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Falha em rito no abate de frango pode ter levado árabes a suspenderem 5 frigoríficos

Para produzir a carne de frango halal, que é exportada para o mercado saudita, empresas brasileiras tiveram de adaptar suas fábricas e efetivos. As aves, por exemplo, devem ser abatidas com o peito voltado para a Meca e os sangradores têm de ser muçulmanos praticantes.

O serviço sanitário da Arábia Saudita divulgou, recentemente, a nova relação de frigoríficos brasileiros autorizados a vender carne de frango para seus consumidores. Ao todo, 25 estabelecimentos do País foram habilitados, cinco a menos em comparação ao ano passado.

Para o mercado, ainda é um mistério o real motivo para que cinco plantas fossem excluídas, dentre elas uma da JBS e outra da BRF, que estão entre as maiores do setor, de acordo com informações da ABPA – Associação Brasileira de Proteína Animal. Especula-se que a motivação tenha sido de cunho religioso.

Chamada de “frango halal”, a carne comprada pelo mercado árabe segue os princípios do Islã, tanto no abate quanto na produção. E é exatamente por seguir as normas religiosas do islamismo – que priorizam, inclusive, o bem-estar animal – que o Brasil alcançou o patamar de maior exportador de frango halal do mundo.

Para produzir esse tipo de carne, empresas nacionais tiveram de adaptar suas fábricas e seu corpo de funcionários. As aves, por exemplo, devem ser abatidas com o peito voltado para a cidade sagrada de Meca, na Arábia Saudita, e os sangradores têm de ser muçulmanos praticantes. O abate também deve ser feito manualmente.

EXIGÊNCIAS DO ABATE

Na prática, o termo halal significa “legal”, “permitido para consumo”, mas o conceito vai além, passando por princípios que vão desde o respeito a todos os seres vivos às questões sanitárias. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a preocupação com a higiene do alimento também se estende ao bem-estar do animal, no caso dessas proteínas. 

Para os islâmicos, o ritual de abate do boi ou do frango deve ser feito apenas pela degola, como forma de garantir a morte instantânea do animal. No sistema tradicional de abate bovino, a insensibilização, por meio de métodos que levam ao atordoamento, deve ser feita antes da sangria.

Segundo o Mapa, “todos os procedimentos com o abate devem ser realizados por um muçulmano praticante, em geral árabe, treinado especificamente para essa função”.

Ainda conforme o Ministério da Agricultura, o oficio do degolador é estritamente ligado às tradições religiosas e o abate envolve diversos ritos. Um deles estabelece que cada animal, que passa pela mão desse profissional, seja oferecido a Alá antes de ser morto.

Nesse momento, ele deve pronunciar, em árabe, a expressão “em nome de Deus” e só depois sacrifica o animal. Esse oferecimento ocorre na intenção de que o animal não sofra e que o sacrifício seja apenas para o sustento de quem dele se alimenta.

MISSÃO RECENTE PODE TER IDENTIFICADO FALHAS

A aprovação das 25 plantas frigoríficas e a exclusão de cinco delas, para a comercialização de carne de frango ao mercado árabe, vieram após a realização de uma missão técnica saudita, enviada ao Brasil em outubro de 2018. Na ocasião, profissionais daquele país visitaram frigoríficos, fazendas e fábricas de ração em todo o Brasil

Segundo o Ministério da Agricultura, os 25 empreendimentos brasileiros habilitados já respondiam por 63% do volume de carne de frango embarcada com destino à Arábia Saudita. As plantas aprovadas foram avaliadas satisfatoriamente pela autoridade sanitária saudita Saudi Food and Drug Authority (SFDA).

Os 25 empreendimentos brasileiros habilitados a vender carne de frango para o mercado árabe já respondiam por 63% do volume de carne de frango embarcada com destino à Arábia Saudita, segundo o Mapa. (Créditos: Reprodução TV Globo)

No dia 21 de janeiro, o MAPA tomou conhecimento do relatório publicado pelo serviço sanitário do país parceiro e, de acordo com sua assessoria de imprensa, o documento está sendo examinado para que os estabelecimentos sejam informados, em detalhes, sobre as recomendações encaminhadas pelos sauditas.

A Associação Brasileira de Proteína Animal se pronunciou dizendo que “as razões informadas para a não autorização das demais plantas habilitadas decorrem de critérios técnicos” e que “planos de ação corretiva estão em implementação para a retomada das autorizações”.

“A ABPA está em contato com o governo brasileiro para que, em tratativa com a Arábia Saudita, sejam solvidos os eventuais questionamentos e incluídas as demais plantas”, diz a Associação, em nota divulgada em seu site.

Instituição que representa e defende as indústrias de abate e processamento de aves no Estado de Santa Catarina, a ACAV – Associação Catarinense de Avicultura também se pronunciou: “Em primeiro lugar é imperioso enfatizar que a suspensão das importações não decorre de nenhum problema técnico, sanitário ou logístico por parte das indústrias avícolas. A missão oficial da Arábia Saudita esteve no Brasil em 2018, para inspecionar as unidades e proceder a renovação da certificação do abate halal e, desse processo, resultou que algumas plantas não foram certificadas”.

IMPORTAÇÃO

Em 2018, o Brasil enviou 486,4 mil toneladas de carne de frango para a Arábia Saudita, o equivalente a 12,1% do total embarcado no ano. A China foi o segundo maior mercado.

Em 21 de janeiro, os chineses acertaram um acordo com exportadoras para encerrar uma disputa por conta do preço, segundo notícia veiculada pelo Portal G1.

Veja a lista dos frigoríficos autorizados, atualmente, a exportar frango para a Arábia Saudita, segundo o Ministério da Agricultura:

  1. BRF de Dourados (MS)
  2. BRF de Videira (SC)
  3. BRF de Capinzal (SC)
  4. SHB (BRF) de Francisco Beltrão (PR)
  5. SHB de Buriti Alegre (GO)
  6. SHB de Dois Vizinhos (PR)
  7. SHB de Nova Mutum (MT)
  8. Frigorífico Nicolini (BRF) de Garibaldi (RS)
  9. JBS de Passo Fundo (RS)
  10. JBS de Montenegro (RS)
  11. Seara (JBS) de Brasília (DF)
  12. Seara de Campo Mourão (PR)
  13. Seara de Itaiópolis (SC)
  14. Seara de Amparo (SP)
  15. Seara de Itapiranga (SC)
  16. Seara de Ipumirim (SC)
  17. Vibra Agroindustrial de Itapejara D’Oeste (PR)
  18. Vibra Agroindustrial de Sete Lagoas (MG)
  19. Vibra Agroindustrial de Pato Branco (PR)
  20. Jaguafrangos de Jaguapitã (PR)
  21. Zanchetta Alimentos de Boituva (SP)
  22. Bello Alimentos de Itaquiraí (MS)
  23. Frigorífico Nova Araçá de Nova Araçá (RS)
  24. DIP Frangos de Capanema (PR)
  25. LAR Cooperativa Agroindustrial de Matelândia (PR)

SANTA CATARINA: PRECURSOR NAS VENDAS PARA O MERCADO ÁRABE

Santa Catarina possui cinco plantas frigoríficas habilitadas a exportar carne de frango para a Arábia Saudita e todas elas foram mantidas: Seara de Itaiópolis, BRF de Capinzal, Seara de Itapiranga, Seara de Ipumirim e BRF de Videira.

De acordo com o secretário estadual da Agricultura e da Pesca, Ricardo de Gouvêa, Santa Catarina é o Estado precursor nas exportações para o mercado árabe, mantendo sua forte tradição no fornecimento de carne de frango para aquele país. “As suspensões possuem critérios técnicos e o Brasil fará o possível para atender às exigências do serviço sanitário da Arábia Saudita. É importante lembrar que ainda não temos informações sobre plantas frigoríficas catarinenses impedidas de exportar”, destaca Gouvêa.

A carne de frango é o principal produto da pauta de exportação catarinense. No ano passado, foram mais de um milhão de toneladas embarcadas para mais de 135 países, gerando receitas de 1,8 bilhão de dólares.

A Arábia Saudita foi o terceiro maior comprador da carne de frango produzida em Santa Catarina, em 2018. O Estado embarcou 113,7 mil toneladas do produto com destino ao mercado árabe, faturando mais de 183,4 milhões de dólares, o que significou um aumento de 40% nas receitas, em comparação com 2017.

Santa Catarina é responsável por 23,37% de toda a exportação brasileira de carne de frango para Arábia Saudita.

 

Fontes: Revista A LAVOURA
(www.alavoura.com.br)

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