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Revista Attalea Agronegócios
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ARTIGOS

[Ricardo Gomes da Silva] – Velocidade das mudanças e o Agro

RICARDO GOMES DA SILVA
Liga de Estudos em Mercados Agropecuários – Agronomia UFG
ricardoengambiental@gmail.com

 

No Brasil, a primeira ligação feita a partir de um telefone celular ocorreu em dezembro de 1990, no Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano foram habilitados cerca de 700 aparelhos. Hoje, o país tem mais de 300 milhões de dispositivos portáteis em uso, contra cerca de 210 milhões de habitantes. Em 1957 desembarca em terras tupiniquins o primeiro computador, o UNIVAC-1, que ocupava 32,5 metros quadrados e pesava cerca de 7,2 toneladas. Hoje os micro são mais acessíveis e portáteis.

As mudanças não se restringem à evolução dos equipamentos físicos. A popularização da internet permitiu uma difusão de informações nunca antes vista na história da humanidade. O conhecimento não está mais restrito à determinadas entidades ou centros de pesquisa, aumentando as possibilidades de desenvolvimento de negócios.

As alterações também são rápidas no perfil dos consumidores e novas necessidades têm surgido nos últimos anos, ou meses. Junto com essas carências surgem oportunidades para novos mercados e forçam a reinvenção de outros. Surgem fenômenos com serviços alternativos para transporte, finanças, plataformas de vendas, redes sociais, etc.

No agronegócio não é diferente. Muitas startups vêm desenvolvendo tecnologia que utiliza Big Data, sensores e soluções personalizadas para melhorar o desempenho da empresa rural. As companhias tradicionais também não ficam para trás, reinventando seus negócios, partindo para o mundo digital e criando novas plataformas. O meio ambiente e certificações vêm sendo objeto de agregação de valor e interesse de parte crescente da sociedade.

Diante desse cenário, é comum, em eventos do agro, termos palestras sobre a velocidade das mudanças e como devemos estar preparados para participar da revolução tecnológica.

Porém, ao analisarmos os nossos produtores, encontramos realidades muito distintas. Enquanto um pequeno grupo já trabalha com tecnologia de ponta, utilizando ao máximo as informações de mercado disponíveis, acompanhando tendências e empregando conhecimento a serviço da gestão e produtividade, temos uma grande quantidade de agropecuaristas que ainda têm muito a desenvolver na sua atividade: não possuem registro dos seus gastos; não utilizam índices de desempenho; não trabalham voltados para produtividade e relação benefício/custo, muitas vezes comprando insumos mais baratos disponíveis, independente da performance; dentre outras situações.

Outra cena recorrente é aquela onde o produtor adquire uma tecnologia, seja um equipamento ou serviço de elevado custo, mais ainda não realiza, com atenção, as operações essenciais básicas, como análise de solo estratificada, correção e adubação do solo e monitoramento de pragas.

Essa dualidade traz um alerta para que passemos a olhar com mais atenção para esse grupo de produtores que ainda não foram beneficiados com a evolução tecnológica e de informações que temos no mundo. Ao mesmo tempo que preocupa, essa carência mostra uma oportunidade para aumento de produtividade em inúmeras propriedades rurais que vêm sendo mal geridas, além do desenvolvimento de novos negócios, principalmente voltados para o pequeno e médio produtores rurais.

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