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Revista Attalea Agronegócios
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ARTIGOS Café

[NECAF – UFLA] – Ocorrência de Plantas Daninhas no Cafeeiro: o que deve ser feito?

Thales Lenzi Costa NascimentoGraduando em Agronomia pela Universidade Federal de Lavras – UFLA; membro do Grupo de Estudos em Herbicidas, Plantas Daninhas e Alelopatia (GHPD/UFLA) e Núcleo de Estudos em Cafeicultura (NECAF/UFLA). E-mail: thaleslenzi@agronomia.ufla.br

Dalyse Toledo CastanheiraDoutoranda em Agronomia – Fitotecnia pela Universidade Federal de Lavras – UFLA; membro do Grupo de Estudos em Herbicidas, Plantas Daninhas e Alelopatia (GHPD/UFLA) e Núcleo de Estudos em Cafeicultura (NECAF/UFLA). E-mail: dalysecastanheira@hotmail.com

Giovani Belutti VoltoliniGraduando em Agronomia pela Universidade Federal de Lavras – UFLA; membro do Grupo de Estudos em Herbicidas, Plantas Daninhas e Alelopatia (GHPD/UFLA) e Núcleo de Estudos em Cafeicultura (NECAF/UFLA). E-mail: giovanibelutti77@hotmail.com

https://www.facebook.com/necaf.ufla/

 

Prejuízos causados pelas plantas daninhas no cafeeiro

A competição com plantas daninhas é muito intensa na cultura do café, uma vez que, as raízes absorventes do cafeeiro crescem superficialmente no solo, local esse onde a maioria das raízes das plantas daninhas estão presentes.

As plantas daninhas fazem com que o cafeeiro seja mais sensível ao déficit hídrico e dificultam a prática de varrição, propiciando grande perda de grãos, além da queda no rendimento, a proliferação de pragas e a maior ocorrência de doenças.

A competição existente nas fases iniciais de crescimento da lavoura cafeeira não só atrasa o estabelecimento, mas também faz com que o tempo necessário para a cultura atingir o estádio reprodutivo seja mais tardio e a capacidade reprodutiva da planta reduzida.

Quando realizar o manejo?

No cafeeiro, assim como em outras culturas, o manejo das plantas daninhas é realizado durante todo o ciclo de vida da cultura. No entanto, o momento exato para o controle das plantas daninhas está relacionado ao período crítico de competição. Período esse que estabelece a época do ano, meses, em que a competição das plantas daninhas com o cafeeiro é mais delicada e sua ocorrência causará perdas significativas no desenvolvimento e na produção das plantas de café. Ou seja, o período crítico de competição é o período em que o cafeeiro deve ser mantido livre das plantas daninhas.

O período crítico de competição coincide com a estação das águas, época chuvosa, que ocorre, geralmente, durante os meses de outubro a março.

Entretanto, o manejo das plantas daninhas no cafeeiro deve levar em consideração a idade das lavouras. Em lavouras jovens a competição das plantas daninhas com a cultura do café é maior, devido à maior área de solo livre que possibilita maior infestação e desenvolvimento das plantas invasoras. Nesse caso, o período crítico de competição se estabelece desde a implantação da lavoura até a fase de produção.

Métodos de controle

O manejo ideal de plantas daninhas, chamado de Manejo Integrado de Plantas Daninhas, é aquele onde há a integração de mais de um método de controle, que visa reduzir custos em controles desnecessários, reduzir tratos culturais, reduzir a erosão, evitar o surgimento de plantas daninhas resistentes e proteger o meio ambiente.

Um método muito usado, atualmente, no cafeeiro é a utilização de cobertura morta, esse manejo utiliza a braquiária, por exemplo, nas entre linhas da lavoura. Quando a braquiária apresenta boa altura, ocorre seu corte e esse material é colocado debaixo da saia da planta de café.

O uso de culturas intercalares, como por exemplo, o plantio de feijão é um método que visa o aumento da renda e maior aproveitamento da área disponível, é um dos métodos mais usado pelos pequenos produtores. Há alguns aspectos importantes nesse método, como por exemplo: a cultura intercalar deve ter pequeno porte, ciclo curto, baixa exigência nutricional e baixa necessidade de água e luz. Esses cuidados são importantes para que não ocorra a competição entre as culturas.

Um método alternativo para o manejo de plantas daninhas é o uso do tapete “spin out”. O tapete “spin out” é um tecido produzido de papel reciclado na forma de tapete, mas seu uso gera controvérsias pois os produtores se queixam da dificuldade de realizar uma adequada adubação.

E por fim há os dois métodos mais utilizados pelos cafeicultores que é o mecânico através do uso de enxadas e roçadoras, e o químico através do uso de herbicidas.

O método químico nada mais é do que a pulverização direcionada do herbicida na planta alvo, enquanto que, o método mecânico é o uso da capina e da roçada.

No método químico há herbicidas pré ou pós-emergentes. Os pré-emergentes são aplicados no solo quando as plantas daninhas ainda não emergiram e os pós-emergentes exercem ação sobre as plantas que já emergiram, através da absorção pelas folhas.

O controle mecânico se destaca como uma alternativa para o manejo de populações de plantas daninhas resistentes. As plantas resistentes, como o próprio nome diz, não são mais controladas pela aplicação de determinado herbicida, logo a capina ou a roçada podem agir de forma preventiva à proliferação dessas plantas resistentes. O controle mecânico deve ser realizado antes que ocorra a floração dessas plantas evitando assim a dispersão de sementes e consequentemente o aumento da infestação.

Controle químico: Principais cuidados

O controle químico é um método que apresenta excelentes resultados, mas desde que seja feito de forma correta.

Um aspecto importante, em relação ao uso de herbicidas, é o fenômeno da deriva, desvio do produto aplicado da planta alvo, que causa sérios prejuízos para o cafeicultor. A ocorrência da deriva pode levar à fitotoxidez do cafeeiro, sendo que, as plantas atingidas, na maioria das vezes, perdem área foliar, diminuem sua atividade fotossintética, e, consequentemente, reduzem o seu desenvolvimento.

Há alguns cuidados de extrema importância que devemos nos atentar para realizarmos a aplicação direcionada do herbicida, tais como: o tamanho das gotas deve estar adequado à condição climática presente no local; a pulverização deve ser realizada em horários com baixa temperatura e que apresente maior umidade relativa do ar; disponibilização de EPI, água e detergente ao operador; e por fim a água utilizada na calda deve ter poucas partículas, pois pode afetar a eficiência do produto ativado em até 50%.

Uso intensivo de Herbicidas

Como já abordado anteriormente, é importante ressaltar que sempre deve se optar pela integração dos métodos de controle. O uso intensivo do mesmo herbicida ou de herbicidas com o mesmo mecanismo de ação vem contribuindo para o aparecimento de populações de plantas daninhas resistentes, o que causa prejuízos ao cafeicultor onerando os custos de produção.

Em casos de resistência de plantas daninhas, outras técnicas de controle, sem o uso de herbicidas, devem ser adotadas. Métodos de controle como o uso da roçada, o cultivo de culturas intercalares, o uso de cobertura morta e o controle biológico são alternativas de sucesso para o manejo de populações de plantas daninhas resistentes.

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