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Fundecitrus: Safra de laranja 2023/24 é reestimada em 307,22 milhões de caixas

A segunda reestimativa da safra de laranja1 2023/24 do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro, publicada em 11 de dezembro de 2023 pelo Fundecitrus, realizada com a cooperação da Markestrat, e professores titulares da FEA-RP/USP e FCAV/Unesp2, é de 307,22 milhões de caixas de 40,8 kg. Dessa produção total estimada, aproximadamente 27,60 milhões de caixas devem ser colhidas na região do Triângulo Mineiro.

Nesta atualização, a projeção inicial é reduzida em 2,12 milhões de caixas, o que corresponde à 0,7%. Este ajuste reflete o balanço considerando todas as variedades. As laranjas das variedades precoces, já colhidas praticamente em sua totalidade, foram beneficiadas pelas chuvas abundantes no início do ano, resultando em uma produção que superou a estimativa em 2,27 milhões de caixas.

Enquanto isso, a produção estimada das laranjas das demais variedades (Pera Rio, Valência, Valência Folha Murcha e Natal) sofre uma redução de 4,39 milhões de caixas, devido ao tamanho dos frutos que estão menores do que o esperado. A redução na safra não é ainda mais significativa porque a taxa de queda prematura de frutos dessas variedades, com exceção da Natal, está menor do que a projetada, compensando parcialmente o efeito da diminuição do tamanho das laranjas.

Um dos motivos que explicam por que os frutos não estão atingindo os tamanhos projetados é o volume de chuvas abaixo da média histórica que persiste desde o início das colheitas na maior parte do cinturão citrícola, apesar da frequência elevada das precipitações e das chuvas volumosas que ocorreram de janeiro a abril deste ano. As chuvas observadas no acumulado de maio a novembro contradizem as previsões climáticas, que apontavam para volumes com anomalias positivas nesta temporada devido ao fenômeno El Niño.

Essas previsões de chuva, que não se confirmaram, foram utilizadas em maio de 2023 como base para projetar o tamanho dos frutos. Além disso, as altas temperaturas que ocorreram nos últimos três meses favoreceram o aumento da taxa de evapotranspiração.

Observa-se também uma variação no tamanho dos frutos em regiões com diferentes níveis de severidade de greening, indicando que o aumento da intensidade da doença é uma das causas que está afetando o crescimento das laranjas.

Outro fator importante é o ritmo mais acelerado com que a colheita está progredindo, resultando em um período mais curto para o desenvolvimento dos frutos e uma quantidade significativa de laranjas colhidas antes da estação mais chuvosa do ano, época em que ocorre um maior enchimento das frutas.

Apesar de prejudicar o crescimento das laranjas, a colheita mais rápida emerge como uma estratégia para reduzir a taxa de queda de frutos, atenuando, assim, as perdas na safra. Contudo, é importante ressaltar que a taxa de queda de frutos ainda se mantém acima dos níveis históricos, principalmente, devido ao impacto do greening nos dias atuais.

A precipitação média no cinturão citrícola, acumulada de maio a novembro de 2023, foi de 427 milímetros, 13% inferior à normal climatológica (1991-2020). Em oito das 12 regiões, os acumulados de chuva nesse período ficaram abaixo da média histórica, totalizando 307 milímetros no Triângulo Mineiro (-25%); 372 milímetros em Bebedouro (-15%); 404 milímetros em Matão (-17%); 414 milímetros em Duartina (-21%); 479 milímetros em Brotas (-2%); 365 milímetros em Porto Ferreira (-22%); 479 milímetros em Limeira (-11%) e 471 milímetros em Avaré (-16%). Nas quatro regiões com desvios positivos, os acumulados foram de 559 milímetros em Altinópolis (+15%); 465 milímetros em Votuporanga (+11%); 429 milímetros em São José do Rio Preto (+5%) e 591 milímetros em Itapetininga (+2%). Os dados pluviométricos foram obtidos por meio da Climatempo Meteorologia e estão apresentados no Gráfico 1.

Na atual reestimativa, levando em consideração todas as variedades, são necessários 255 frutos para formar uma caixa de 40,8 kg, representando um acréscimo de oito frutos em comparação ao cenário previsto em maio. Essa quantidade corresponde a laranjas com 160 gramas, contrastando com o peso médio inicialmente projetado de 165 gramas. Se essa projeção se confirmar, as frutas apresentarão um peso inferior ao da média dos últimos 10 anos, que é de 163 gramas.

O tamanho médio dos frutos das variedades Hamlin, Westin e Rubi é de 293 frutos por caixa (139 gramas por fruto), confirmando a projeção feita na reestimativa de setembro. O tamanho das laranjas das outras variedades precoces também foi confirmado em comparação à projeção, com 251 frutos por caixa (163 gramas por fruto). Já o tamanho da laranja Pera, que havia sido reduzido na projeção de setembro, sofre outra redução nesta reestimativa, passando de 249 frutos por caixa (164 gramas por fruto) para 258 frutos por caixa (158 gramas por fruto). O tamanho das variedades Valência e Valência Folha Murcha passa de 222 frutos por caixa (184 gramas por fruto) para 233 frutos por caixa (175 gramas por fruto). A variedade Natal passa da projeção de 227 frutos por caixa (180 gramas por fruto) para 244 frutos por caixa (167 gramas por fruto). Os tamanhos por setor e variedade estão apresentados na Tabela 2.

A projeção da taxa de queda de frutos é revisada de 21,0% para 19,0%, em média, considerando todas as variedades. Na distribuição da taxa de queda entre as variedades, a da Hamlin, Westin e Rubi finalizou em 10,8% e a das outras variedades precoces em 12,1%. Pera Rio passa de 22,5% para 19,0%; Valência e Valência Folha Murcha passa de 25,5% para 22,0%; e Natal sobe de 26,5% para 28,9%. As taxas de queda por setor e variedade estão apresentadas na Tabela 3.

A colheita atingiu a marca de 82% da produção em meados de novembro, mostrando um ritmo muito mais rápido na comparação com os anos anteriores, quando, nesta mesma época, estava em torno de 60%. A colheita das variedades precoces, incluindo Hamlin, Westin e Rubi, já foi concluída, enquanto a colheita das outras precoces, abrangendo Valência Americana, Seleta, Pineapple e Alvorada, está praticamente encerrada, alcançando 97%. A colheita da Pera Rio atingiu 94%; Valência e Valência Folha Murcha, 67%; e Natal, 50%.

O método utilizado para a reestimativa é o mesmo adotado na safra anterior. As informações foram obtidas a partir da pesquisa de monitoramento realizada em 1.200 talhões a partir de maio, que deixam de ser visitados à medida em que ocorre a colheita completa. Outra fonte contemplada neste estudo é o tamanho dos frutos que são recebidos ao longo da safra pelas empresas de suco de laranja associadas ao Fundecitrus – Citrosuco, Cutrale e Louis Dreyfus – para fins de processamento industrial. Cada processadora fornece, sob confidencialidade, os dados individuais à empresa de consultoria independente para cálculo do tamanho médio dos frutos processados.

1 Hamlin, Westin, Rubi, Valência Americana, Seleta, Pineapple, Alvorada, Pera Rio, Valência, Valência Folha Murcha e Natal.
2 Departamento de Ciências Exatas, FCAV/Unesp Campus Jaboticabal.

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