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ARTIGOSCafé

[Grupo Vittia – Granorte] – Manejo da Adubação com Boro no Cafeeiro

RENATO PASSOS BRANDÃO

Engº Agrônomo, Mestre em Solos e Nutrição de Plantas e Gestor do Deptº Agronômico da Bio Soja.

E-mail: renatobrandao@biosoja.com.br 

EDER DE PAULA GUIRAU

Engº Agrônomo, coordenador Agronômico da Bio Soja.

 

GRUPO VITTIA = https://www.vittia.com.br

BIO SOJA = https://www.biosoja.com.br

 

O boro é um dos nutrientes mais limitantes à cultura do cafeeiro. Os solos cultivados com o cafeeiro, normalmente, possuem baixos teores do nutriente. Além disso, as perdas por lixiviação são significativas principalmente em solos com textura média a arenosa.

O boro atua em todas as fases fenológicas do cafeeiro. Atua na formação das raízes proporcionando um vigoroso sistema radicular, no pegamento da florada e na formação dos grãos do café.

Portanto, o cafeicultor deve realizar adubações de solo e foliares para a manutenção dos teores foliares de B na faixa adequada ao cafeeiro.

  1. Boro no solo

O teor total de B nos solos é variável ficando entre 1 e 270 mg/kg. Os maiores teores de B são encontrados nas regiões semi-áridas e áridas e os menores nos solos arenosos das regiões úmidas.

O B é um nutriente com alta mobilidade nos solos sendo suscetível as perdas por lixiviação principalmente nos solos com baixa CTC e com textura média a arenosa localizados em regiões com altas precipitações.

O teor de B total e B solúvel estão relacionados diretamente com o teor de matéria orgânica do solo. Assim, quanto maior o teor de matéria orgânica, maior o teor de B total e de B disponível para o cafeeiro. O aumento no teor de matéria orgânica no solo proporciona aumento na capacidade de retenção dos nutrientes (CTC) reduzindo as perdas do B por lixiviação e aumentando o efeito residual das adubações com B. Portanto, o manejo dos resíduos vegetais em lavouras cafeeiras é essencial para um suprimento adequado de B ao cafeeiro.

O fluxo de massa é o principal mecanismo de transporte do B da solução do solo para as raízes do cafeeiro, sendo absorvido na forma de ácido bórico (H3BO3).

  1. Fatores que afetam a disponibilidade do boro

A disponibilidade do B para o cafeeiro é afetada pelo pH do solo. A maior disponibilidade do B às plantas ocorre na faixa de pH entre 5 e 7.

Altas precipitações pluviométricas causam lixiviação do B e reduzem sua disponibilidade ao cafeeiro, principalmente em solos de textura arenosa.

As secas prolongadas reduzem a disponibilidade do B e podem induzir deficiência no cafeeiro. Ocorre menor decomposição da matéria orgânica, principal fonte natural de B nos solos tropicais.

  1. Funções do boro

O B difere dos demais nutrientes pois é o único que não foi identificado em nenhum composto vital das plantas. Além disso, não se identificou a participação do B em qualquer reação crucial para o metabolismo do cafeeiro.

O B está envolvido com a translocação dos açúcares, atuando no seu transporte das folhas para os demais órgãos da planta. Melhora a qualidade dos grãos e consequentemente a bebida do café.

Atua na produção da celulose e lignina, conferindo maior tolerância do cafeeiro às pragas e doenças.

O B está diretamente envolvido com o metabolismo do Ca, atuando na formação da parede celular.

Participa da reprodução do cafeeiro, melhorando a germinação do grão de pólen.

Exerce papel na divisão, maturação e na diferenciação celular.

O B é essencial para o metabolismo das auxinas e o crescimento das raízes do cafeeiro.

  1. Sintomas de deficiência de boro

O B é um micronutriente com baixa mobilidade no floema do cafeeiro. Portanto, os sintomas de deficiência do B ocorrem inicialmente nas folhas mais novas.

A deficiência de B desorganiza os vasos condutores do cafeeiro reduzindo a translocação dos fotoassimilados das folhas para os demais órgãos das plantas.

As folhas novas tornam-se cloróticas (amarelecimento) na base, pequenas e deformadas.

Com o agravamento da deficiência de B, as áreas das folhas cloróticas evoluem para necrose. Pode ocorrer morte da gema terminal e superbrotamento, com a formação de leque de brotações na ponta dos ramos do cafeeiro (Figura 1).

Pode ocorrer abortamento das flores e morte do sistema radicular do cafeeiro.

Figura 1. Deficiência do boro em cafeeiro. (Créditos: Fundação Procafé).

  1. 4. Manejo da adubação com boro

O B deve ser fornecido ao cafeeiro nas adubações de solo e nas pulverizações foliares.

A forma mais eficiente para o fornecimento do B ao cafeeiro é no solo. Desta forma, é possível manter um fornecimento constante deste nutriente para atender as necessidades do cafeeiro. As adubações foliares devem ser realizadas para a complementação da nutrição com B no cafeeiro.

4.1. Adubações de boro nos solos

O B deve ser aplicado antes do florescimento do cafeeiro e se houver necessidade, reaplicá-lo em janeiro, após a análise foliar. Em lavouras irrigadas, aplicar o B antes da indução do florescimento via água.

A dose do B aplicado em cafeeiro em produção varia de 3 a 6 kg/ha. A maior dose de B pode ser aplicada em solos com baixo teor de B e em lavouras com alto potencial produtivo (>60 sc. beneficiadas/ha). Nas demais lavouras de café, utilizar a menor do do B no solo.

A dose máxima de B por aplicação é de 3 kg/ha. Se houver necessidade da aplicação de doses de B superior a este valor, dividi-la em duas aplicações. A primeira aplicação deve ser realizada antes do florescimento do cafeeiro e a segunda aplicação entre dezembro e janeiro, após a análise foliar.

A Granorte, empresa do Grupo Vittia, possui fertilizantes granulados fornecedores de B ao cafeeiro (Tabela 1).

Tabela 1. Fertilizantes granulados de solo fornecedores de magnésio, boro e demais micronutrientes ao cafeeiro.

ProdutosGarantias (%)
CaMgSBZn
Gran Boro 1010 10
Gran Boro Magnésio302
Gran Mogiana25   

Atualmente, o magnésio (Mg) é um dos nutrientes mais limitantes a obtenção de altas produtividades no cafeeiro.

O Gran Boro Magnésio e o Gran Mogiana são fertilizantes granulados de solo fornecedores de B e Mg ao cafeeiro. Numa única operação, é possível o fornecimento do B e Mg, nutrientes deficientes na maioria dos solos cultivados com cafeeiro.

4.2. Adubações foliares com boro

Nas lavouras com a aplicação do B no solo, realizar de 2 a 4 adubações foliares anuais. A primeira adubação foliar deve ser realizada antes do florescimento e a segunda adubação foliar, cerca de 30 dias após a primeira adubação. As demais aplicações foliares com B devem ser realizadas até o final de março.

Normalmente, antes e logo após o florescimento do cafeeiro, o teor de B nas folhas do cafeeiro estará abaixo da faixa adequada. O período seco que antecede o florescimento do cafeeiro causa redução na disponibilidade e na absorção do B do solo, diminuindo o teor deste nutriente nas folhas do cafeeiro.

Recentemente, a Bio Soja lançou no mercado nacional, um fertilizante foliar fluido com uma formulação diferenciada (NHT® P-Boro-P). O B é complexado com polióis, garantindo maior translocação do nutriente no floema proporcionando um melhor aproveitamento deste nutriente no cafeeiro. A dose do NHT® P-Boro-P por aplicação é de 0,5 a 1 L/ha, dependendo do teor de B nas folhas e do manejo do B nas adubações de solo.

  1. Considerações finais

O B é um nutriente exigido e exportado em pequena quantidade pelo cafeeiro. Entretanto, é fundamental na fase reprodutiva do cafeeiro, maior pegamento da florada e na formação dos grãos, maior translocação dos fotoassimilados para os grãos do cafeeiro. Atua também na formação das raízes do cafeeiro e síntese de lignina e celulose, conferindo maior resistência às doenças.

A adubação com B no cafeeiro deve ser realizada no solo iniciando antes do florescimento do cafeeiro. Além disso, realizar adubações foliares com o NHT® P-Boro-P no cafeeiro.

Realizar análises foliares para o monitoramento dos teores foliares de B no cafeeiro.

 

“Nos tempos atuais de mudanças rápidas, a curiosidade é mais importante que o conhecimento.”

 Albert Einstein

Físico alemão (1879-1955)

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