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Revista Attalea Agronegócios
Ovinos e Caprinos

[Ubiratã Mariano de Souza] – A Homeopatia como complementar constitucional para a seleção de ovinos pelos aprumos

UBIRATÃ MARIANO DE SOUZA
Médico veterinário e aluno de mestrado em Produção Animal Sustentável,

pelo Instituto de Zootecnia (Nova Odessa- SP)

CECÍLIA JOSÉ VERÍSSIMO
Médica Veterinária e Pesquisadora Científica do Instituto de Zootecnia/Apta/SAA-SP

A seleção dos animais pelos aprumos consiste em uma das práticas zootécnicas mais importantes em rebanhos de alta produção, porque impacta diretamente em melhores índices reprodutivos e nas taxas de desfrute maiores no sistema produtivo de qualquer pecuária. Na pecuária de ovinos, portanto, não é diferente.

Selecionar os animais com base “no olho experiente” permitirá a escolha de animais que sejam anatomicamente capazes de perfazer toda a estação de monta sem problemas anatomofuncionais.

Displasias diversas, degenerações articulares, problemas com manqueiras, de ligamentos e de tendões, tão comuns em muitas propriedades brasileiras, podem ser evitados ou minimizados quando se seleciona ou se descarta carneiros destinados à reprodução com base na funcionalidade, tendo como objetivo o equilíbrio.

Sem dúvida alguma que a capacidade de trabalho de reprodutores poderá ficar aquém do esperado se houver comprometimento de estruturas anatômicas incorretamente anguladas, nos membros anteriores e/ou posteriores (mãos e pés), popularmente relacionadas às cruzes da paleta e da anca respectivamente.

Para que isso não aconteça é fundamental acompanhar de perto os biótipos que estão da porteira para dentro; elevando o nível da escrituração zootécnica e fundamentando a escolha dos fenótipos superiores.

No entanto, contar com pessoas experientes na seleção por aprumos é de vital importância, justamente porque esses profissionais conseguem encontrar até mesmo pequenos senões que passariam despercebidos para muitos.

Vale destacar que defeitos em aprumos são problemas sérios, que possuem caráter hereditário, com herdabilidade considerável repassada à progênie. Problemas genéticos que de fato irão perpetuar no rebanho as agravações morfológicas que poderiam ser descartadas se houvesse a escolha dos indivíduos corretos.

Além disso, animais que não vão contribuir com material genético na reprodução também devem ser monitorados, porque à medida que eles crescem poderão evidenciar dificuldades de locomoção e até dores, comprometendo o ganho de peso e a eficiência energética relacionada à mantença.

O resultado óbvio de não se descartar animais com problemas de aprumos, ainda tão persistente na pecuária ovina, impedirá a evolução do plantel de maneira adequada, por consequência do menor desempenho de animais indesejados em comparação àqueles que não possuem gravidades morfológicas.

No final das contas esses ovinos vão causar prejuízos econômicos de diversas maneiras, dentre eles o aumento dos custos com medicamentos, queda no índice de prenhez, perda de eficiência e de rendimento, e o que é pior: perda do valor zootécnico e, consequentemente, prejuízo no bolso.

A seleção deve ocorrer por meio da desqualificação das características indesejadas nos aprumos em relação aos joelhos, pés, jarretes e boletos, por exemplo.

Para isso, requer-se experiência no olhar de quem observa, bem como de ética de quem vende, pois que animais com problemas de angulações prejudica toda a cadeia da ovinocultura.

Nunca é demais salientar que não são apenas os produtores inexperientes na atividade, que confiam em reprodutores que na prática são uma bomba relógio prestes a explodir em perda de desempenho, os grandes perdedores por investir dinheiro em algo que literalmente não vai agregar valor ao plantel.

Não se iludam. Todos perdem com uma cadeia ovina enfraquecida por conta de animais inferiores, pois que fatalmente será um bumerangue também a quem que se sinta esperto o bastante por repassar ovinos fenotipicamente com defeitos para frente. 

Como a Homeopatia pode ajudar

A Homeopatia poderá contribuir com a seleção morfológica de aprumos nos ovinos quanto aos aspectos de profilaxia. Isto não quer dizer que, sozinha, a Homeopatia seja um critério zootécnico de escolha fenotípica de indivíduos considerados aptos em termos de funcionalidade. Sem dúvida alguma, este não é o papel da Homeopatia.

A contribuição da terapêutica homeopática neste processo de seleção específico fundamenta-se na epidemiologia, mais exatamente por meio da prescrição de princípios ativos que promovam a integridade de estruturas anatomofuncionais de reprodutores morfologicamente normais quanto aos aspectos de indivíduo/população, morbidade e prevalência, incidência, dentre outros.

Neste sentido, os princípios ativos não seguirão a rota farmacológica de quaisquer outros promotores articulares, como acontece por exemplo, aos colágenos ou condroprotetores.

É importante destacar que os homeopáticos são compostos dinâmicos, e agem no organismo animal por meio da liberação da “energia” contida nos princípios ativos através de uma farmacodinâmica específica que não é o tema deste artigo.

Por suas características únicas, portanto, os homeopáticos podem e devem compor produtos que promovam a saúde animal a partir do estado de higidez, não necessariamente compondo uma terapêutica de cura.

Neste contexto, insumos e bioativos, isoterápicos e preparações tradicionais irão contribuir para que os animais selecionados com aprumos corretos permaneçam o maior tempo possível neste status zootécnico superior, expressando o melhor possível do seu material genético dentro do plantel.

Além disso, por ser uma característica herdável, a constituição animal implicará em progênies mais sadias do ponto de vista da anatomia músculo-esquelética, refletindo em aprumos perfeitos para o trabalho a campo, que deve ser a função primordial de carneiros reprodutores.

Aliado a isso, e  em consonância aos pilares conceituais consagrados da Homeopatia, os fundamentos constitucionais diatésicos podem expressar uma totalidade sintomática que convirjam em características dos modos reacionais de características morfofisiológicas peculiares, como se fossem identidades próprias.

Assim, facilitam a repertorização de princípios ativos condizentes com esse tipo de “RG animal”, a propiciar saúde duradoura – e possiblidades de enfrentamento ante os desafios ambientais e sanitários, que impactam no fenótipo de forma direta, com maior acurácia.

REFERÊNCIAS

– Características Indesejáveis. Aprumos. Em IZ 48. Boletim Técnico. Série Tecnologia APTA, 2ª edição, 2007. Nova Odessa (SP). Autores: Eduardo Antonio Cunha; Luiz Eduardo dos Santos, Mauro Sartori Bueno, Cecília José Veríssimo

– Descartes de Ovinos. Principais causas de descarte. Defeitos corporais. Em Criação de Ovinos, 3ª edição, 2006. Jaboticabal (SP). Autor: Américo Garcia da Silva Sobrinho

– Os medicamentos constitucionais. Em Fundamento de Homeopatia Constitucional, 1ª edição, 1997. Autor: Romeu Carillo Júnior

– Organon da Arte de Curar de Samuel Hahnemann para o século XXI, 1ª edição, 2021. Autor: Marcelo Pustiglione

– Ruminantes. Osteologia. Em Anatomia dos Animais Domésticos. Getty, 5ª edição, 1981. Rio de Janeiro (RJ). Autor: Septimus Sisson

– Selecionar por aprumos é importante? Em Brasil com Z, 2021. Autor: William Koury Filho. Disponível em: www.brasilcomz.com/canal/blog/por-que-selecionar-para-aprumos-e-importante/95

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