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Revista Attalea Agronegócios
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Hortaliças

Uso da enxertia em tomates hidropônicos

O tomateiro constitui uma das hortaliças de fruto mais importantes comercialmente por seu valor agregado, fato este que impulsiona a um crescente interesse dos produtores na implantação de projetos hidropônicos, seja em sistema NFT ou em substrato, a partir da utilização de calhas hidropônicas. Sendo amplamente utilizados na produção de tomate em hidroponia os híbridos do tipo gourmet, se destacam como os de maior rentabilidade e facilidade de comercialização. Por outro lado, para tomada de decisão para a implantação de projetos hidropônicos para o cultivo de hortaliças de frutos, o produtor não somente deve focar na produtividade e no valor a ser comercializado, mas também na genética da planta e na boa qualidade da muda a ser plantada no sistema.

Em função disto, a escolha de híbridos melhorados para produtividade e qualidade do fruto é importante para o sucesso do empreendimento, porém, a parte significativa destes híbridos não são melhorados para a resistência/tolerância às doenças de solução/substrato que possam vir a ocorrer, como as murchas defusariumralstonia e verticillium, que podem comprometer significativamente o cultivo do tomate hidropônico, principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil. Com isso, o uso de cultivares “porta enxerto” mais adaptadas às doenças do solo, a salinidade do substrato e que apresentem maior vigor configuram-se como uma alternativa importante para diminuir problemas de perdas de produção em diversas regiões do Brasil.

De modo geral, o uso de propagação assexuada na produção de mudas do tomateiro no Brasil vem se destacando a cada ano, sendo que a técnica da enxertia é o processo mais utilizado. Basicamente, a técnica consiste em juntar partes distintas de duas plantas para formar uma planta só, objetivando-se obter as características favoráveis de ambas as plantas, tais como alta produtividade e qualidade de frutos no híbrido que servirá como “enxerto ou cavaleiro” e a resistência a doenças de sistema radicular e a tolerância de salinidade, que são oriundas do híbrido utilizado como “porta enxerto ou cavalo”. Dentre as espécies de hortaliças mais enxertadas hoje no Brasil têm-se o tomate, o pimentão e a berinjela (todos pertencentes a família Solanaceae) e o pepino, enxertado em porta enxertos produzidos da melancia e da abóbora (todas pertencentes à família Cucurbitaceae).

Em função disto e visando atender à demanda de mudas enxertadas, observa-se o fortalecimento de um segmento de mercado, que é a formalização de viveiristas especializados na produção destas mudas, localizados em SP e PR, principalmente. A partir disto, cabe ao produtor que deseja utilizar mudas enxertada, a busca de viveiristas que garantam qualidade nutricional e fitossanitária das mudas a serem adquiridas, além de um adequado processo de enxertia.

Um dado importante é que a comercialização de mudas enxertadas de hortaliças de frutos é recente no Brasil. Entretanto, a enxertia é amplamente utilizada em países como a Espanha e a Holanda desde o milênio passado, surgindo como parte do processo de produção de mudas de tomateiro na Holanda desde 1940. Assim, ao se fazer um planejamento para a produção de tomate hidropônico, lembrem-se da inserção na planilha de custos (custo/benefício no caso) da aquisição de mudas de tomateiro enxertadas. (FONTE: Dr. Gláucio da Cruz Genuino, especialista em Nutrição Mineral de plantas.)

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