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Revista Attalea Agronegócios
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Frutas

Nova virose do maracujá no Brasil

Pela primeira vez Sida mottle Alagoas virus é detectado infectando maracujá em Mossoró (RN).

O gênero Passiflora possui cerca de 500 espécies de plantas, em sua maioria trepadeiras, mas podem ser encontradas também como arbustos e herbáceas. Sua origem é da América do Sul e são conhecidas popularmente pelo seu fruto, o maracujá. Seu uso principal é para consumo humano, por exemplo no preparo de sucos, doces, geleias, sorvetes, licores, princípios farmacêuticos, entre outros.

O Brasil é o maior produtor e consumidor mundial de maracujá, onde as espécies mais cultivadas são: maracujá-doce (Passiflora alata), maracujá-roxo (Passiflora edulis) e maracujá-amarelo (Passiflora edulis f. flavicarpa). Em 2017, a produção nacional totalizou em 554 mil toneladas em uma área plantada de 41 mil hectares. Bahia, Ceará, Santa Catarina e São Paulo são os Estados que se destacaram. Apesar de ser responsável por aproximadamente 80% da produção mundial do fruto, o país não é o maior exportador – sendo este o Equador. A maior parte do que produz é voltado pro abastecimento do mercado interno.

Um estudo publicado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), relata maracujazeiros no município de Mossoró (RN) apresentando mosaico severo com manchas amarelas e deformação foliar, sintomas normalmente associados à infecção por begomovírus. Foi feita amostragem das plantas sintomáticas e em seguida testes laboratoriais para averiguar o que estava causando tal anomalia.

As plantas coletadas estavam infestadas por mosca-branca que, de acordo com o diagnóstico, indicou similaridade com a espécie Bemisia tabaci do Oriente Médio-Ásia Menor 1 (anteriormente denominada de biótipo B). Além disso, os resultados das análises moleculares (feitas através das amostras foliares e de moscas-brancas extraídas de plantas sintomáticas) mostraram que se tratava de uma infecção causada pela espécie Sida mottle Alagoas virus. Para confirmar a infectividade do vírus, ocorreu a inoculação do patógeno em plantas saudáveis e, após 15 dias, as plantas desenvolveram sintomas semelhantes aos exibidos por plantas infectadas no campo, confirmando a infecção em maracujazeiro por Sida mottle Alagoas virus.

Este é o primeiro relato de Sida mottle Alagoas virus infectando naturalmente maracujá no Brasil. O vírus havia sido encontrado anteriormente em plantas de Sida spp. e Solanum lycopersicum (tomate).

Já se sabe que a incidência e a gravidade das doenças causadas por begomovírus em culturas economicamente importantes está ligada também à incidência de Mosca-Branca na plantação por ser vetor para a maioria das espécies desse gênero viral. Um agravante é que a Mosca-Branca possui uma ampla gama de hospedeiros e possui um grande potencial de disseminação. Essas características favorecem a transmissão do begomovírus para novos hospedeiros cultivados, fazendo necessário que mais estudos sejam feitos para avaliar o impacto que Sida mottle Alagoas virus pode causar para a cultura do maracujá e determinar medidas para manejo da doença.

Nota: [1] Embrapa

Para saber mais: Mituti et al. (2018)

Foto: Daleys Fruit (2016)

Fonte: Defesa Vegetal

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