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Revista Attalea Agronegócios
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ARTIGOS Bovinos de Leite

[Glayk Humberto e Vânia Mirelle] – Qual o melhor genótipo para produção de leite?

GLAYK HUMBERTO VILELA BARBOSA
Zootecnista, B.Sc Mestre Produção Animal Sustentável pelo Instituto de Zootecnia.
Jurado Efetivo de Raças Zebuínas e Assessor de Pecuária Leiteira.
E-Mail: 
glaykhumbertovilela@yahoo.com.br

VÂNIA MIRELE FERREIRA CARRIJO
Médica Veterinária, B.Sc Mestre Produção Animal Sustentável pelo Instituto de Zootecnia.
Docente do Centro Paula Souza. Atua na área de sanidade, escrituração
zootécnica e biotecnologia da reprodução.

A genética pode ser aplicada na pecuária de várias formas, como, por exemplo, em estudos funcionais em modelos biológicos de animais, em estudos populacionais e de genética da conservação, e em pesquisas e diagnósticos de doenças hereditárias. Mas, a principal aplicação da genética na pecuária de leite é na sua contribuição para o melhoramento dos animais para as características de interesse econômico por exemplo: produção de leite, produção de sólidos totais, saúde do sistema mamário, vida produtiva e reprodução.

Por possuir caráter científico e determinar uma resposta econômica imediata, a seleção para estas características envolve interesses de criadores a cientistas em um mesmo propósito. Com a comprovação da existência da herança genética para as características observáveis no final do século XIX, a atenção de muitos cientistas voltou-se para o desenvolvimento de métodos de seleção para características mensuráveis de implicação econômica, e ainda continua até os dias atuais, incorporando novas tecnologias nas metodologias.

Recentemente, as inovações tecnológicas na área da biologia molecular têm auxiliado no estudo e compreensão de processos genéticos que envolvem o DNA. Dentre estas tecnologias estão o sequenciamento do genoma e utilização de marcadores moleculares para polimorfismo de nucleotídeo único (SNP). A customização dessas tecnologias, principalmente dos marcadores moleculares do tipo SNPs, permite sua utilização em larga escala, não apenas em pesquisas científicas, mas também prática no processo de seleção dos animais.

Tal processo por sua vez, depende da natureza genética das características alvo, para melhor aplicação das tecnologias moleculares, bem como de qualquer outro tipo de metodologia de avaliação genética. Vale aqui um esclarecimento: o fenótipo é tudo aquilo que pode ser observado ou medido em um animal e é determinado por um componente genético (genótipo), um outro ambiental, e da interação desses componentes.

Por ser um país continental, o Brasil apresenta grande variação climática, com baixas temperaturas no inverno e verão quente, um regime de chuvas bem distribuído durante o ano todo, no sul, inverno seco com temperatura amena e verão quente e chuvoso, nas regiões centrais, clima tropical úmido, na região norte e semi-árido e na região nordeste.

O maior percentual da produção de leite nacional está concentrado nas regiões central e sul do país proveniente de animais mestiços. O melhoramento genético dos rebanhos leiteiros brasileiros, em geral, passa pela importação de sêmen. Todavia, para nossas condições criatórias, em consequência das diferenças de ambiente, os produtos destas importações muitas vezes têm evidenciado baixo desempenho produtivo. Segundo (CORRÊA et al., 2007), a interação genótipo-ambiente origina mudanças na ordem de classificação dos valores genéticos e nas variâncias genéticas.

A pecuária leiteira no Brasil cada vez mais está sofrendo mudanças devido às exigências de inovações tecnológicas para o aumento da produtividade e consequentemente da grande demanda de alimentos.

Em termos de processos inovadores, a alimentação e manejo dos animais tem se destacado, mas ainda falta conscientização por parte dos produtores no quesito de escolha do melhor genótipo para o ambiente produtivo.

Quando pensamos no ambiente deve se lembrar de alguns quesitos que anualmente condicionam a produtividade de uma propriedade como: temperatura, umidade relativa do ar, níveis de pluviosidade, em fim, todos os elementos climáticos, os quais podem alterar parâmetros fisiológicos indicando assim se o animal está fora da zona de conforto térmico.

Cada agrupamento racial apresenta em seus conjuntos de genes fatores condicionais para o conforto térmico. As raças taurinas europeias, por exemplo, apresentam uma zona térmica ideal, amplamente conhecida e pesquisada. Essas raças são originarias da zona de clima temperado, a qual é caracterizada por temperaturas amenas e níveis de umidade confortáveis. Portanto, quando criada na região de origem esses grupos genéticos conseguem expressar seu potencial produtivo máximo.

Ao contrario da zona temperada tem-se a zona tropical caracterizada pelas altas temperaturas e umidade do ar, quase que na totalidade do ano. Neste clima as raças zebuínas foram se estabelecendo pela considerável adaptabilidade térmica, diferentemente das raças europeias. O zebu apresenta mecanismos fisiológicos específicos em dissipar calor para o ambiente, consequentemente boa adaptabilidade térmica ao ambiente tropical. Entretanto, as raças europeias que exigem temperaturas mais amenas não conseguem expressar seu potencial genético quando são exploradas na zona tropical, pois sua zona de conforto térmico não é obtida.

Pensando nestes dois agrupamentos genéticos, taurinos e zebuínos, bem em como se ter um ganho elevado na produtividade para a produção de leite, o Brasil país de clima tropical, vem produzindo em larga escala animais oriundos da heterose destes dois agrupamentos. O maior efetivo deste cruzamento é entre a raça Gir Leiteiro com o raça Holandesa, o qual se caracterizou com o passar dos anos o Girolando e hoje possui uma associação própria que regulamenta este cruzamento e suas diversas composições genéticas.

Os controles das composições genéticas dos animais Girolando, são realizados mediante aos graus de introdução da genética zebuína ou holandesa, como a composição racial ½, ¼, ¾ e o bi-mestiço podem condicionar maior ou menor grau de adaptabilidade térmica ao ambiente tropical devido às próprias características das raças bases deste cruzamento.

Por isto ao escolher qual a composição genética dos animais Girolando, o produtor deve observar se o clima de sua propriedade oferece condições para que estes animais demonstrem seu potencial produtivo. Caso contrário, pode ocorrer oneração financeira mediante ao investimento de ambientes climatizados, por os animais não estarem na zona de conforto térmico.

No trabalho dos pesquisadores LIMA et al. (2013), o qual foi desenvolvido em uma propriedade com um clima bem característico, região do Paudalho, no Estado de Pernambuco, o acompanhamento das respostas fisiológicas ao calor bem como os dados meteorológicos indicaram que o composição genética ½ tem melhor adaptabilidade a altas temperaturas quando comparado ao ¾ e o bi-mestiço.

Um exemplo da necessidade de intervir no ambiente térmico para melhor produção é o estudo de ALMEIDA et al. (2011). Estes autores trabalharam com animais de composição 7/8 Girolando, os quais indicam que 7/8 seriam oriundos da raça Holandesa e o restante da raça Gir. Este estudo foi realizado na época do verão em uma região semiárida e os autores verificaram que os animais que recebiam resfriamento pelo sistema adiabático evaporativo, apresentaram melhor desempenho produtivo em relação aos que não recebiam. Este sistema é caracterizado pela evaporação da água através da passagem do fluxo de ar, provocando redução na temperatura ambiental.

Nos casos em que produtor deverá intervir na adequação do ambiente térmico é quando a composição genética dos animais tiver maior proporção de raça europeia, por isto não adaptada ao clima tropical e necessitando desta melhoria térmica no ambiente de produção.

Conclui-se que o criador deve caracterizar bem o clima de sua propriedade e optar por matrizes leiteiras com a composição genética que mais se adapta as estas condições climáticas.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, G. L. P.; PANDORFI, H.; GUISELINI, C.; HENRIQUE, H. M.; ALMEIDA, G. A.P. Uso do sistema de resfriamento adiabático evaporativo no conforto térmico de vacas girolando. Revista Brasileira Engenharia Agrícola e Ambiental, v.15, n.7, p.754–760, 2011.

CORRÊA, M.B.B. et al. Efeito da interação genótipo-ambiente na avaliação genética de bovinos de corte. Revista Brasileira Agrociência, v.13, p.153-159, 2007. Disponível em: <http://www.ufpel.edu.br/faem/agrociencia/v13n2/artigo03.pdf>. Acesso em: 10 set. 2018.

LIMA, I. A; AZEVEDO, M.; BORGES, C. R. A.; FERREIRA, M. A.; GUIM, A.; ALMEIDA, G. L.P. Termoregulação de vacas Girolando durante o verão no Estado de Pernambuco, Brasil. Acta Scientiarum. Animal Sciences Maringá, v. 35, n.2, p.193-199, Apr-June, 2013.

RORATO, P.R.N.; EVERLING, D.M.; VARGAS, A.D.F. et al. Estudo da tendência genética para as características de produção e de qualidade do leite em rebanhos da raça Holandesa no estado do Rio Grande do Sul. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 39., 2002, Recife. Anais… São Paulo: Sociedade Brasileira de Zootecnia/Gnosis, 2002. CD-ROM. Melhoramento Animal.

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