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[Marcelo Fraga Moreira] – Mercado do Café – “Uma HONDURINHAS não faz verão!!”

MARCELO FRAGA MOREIRA
[Comentário Semanal – 27/02 a 03/03/2023]
É um profissional há mais de 30 anos atuando no mercado de commodities agrícolas,

escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting –
Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.
www.archerconsulting.com.br

O Set-23 terminou a semana @ 175,65 centavos de dólar por libra-peso (caiu -4,40% ou -810 pontos). Após uma segunda-feira com pouco volume (apenas +22.300 lotes negociados) e após o Set-23 não conseguir romper as importantes resistências dos +50 e +100 dias (ao redor dos +188/+192 centavos de dólar por libra-peso) os “vendidos” voltaram a levar o mercado para baixo. O volume médio diário nos 3 pregões seguintes voltou a ficar ao redor dos +38.500 lotes/dia “derrubando” o Set-23 praticamente -1.000 pontos.

A grande e estupida desculpa para justificar essa queda nos preços foi “o aumento das exportações de Honduras no mês de fevereiro-23 em +32%, exportando aproximadamente +863.901 sacas”.

O que deveria ser mais noticia no mercado: Honduras exportando +32% em fev-23 x fev-22 ou o Brasil reduzindo suas exportações em -550/-600 mil sacas no mês de fevereiro-23 em comparação a jan-23?

Ou, comparando na mesma base, Honduras exportando +32% em fev-23 x fev-22 ou Brasil exportando -36,50% em fev-23 x fev-22? Em fev-22 o Brasil exportou +3,54 milhões de sacas e em fev-23, por enquanto apenas +2,28 milhões de sacas!

Ora, Honduras colocou no mercado então entre +180.000/+250.000 sacas e o Brasil retirou do mercado -1.303.000 sacas! Ou seja, na posição “net” o mundo perdeu -1.050.000 sacas! Na sexta-feira a Indonésia anunciou que reduziu as exportações da província de Lampung para apenas +250.000 sacas em janeiro-23 – uma queda de -32,58%!

Agora, vejam como são os “números”… Uma casa informa que “Honduras exportou +863.901 sacas em fev-23”. Já em outra matéria, Honduras exportou +662.324 sacas! Em quem acreditar?

As exportações hondurenhas de café em fevereiro aumentaram 31,8% em relação ao ano anterior, impulsionadas por um aumento na demanda do mercado, indicou o Instituto Hondurenho do Café. O maior exportador da América Central embarcou 662.324 sacas em fevereiro, ante 502.521 no ano anterior”.

Da mesma forma, como pode a Secex* informar que o Brasil exportou +2.040.000 sacas em fev-23 e a Cecafé* já ter nos seus controles +2.280.255 sacas em fev-23?

A impressão que fica no mercado é que existem muitos “analistas”/bancos/corretoras querendo derrubar o mercado a qualquer preço, “plantar”, “jogar” notícias sem entender e sem analisar os fundamentos, os números, e os impactos desse “quebra-cabeças” no cenário macro global do famoso quadro da “Oferta x Demanda” – o famoso “S&D” (supply & demand).

Não sou o “dono da verdade”, mas creio que na semana o que “derrubou” o mercado novamente foram os fundos vendendo. Não teve nada a ver com Honduras, com Brasil, com Indonésia, com o R$ (o R$ trabalhou a semana inteira no intervalo entre +5,18/+5,24 R$/US$). Com as chuvas ou estiagem na zona produtora. Ou até mesmo com a redução no consumo interno brasileiro – segundo a Abic* em 2022 o consumo interno reduziu de +22,30 milhões de sacas para +21,30 milhões de sacas!

Hoje os algoritmos e os movimentos dos grandes fundos ditam o mercado. Se o computador determina que em um determinado momento a “resistência X” não foi rompida, se o volume em determinado momento Y diminuiu, se novas ordens de venda voltaram a entrar com força, com volume, então uma simples “inteligência artificial” entra em ação ajudando a seguir o movimento “vendendo ou comprando”.

Como dito acima, o Set-23 tinha importante resistência @ 188/191 centavos de dólar por libra-peso. O indicador estocástico estava indicando “mercado sobre-comprado”. Não conseguindo romper essas resistências os suportes das médias móveis dos +9 e +17 dias voltaram a ser “testadas” pelos fundos/algoritimos abrindo espaço para testar novamente a média móvel dos +100 dias @ 169,70 centavos de dólar por libra-peso. O indicador estocástico continua indicando vendas no curto prazo. Então, pode ser que o Set-23 volte a cair mais um pouco nos próximos dias antes de voltar a subir novamente.

Como já falamos aqui, o mercado é e será sempre soberano.

Se o Set-23 romper o próximo suporte da média-móvel dos +50 dias (fechou a sexta-feira @ 169,70 centavos de dólar por libra-peso) o Set-23 poderá ir buscar o piso da banda de Bollinger dos +50 dias @ 148,30 centavos de dólar por libra-peso (eu particularmente não acredito numa queda tão forte assim antes de agosto/setembro-23, após a finalização da colheita da safra 23/24).

Se tiver força e conseguir romper a primeira resistência da média móvel dos +17 dias (@ 179 centavos de dólar por libra-peso), então poderá fazer novo “pivot de alta” e buscar os +183 e +190 centavos de dólar por libra-peso!

Agora, o que não pode continuar é um mercado com tanta gente “em cima do muro”, com medo, receio de colocar o “seu na reta”, e “jogando” informações” no mercado sem analisar os impactos no S&D de curto/médio e longo prazo!

Nessa semana o Rabobank informou que estão revisando os números da safra atual e da próxima safra 23/24. Deverão divulgar os novos números até o final de março. Acreditam em um mercado mais firme no curto prazo e para o próximo ano acreditam nos preços entre +160/+170 centavos de dólar por libra-peso (podendo chegar até +190 centavos de dólar por libra-peso e em momento de stress nos +150 centavos de dólar por libra-peso) – concordo com eles no piso, entre +150/+140 centavos de dólar por libra-peso, mas no teto creio que +200/220/250 poderá ser testado se o déficit global se confirmar (análise na sequência).

O Rabobank também reduziu a sua expectativa para a produção total de café global passando de +172,30 milhões de sacas para +169,00 milhões de sacas. Com isso, o superavit inicialmente esperado em +1,70 milhões de sacas virou um déficit em -1,30 milhões de sacas!

Dependendo da revisão a ser apresentada até o final de março, esse déficit deverá ser ainda maior, uma vez que o Rabobank já realizou uma redução na sua estimativa inicial, passando de +64,50 milhões de sacas para +63,20 milhões de sacas! A princípio, para a safra 23/24 continuam estimando uma safra brasileira em +68,50 milhões de sacas (segundo material publicado pela Reuters em 09/11/2022)!

Ora, buscando o “bom senso” para a produção brasileira na safra 22/23 (a média entre a estimativa da Conab* e a do Rabobank) então o Brasil deverá ter produzido na safra 22/23 algo ao redor dos +57/+58 milhões de sacas! Essa safra 22/23 em +58,00 milhões de sacas, refletindo nos números do Rabobank, deveria produzir um déficit global não de “apenas” -1,30 milhões de sacas mas sim em déficit ainda não mencionado por nenhum grande banco/corretora/analista em incríveis -7,70 milhões de sacas!

Essa notícia sim deveria “fazer” preço e ser publicada em “LETRAS MAIÚSCULAS” nos principais meios de comunicação. Quem estiver “vendido” muito cuidado pois já vimos como os fundos/tubarões operam! Quando sentem “sangue” na água vão atras das presas sem piedade! Será que os fundos + especuladores já estão “long”/comprados novamente?

A safra 23/24 deverá começar com o robusta na segunda quinzena de abril. Muitas duvidas continuam nesse inicio de safra, principalmente como será a disponibilidade de mão de obra e a produtividade!

As estimativas continuam entre +54,00 / +68,50 milhões de sacas. Ah! E ainda tem a Ecom com a estimativa incrível em +76,60 milhões de sacas (+52,40 milhões de sacas para o café tipo arábica e +24,20 milhões de sacas para o café tipo robusta).

Os estoques certificados continuam sendo consumidos e terminaram a semana com +774.646 sacas.

A posição dos fundos + especuladores continua atrasada, então vamos aguardar até estarem “em dia” para voltar acompanhar! Não faz sentido ficar fazendo “analises/projeções/ com números publicados com -30 dias de atraso!

Segundo a Cecafé, até o dia 03 de março o Brasil já havia solicitado “emissão para embarque” em +356.464 sacas (esse dado inicial projeta uma exportação para o mês de março-23 em +3.564.000 sacas – porém acreditamos que esse número deverá convergir até o final do mês para uma exportação novamente entre +2.00/+2.30 milhões de sacas).

O que vai acontecer quando o mundo “acordar” e ver que o Brasil no ano safra 22/23, entre julho-22/junho-23 exportou apenas +33,00/+34,00 milhões de sacas a não os +38/39/40 milhões de sacas antes estimada pelos grandes bancos/tradings/corretoras/alguns analistas?

E se tiver alguma surpresa com a safra brasileira 23/24? Se tiver algum evento climático? Então os +250 centavos de dólar por libra-peso “é logo ali”!

Façam suas apostas, analises, e posicionem-se! O tempo dirá quem estava certo referente a safra 22/23 e quem está certo referente a safra 23/24!

Como sempre, PROTEJAM-SE!

Boa semana a todos!

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