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Revista Attalea Agronegócios
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ARTIGOS Café

[José Donizete Alves] – Considerações gerais e aspectos fisiológicos acerca da estimativa da safra de café arábica a ser colhida em 2018

JOSÉ DONIZETI ALVES

Engº Agrº, Profº Depto Biologia e do Programa de Pós-Graduação em Fisiologia Vegetal / UFLA

CLAYTON GRILLO PINTO

EngºAgrº, Assessor Técnico e Consultor autônomo em cafeicultura Mestre em Agronomia/Fitotecnia.

 

A primeira estimativa da safra 2018 divulgada pela CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento, indica que a produção de café arábica do Brasil deverá ficar entre 41,74 e 44,55 milhões de sacas de 60kg. Esses números mostram que, na média (43,15 milhões), a safra 2018 poderá ser praticamente igual à safra 2016 (43,38 milhões), último ano de bienalidade positiva.

A partir desses números e com informações vindas do campo sobre as atuais condições das lavouras, aliadas às condições climáticas observadas do período que antecedeu a florada para cá, podem ser feitas importantes reflexões. E, com base na fisiologia do cafeeiro, procurar entender o que aconteceu e, assim, inferir com maior segurança sobre a safra do corrente ano.

Como já previsto em função da seca, das altas temperatuvas e da desfolha, o pegamento da florada ficou aquém do que seria considerado normal, algo entre 60% e 80%. Aliado a isto, ocorreu queda de chumbinhos e de frutos em expansão, com percentuais variados de uma lavoura para outra dentro da mesma fazenda, entre fazendas e de uma região para outra, tendo sido relatadas quedas de 20% a 40%, chegando em alguns casos a 50%.

Em função desses fatores, o aspecto visual da atual carga mostra que existem nós sem nenhum fruto (nós vazios) e rosetas com poucos frutos (rosetas banguelas), embora seja possível observar, no mesmo ramo e na mesma planta, muitas rosetas cheias e com bom número de frutos, variando de 12 a 20.

sintomas de Mancha-de-Phoma (Créditos: Agência Minas)

Quanto ao aspecto vegetativo, observa-se uma boa recuperação no enfolhamento das lavouras e lançamento ativo de nós. Cafezais cuja maioria das rosetas estão cheias, enfolhadas e com 8 a 12 novos nós, comumente são encontrados em propriedades que empregam alto nível tecnológico.

Apesar dos pontos negativos citados, espera-se que as produtividades ainda sejam boas, com médias que variam, em função de maiores ou menores perdas e do nível de tecnologia de cada cafeicultor, entre 30 e 60 sacas beneficiadas por hectare, se não houver nenhum contratempo.

Estresse hídrico e doenças são causas de queda de chumbinhos. (Créditos: Agência Minas)

Desta maneira, a safra deste ano de café arábica deverá situar-se próxima ao limite inferior daquela preconizada por este levantamento da CONAB. Para essa premissa admitimos que a diferença entre as safras 2018 e 2017 será a mesma que houve entre 2016 e 2015.

Sobre a safra de 2017, acrescentamos essa diferença, já descontada a queda de frutos e adicionamos o volume de café dos cafeeiros que entraram em produção em 2018. Ao nosso ver, isto explica o costumeiro sentimento de que a safra prevista é sempre maior que aquela esperada por muitos, uma vez que estes descontam o percentual da queda de frutos da produção total e não da diferença entre os dois anos.

Um aspecto decorrente da leitura deste texto, que pode intrigar alguns cafeicultores é a presença de nós vazios, rosetas banguelas e rosetas cheias em um mesmo ramo plagiotrópico. Como já explicamos em várias ocasiões, o que garante fisiologicamente a permanência e o enchimento dos frutos de café é a fotossíntese atual das folhas presentes nos nós onde a roseta está situada, além de adequada reserva de carboidratos no ramo.

Daí surgem algumas situações: caso as folhas do nó onde a roseta está situada estejam ausentes ou, se presentes, estiverem comprometidas em sua função fotossintética e, consequentemente, a porção do ramo com baixa reserva de carboidratos, todos os frutos dessa roseta caem gerando nós vazios.

Caso ocorra, por algum motivo, déficit de carboidrato na porção do ramo e a fotossíntese das folhas adjacentes a esse nó esteja ativa ou vice-versa, haverá queda parcial de frutos e a roseta será banguela. Por outro lado, se as folhas estiverem fotossinteticamente ativas e a porção do ramo com boas reservas de carboidratos, a roseta ficará cheia.

Além da função fotossintética, as folhas são responsáveis pelo fluxo de água das raízes até os frutos. Em situações em que as folhas caíram ou se encontrem fisiologicamente comprometidas, esse fluxo de água é interrompido e os frutos presentes nas rosetas desses nós ficam opacos, murcham e caem, situação observada em grande parte das lavouras nesta safra.

É importante destacar que, além dos aspectos fisiológicos relacionados às influências climáticas e à queda de frutos de rosetas muito cheias (expulsão natural), há também a influência de fatores patológicos. Doenças como Phoma e Antracnose também provocaram queda e mumificação de chumbinhos, acometendo total ou parcialmente as rosetas, o que chama atenão para a necessidade de se valorizar ao máximo os estudos e observações que visam proteger as plantas, de forma preventiva, dos patógenos que vem trazendo prejuízos ao cafeicultor.

Finalmente, não se pode descartar dessas considerações alguns aspectos que tem levado direta ou indiretamente o Brasil a aumentar sua produção e a qualidade de seu café ano a ano. Destaque deve ser dado à contribuição no avanço no conhecimento e geração de tecnologias pelas universidades, órgãos de pesquisa e empresas, que tem permitido o surgimento, a cada ano, de variedades mais produtivas e resistentes; de máquinas, implementos e insumos de tecnologia mais avançada; além de novos métodos de manejo da lavoura.

Paralelamente, o cafeicultor vem se tornando cada vez mais profissional e participativo em eventos técnicos como congressos e afins, em busca de novos conhecimentos.

Além do mais, existem aqueles que contam com assessoria técnica exclusiva ou autônoma, e também os que recebem apoio das cooperativas, multinacionais, revendas de insumos e de órgãos como EMATER (através do Certifica Minas) e SEBRAE (como o Educampo), que atendem tanto individualmente quanto em grupo.

Desse modo, se por um lado existem períodos de clima desfavorável, que “puxam” a produção e a qualidade para baixo, existem todos estes fatores científicos, tecnológicos, institucionais, de boas práticas, gerenciais e pessoais, que alavancam a produção. E, apesar dos desafios, os bons resultados estão sendo obtidos com muito esforço dos cafeicultores.

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