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França se prepara para invasão de ‘percevejos diabólicos’ na próxima primavera

Originária da Ásia, a Halyomorpha halys, vem sendo se tornando cada vez mais comum na Europa. Inseto ataca principalmente plantações de maçã, pera, pêssego, kiwi e avelãs.

Conhecida como “percevejo diabólico”, a praga vem sendo se tornando cada vez mais comum na Europa. Na França, as autoridades registram a presença do inseto em todas as regiões, especialmente em Paris. Especialistas alertam para uma possível invasão a partir do início da primavera no Hemisfério Norte, no mês de março.

Basta que os termômetros comecem a registrar o aumento das temperaturas para que os “percevejos diabólicos” saiam de sua letargia invernal. Cientistas advertem que eles vieram para ficar… e por muito tempo. “Esperamos uma verdadeira explosão, em função das temperaturas”, diz Jean-Claude Streito, especialista em Halyomorpha halys à France Info. “Basta que a primavera seja quente e seca como na Itália, em 2017”, reitera.

Reconhecidos por sua carapaça marmorizada, esses insetos são originários da China e começaram a serem vistos na Europa em 2004, provavelmente escondidos em materiais para jardins. O grande problema, no entanto, é a resistência deles. “Eles suportam longas viagens, escondidos em trens e contêineres. E não precisam de plantas. Muitos foram vistos em veículos que são transportados da Ásia para a Europa por meio de barcos”, afirma o especialista.

Além disso, esses insetos se adaptam bem a novos locais. Na França, em particular, eles se multiplicam facilmente, instalando-se nas casas durante o inverno, para se protegerem do frio, e se reproduzindo durante o verão. Nos últimos anos, a quantidade dos “percevejos diabólicos” aumentou vertiginosamente em Estrasburgo, Bordeaux e principalmente Paris.

PREJUÍZOS ECONÔMICOS 

O inseto não representa risco para a vida dos seres humanos, mas é uma verdadeira ameaça para plantações. Nos Estados Unidos, onde a presença da Halyomorpha halys vem sendo registrada desde os anos 1990, há graves prejuízos e o combate delas por meio de inseticidas é ineficaz.

O percevejo diabólico ataca principalmente plantações de maçã, pera, pêssego, kiwi e avelãs. Não é à toa que a gigante Ferrero, cujo principal produto, Nutella, tem a avelã como base, se preocupa particularmente com a invasão desses insetos e investe em pesquisas sobre como eliminá-los.

Mas especialistas são pessimistas sobre a questão. “Não vamos conseguir extingui-los. É preciso aprender a cultivar apesar da presença desses bichos”, ressalta Streito. Segundo ele, o método mais eficaz custa caro e suas consequências podem ser igualmente perigosas: a utilização do predador natural da Halyomorpha halys, uma vespa parasita que se alimenta das larvas do “percevejo diabólico”, mas que pode ter um impacto sobre outas espécies locais.

O Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica (Inra) lembra que na França, em média, a cada ano sete novas espécies invasivas de insetos ou ácaros são detectados desde os anos 2000. Os motivos não são nenhum mistério: a globalização e as mudanças climáticas.

FONTE: RFI

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