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Iniciativa Caminhos da Semente coloca em prática plano de ação para recuperar vegetação nativa

A Fazenda Monte Branco, em Piracicaba (SP), vai recuperar uma área de 5 hectares com semeadura direta, método de plantio de sementes nativas.

A semeadura direta é um método para recuperação de vegetação nativa que pode ter um custo até três vezes menor do que os métodos convencionais, mas ainda assim é pouco conhecida por proprietários rurais e empresas interessadas em fazer restauração.

Para divulgar os seus benefícios e resolver os gargalos que ainda dificultam o seu uso, foi criada a Iniciativa Caminhos da Semente, rede de organizações liderada pela Agroicone, em parceria com o ISA – Instituto Socioambiental e com apoio do programa do Reino Unido Partnerships For Forests (P4F). Entre as ações que serão realizadas com esse objetivo estão os plantios, como é o exemplo do que vai acontecer na Fazenda Monte Branco, em Piracicaba (SP), especializada em pecuária, e que no próximo dia 9 de dezembro vai realizar o plantio de 5 hectares.

O plantio da Fazenda Monte Branco será coordenado pela Iniciativa Verde, ONG que atua com projetos ambientais e possui vasta experiência com a semeadura direta no Estado de São Paulo, atuando junto às redes de coletores de sementes, principalmente na região do Vale do Ribeira, e proprietários interessados em restaurar.

“Com o método da semeadura direta nós alcançamos redução de custos e eficiência econômica, que é importante para organizações como a nossa e para quem vai investir na restauração, aliada com a eficiência ecológica, utilizando espécies mais adequadas ao desenvolvimento de cada região. A demanda pelo insumo, que é a semente, cria mercado para as comunidades que habitam perto das florestas, com a floresta sendo um recurso importante para geração de renda desses grupos”, afirma Roberto Resende, presidente da Iniciativa Verde.

As redes de coletores de sementes são formadas, geralmente, por comunidades rurais, indígenas, quilombolas, assentados e outras populações tradicionais, com forte participação das mulheres. “A coleta de sementes é uma oportunidade de geração de trabalho e renda para as comunidades e ao mesmo tempo promove o engajamento dos coletores na preservação ambiental. Queremos contribuir para fortalecer e profissionalizar essas redes”, afirma Eduardo Malta, Coordenador Técnico de Restauração Florestal dos Programas Xingu e Ribeira, do ISA.

A Iniciativa Verde é uma das organizações que integram a Iniciativa Caminhos da Semente e que contribuiu para a elaboração do Plano de Ação estratégico da Iniciativa, que teve a participação de mais de 250 especialistas atuando em mais de 160 organizações interessadas em apoiar a semeadura direta em diversos estados.

“Nós verificamos que a semeadura direta ainda é um método pouco usado no Brasil, apesar de suas vantagens econômicas e socioambientais, porque existem barreiras importantes para serem resolvidas, sendo uma delas o baixo conhecimento do método em São Paulo”, explica Laura Antoniazzi, sócia da Agroicone e coordenadora geral da Iniciativa.

Como funciona

O método consiste em plantar, em solo previamente preparado, uma mistura de sementes de diversas espécies nativas, adequada a cada bioma e fitofisionomia. Para cobrir rapidamente o solo e competir com o capim, a mistura de sementes inclui também espécies de leguminosas usadas como adubação verde, como feijão guandu.

Assim, as leguminosas promovem uma cobertura durante os primeiros dois anos, o que favorece o desenvolvimento das árvores. Outra característica é que o plantio pode ser feito com máquinas e tratadores já usados em propriedades agrícolas, como plantadeiras de grãos, ou calcareadeira e adubadeira, sem necessidade de investimento adicional com equipamentos e acompanhamento de agricultores. A partir de dois anos aparecem árvores e arbustos pioneiros, e no período de 10 anos completa-se a recuperação da mata, com uma formação semelhante à vegetação original.

O roteiro da atividade

O plantio terá início a partir de 9h00, com separação, pesagem e mistura das sementes e posterior adição de areia na mistura. Essa primeira etapa do processo será feita durante a manhã, se encerrando até o intervalo de almoço, às 12 horas. Após o intervalo, será feito preparo e regulagem da máquina calcareadeira, sendo necessário 1 hora para esse trabalho. A seguir, será feito o plantio com a máquina (se houver tempo seco), encerrando o trabalho até 17 horas. Se houver chuva, o plantio será manual e nesse caso será realizado em dois dias.

Samuel Terenciani Campoy, encarregado agrícola da Usina Santa Isabel. Emerson Viveiros, engenheiro de meio ambiente na AES Tietê. Eduardo Malta, Coordenador Técnico de Restauração Florestal dos Programas Xingu e Ribeira, do ISA. Laura Antoniazzi, sócia da Agroicone e coordenadora geral da Iniciativa. Severino Silva, gerente da Flora Santa Helena e coletor de sementes. Analista de investimentos na Partnerships For Forests Latin America. (Créditos: Nina Jacob)

Sobre a Iniciativa Caminhos da Semente

A Iniciativa Caminhos da Semente é coordenada pela Agroicone, com apoio técnico do Instituto Socioambiental (ISA) e apoio técnico e financeiro do programa do Reino Unido Partnerships For Forests (P4F). Com o propósito de ampliar o uso do método de semeadura direta para a recomposição de vegetação nativa no Brasil, elaborou um Plano de Ação estratégico,em conjunto com 250 especialistas de 160 organizações dos setores privado e público.

A partir de outubro iniciou-se a implementação, com atividades de capacitação, assistência técnica para novos plantios, aumento da oferta de sementes, soluções regulatórias e divulgação de conhecimento sobre o assunto. O processo de elaboração do Plano de Ação entre fevereiro e julho de 2019 foi registrado em documentário:

https://www.youtube.com/watch?v=O0ABPxnuYck&t=61s

Sobre o Partnerships for Forests

O Partnerships for Forests (P4F) é um programa do governo do Reino Unido que visa catalisar negócios no setor de uso sustentável da terra. É um programa de três anos de duração na América Latina, com foco inicial em Brasil e Colômbia e financiado pelo Departamento de Negócios, Energia e Estratégia Industrial (BEIS). Possui também operações iniciadas em 2016 em países da África Central, Oriental e Ocidental e no Sudeste Asiático. É implementado pela Palladium e pela McKinsey&Company.

Sobre a Agroicone

Fundada em 2013, pela união de um grupo de especialistas do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (ICONE) que, desde 2003, produz estudos e pesquisas aplicadas e promove debates qualificados em temas do agronegócio brasileiro e mundial.

A Agroicone atua nas áreas de economia agrícola, bioenergia, conservação ambiental, comércio e negociações internacionais, trabalhando junto ao setor privado brasileiro e com diversas organizações internacionais de pesquisa e de políticas públicas. Mais informações: www.agroicone.com.br

Sobre o ISA

Há 25 anos o ISA atua para alcançar o equilíbrio entre a sociedade e a natureza e para valorizar a rica diversidade socioambiental brasileira. Lado a lado com comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas, parceiros históricos, desenvolve projetos que protejam seus territórios, fortaleçam suas culturas e saberes tradicionais, fomentem seu protagonismo político e desenvolvam alternativas econômicas sustentáveis à exploração predatória de suas terras.

O ISA tem escritórios e equipes permanentes em quatro estados da Amazônia e compromisso de longo prazo com parceiros das regiões do Xingu e do Rio Negro, além do Vale do Ribeira (SP), e escritórios em Brasília e São Paulo.

Sobre a Iniciativa Verde

A organização da sociedade civil trabalha desde 2005 com projetos de restauração florestal, mitigação e adaptação às mudanças climáticas e desenvolvimento rural sustentável. Já plantou 2,2 milhões de árvores em áreas de restauração, atuando em rede e como mobilizadora de recursos.

Seus programas CarbonFree e Amigo da Floresta possibilitam, respectivamente, o financiamento voluntário para fins de compensação de carbono e para a restauração florestal, e sua Calculadora de CO2 disponibiliza ao público o conhecimento sobre sua pegada de carbono pessoal.

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