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Revista Attalea Agronegócios
ARTIGOS Ovinos e Caprinos

[Ubiratã Mariano de Souza] – Medicamento Homeopático na Ovinocultura: como usar corretamente

UBIRATÃ MARIANO DE SOUZA
Médico veterinário e aluno de mestrado em Produção Animal Sustentável,

pelo Instituto de Zootecnia (Nova Odessa- SP)

RICARDO LOPES DIAS DA COSTA
Médico Veterinário e Pesquisador Científico do Instituto de Zootecnia/Apta/SAA-SP

A Homeopatia Veterinária é uma terapêutica reconhecida pelo CFMV (Conselho Federal de Medicina Veterinária) desde 1995. Possui protocolos específicos que devem ser devidamente seguidos e prescritos por veterinários com experiência e conhecimento da matéria médica e dos insumos homeopáticos.

O seu uso em diversos sistemas de produção tem proporcionado aos animais mais qualidade de vida, maior performance de ganho de peso, eficiência nutricional, e principalmente a acurácia medicamentosa, sem causar toxicidades, desde que devidamente ministrada.  

Pode tratar todas as doenças dos pequenos e grandes animais, além de silvestres e selvagens, podendo ser eficaz nas principais patologias que acometem os rebanhos, como nas ocorrências de mastites, parasitoses, dermatites e dermatoses, problemas de casco, gastrintestinais, reprodutivos, articulares, dentre outros.

Contudo, para que expresse toda a sua plenitude curativa ou de prevenção, a homeopatia precisa ser melhor conhecida por quem trabalha com produção animal na lida a campo.

Primeiramente, não basta aplicar o remédio de qualquer jeito e esperar que tudo se resolva sozinho, pois como qualquer outro medicamento, a adoção conjunta de medidas epidemiológicas, tais como isolamento, descarte, sanidade e nutrição, dentre outras, são necessárias para se obter um tratamento eficaz.

O entendimento de como “funciona” os homepáticos faz toda diferença. Por isso mesmo, a realização de dias de campo ou de extensão rural para explicar os conteúdos básicos de como age este tipo de medicamento, como ele é produzido (manipulado) e comercializado, e também a sua forma de preservação para que não perca a vitalidade e validade são imprescindíveis.

Outra questão de suma importância diz respeito aos tipos de apresentação dos homeopáticos: injetáveis, glóbulos, supositórios, em pó, spray, pomadas, forma líquida, dentre outras, bem como a variedade de insumos e suas procedências; animal, vegetal, mineral ou de compostos orgânicos, que também são chamados de bioterápicos.

Estas questões impactam na resposta fisiológica do animal frente aos homeopáticos, já que eles possuem mecanismos de ação que não são os mesmos dos remédios tradicionais.

Os homeopáticos atuam no organismo a partir da liberação da energia dinâmica do insumo ativo, e assim ativam as forças internas fisiológicas do animal a atuarem contra a doença, favorecendo o fortalecimento do organismo de “dentro para fora”.

É bem diferente das vias ou rotas efetuadas pelos princípios farmacológicos dos outros medicamentos, os alopáticos, que para terem os efeitos positivos precisam se acoplar a um alvo específico. Esta rota se chama farmacocinética.

Então porque muitas vezes a homeopatia não dá certo?

Não funciona devido a alguns fatores relacionados à prescrição errada das diluições (potências) ou dos insumos (constituintes) do medicamento por parte do veterinário, bem como do manejo incorreto do produto pelo tratador ou pecuarista, ou porque não houve a preservação adequada do remédio.

Também porque há um desconhecimento das peculiaridades dos homeopáticos em relação à energia dinâmica do princípio ativo, que promove uma forma de agravamento controlado, que se chama patogenesia, que estimula as forças internas (imunológicas) do organismo sem prejudicar os órgãos mais importantes do corpo do animal, combatendo a doença de uma forma equilibrada, sem os efeitos adversos dos medicamentos tradicionais.

Para que isto ocorra é necessário respeitar as posologias indicadas, as formas de aplicação corretas, as quantidades a serem ministradas, além de um acondicionamento (preservação) do produto que garanta o seu uso por mais tempo. É válido destacar que o remédio homeopático não tolera contaminação cruzada, calor excessivo, sujidades e manuseio imperito.  

Além disso tudo, é válido ainda compreender que os mecanismos de ação do homeopático respeita o status orgânico ou fisiológico do animal no chamado processo de cura. Isto significa que a melhora clínica vai ocorrer conforme a gravidade da doença, ou se há um quadro agudo ou crônico, com presença de agentes como bactérias, fungos, vírus, etc; ou se trata de uma enfermidade de fundo comportamental, por exemplo, que exigirá a integração de outras terapias.

No entanto, apesar de possuir um grande arcabouço terapêutico, e ter a seu favor inúmeros casos de sucesso na rotina clínica e de produção, a homeopatia pode apresentar limitações em que a energia dinâmica do medicamento não conseguirá mais estimular as forças orgânicas ou do sistema imune animal.

Mas isso não é um privilégio apenas da homeopatia, e não retira desta terapêutica o seu mérito de ação curativa em diversos casos em que os outros métodos tradicionais não conseguiram atender a contento. E por isso mesmo, continua a ser uma efetiva opção médico-veterinária que promove a saúde e o bem-estar dos animais em sistema de produção

REFERÊNCIAS

– O Vitalismo Hahnemanniano na Prática Clínica Homeopática. Em XXV Congresso Brasileiro de Homeopatia, 2000. Rio de Janeiro.Autor: Marcus Zulian Teixeira

– Pilares da Homeopatia, 2021. São Paulo. Autor: Cideli Coelho

– Escolas Homeopáticas, 2021. São Paulo Autor: Cideli Coelho

– Homeopatia e Controle da Verminose. Em ALTERNATIVAS DE CONTROLE DA VERMINOSE EM PEQUENOS RUMINANTES, 2008. Nova Odessa (SP).
Autor: Cecília José Veríssimo

– Métodos Para Combater Microrganismos Patogênicos. Em Conheça a Homeopatia, 2ª edição, 1976. Belo Horizonte. Autor: José de Schembri

– Amplitude e Dinamizações. Em Conheça a Homeopatia, 2ª edição, 1976. Belo Horizonte.Autor: José de Schembri

– Homeopatia na Alimentação de Cordeiros, 2020.

Diversos autores. Disponível em:

https://www.researchgate.net/publication/340243890_Homeopatia_na_alimentacao_de_cordeiros

– Homeopatia e Desempenho de Novilhas Confinadas Com Uma Dieta 100% ou 48% concentrada, 2014. Autores: F. Marafon, M. Neumann, RK Ueno, RA Martins de Souza, LL Reinehr, M. Poczynek.

Disponível em: <https://www.uco.es/ucopress/az/index.php/az/article/view/577>

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