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[Gabriel Medina] – Participação brasileira em setores que melhor remuneram no agronegócio

GABRIEL MEDINA
Professor Associado da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de
Brasília (FAV/UnB). Professor dos Programas de Pós-graduação em Agronegócios da UnB e da
Universidade Federal de Goiás.

E-mail: gabriel.silva.medina@gmail.com

O senso comum levou o Brasil a ser visto como o principal exemplo de sucesso do agronegócio mundial. Estudo desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Agronegócios da Universidade de Brasília revela que a realidade é muito mais complexa, com corporações multinacionais estrangeiras controlando os segmentos agroindustriais intensivos em capital e em tecnologia do agronegócio realizado no Brasil e empresas brasileiras com maiores participações de mercado principalmente no setor agropecuário de produção primária.

O estudo revelou que a participação de grupos de capital brasileiro nas cadeias produtivas do agronegócio feito no Brasil em 2020 foi de 23,9% para soja, 47,2% para cana-de-açúcar, 57,9% para leite e 76,0% para carne bovina. Houve grande heterogeneidade entre os segmentos do agronegócio que podem ser divididos em três grupos principais:

1) Segmentos controlados por multinacionais estrangeiras,

2) Segmentos apoiados pelo Estado controlados por empresas brasileiras e,

3) Segmentos mistos com participação de empresas brasileiras e estrangeiras (Figura 1).  

Figura 1. Predominância de grupos econômicos brasileiros e estrangeiros em setores-chave das principais cadeias produtivas do agronegócio brasileiro em 2022. (Fonte: Medina & Pokorny 2022, adaptada por José Carlos de Sousa Júnior (Instituto Federal Goiano)).

Como os segmentos agroindustriais podem remunerar melhor o capital e o trabalho do que a produção primária na agropecuária, é fundamental explorar de que forma os investidores brasileiros podem se beneficiar do próspero agronegócio global ao investirem nos segmentos agroindustriais do agronegócio feito no Brasil. Segmentos agroindustriais incluem sementes, fertilizantes, máquinas, equipamentos, beneficiamento e comercialização.

Nos segmentos mistos, os investimentos estrangeiros e brasileiros favorecem o crescimento das cadeias produtivas e, assim, são benéficos para o país em curto e longo prazos. São segmentos em que não há barreiras que impeçam a entrada de empresas brasileiras, como é o caso das patentes. As políticas de apoio à ciência e tecnologia tendem a fomentar o desenvolvimento da cadeia de suprimentos como um todo, não apenas empresas específicas, gerando situações de ganho mútuo.

Link para o artigo publicado na revista Land Use Policy (Elsevier): https://authors.elsevier.com/a/1fQ9VyDvMLzNx

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