheiro Agrônomo e doutor em administração.
Foi deputado federal pelo PSDB e integrou o governo de São Paulo.
É professor de MBA da FGV.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgou uma listagem com 126 agentes causadores de câncer humano. Nenhum agrotóxico utilizado no Brasil faz parte da lista. Repito: nenhum. Essa é a evidência científica, o resto é balela.

Coube à Iarc (Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, na sigla em inglês) a metodologia de análise. A Iarc analisou todas as substâncias químicas, processos e fatores supostamente perigosos à saúde humana, categorizando-os em 4 grupos:

* grupo 1 — agentes considerados carcinogênicos, com evidências comprovadas (126 agentes);
* grupo 2A — agentes “provavelmente” carcinogênicos, mas ainda sem comprovação definitiva (94 agentes);
* grupo 2B — agentes “possivelmente” carcinogênicos, mas com limitada pesquisa científica (322 agentes); e
* grupo 3 — agentes não classificáveis como carcinogênicos (500 agentes).

No grupo 1, destacam-se os 10 agentes reconhecidos como principais causadores de câncer em seres humanos:

1. tabagismo;
2. bebidas alcoólicas;
3. radiação solar;
4. agentes infecciosos (ex: H. pylori);
5. sedentarismo e obesidade;
6. carne processada (salsicha, linguiça, salame e outros);
7. poluição do ar;
8. medicamentos (ciclosporina, contraceptivos);
9. substâncias químicas (metais, corantes, solventes); e
10. óxidos voláteis (benzeno).

Entre os produtos químicos, nesse grupo 1, encontra-se relacionado o lindano, antigo componente de pesticidas — como o famoso BHC, um pó utilizado antigamente no Brasil para combater formiga saúva. Todos esses inseticidas organoclorados foram proibidos há décadas no mundo. No Brasil, a restrição ocorreu em 1985.

Outro agrotóxico, o glifosato, um herbicida amplamente utilizado na agricultura brasileira e mundial, aparece citado no grupo 2A, ou seja, sem comprovação definitiva como agente cancerígeno. Originalmente sintetizado pela norte-americana Monsanto, esse princípio ativo tem recebido muitos questionamentos principalmente após a venda, em 2018, da Monsanto à Bayer, multinacional alemã.

Na rigorosa Europa, recente relatório da EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar), enviado à Comissão Europeia, defendeu a manutenção do uso do glifosato, por não ter identificado “domínio crítico de preocupação” na substância.

Aqui reside uma questão metodológica essencial, qual seja, a diferença entre os conceitos de “perigo” e de “risco” de substâncias químicas. Perigo depende da característica intrínseca da molécula — é uma condição inata; risco depende da exposição da molécula ao ser humano — é uma probabilidade.

Uma substância pode ser muito perigosa, mas oferecer pequeno risco se estiver isolada ou dificultada do contato humano. Veja o exemplo do aspartame, incluído agora no grupo 2A como provavelmente cancerígeno.

Segundo a Anvisa, inexiste razão para alterar o atual “limite de ingestão diária” do edulcorante, estabelecido em 40 mg/kg de peso corporal. Tal limite é quase inatingível. Para entrar na zona de risco à saúde, um adulto teria que, num dia, tomar 9 a 14 latas de refrigerante diet.

Carne processada é outro bom exemplo. Embutidos como linguiça, salsicha, mortadela e salames estão relacionados como cancerígenos no grupo 1 da Iarc, principalmente devido aos aditivos, como nitrito, que ajudam a conservar essas delícias, utilizadas há séculos na alimentação humana. O risco à saúde, porém, vai depender da quantidade ingerida pela pessoa, diariamente. Sendo moderada (até 50 g/dia), tudo bem.

O conceito vale para medicamentos humanos também. Efeitos colaterais podem surgir em função da dosagem. No grupo 1 da Iarc, por exemplo, constam como cancerígenos as substâncias busulfan, tiotepa, ciclofosfamida e semustina, todas componentes de remédios prescritos contra tumores. O perigo existe, mas se sujeita à avaliação de risco.

Na agricultura, funciona do mesmo jeito. Pesticidas são utilizados para combater pragas e devem ser aplicados sob receituário agronômico. Nas doses e métodos recomendados, são insignificantes os malefícios ao meio ambiente e à saúde.

Se decorrer, porventura, resíduos nos alimentos, é necessário verificar o LMR (limite máximo de resíduos) fixado pelas agências controladoras. Em um caso que analisei, de resíduos do ingrediente químico procimidona em um pimentão, o resultado foi o seguinte: naquele nível encontrado pela Anvisa (0,55mg/kg), um adulto entraria na faixa de risco se ingerisse 5 kg de pimentão. Por dia.

Conclusão: é mentira que os agricultores estão envenenando o povo, matando-o silenciosamente por alimentos contaminados. Quem prova é a OMS.

FONTE: Compartilhado da Agência UDOP de Notícias
FONTE ORIGINAL: Poder 360º

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