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Em 17 anos, produção de mel de Meliponídeos mais que dobra no Paraná

Um dia para se celebrar a vida. Para se homenagear aquele pequeno inseto que, como bem destacou o poeta colombiano Enrique Álvarez Henao, é responsável por “levar o mel para a amarga vida/ e a vela branca para o pobre morto”. Hoje é o Dia Nacional da Abelha. E você sabia que o Paraná é um dos maiores produtores nacionais do mel, considerada a primeira substância adocicada utilizada pelo homem na antiguidade?

Existe em todo o Brasil mais de 300 espécies de abelha, das quais pelo menos 35 são espécies nativas do Paraná. Dessas, cerca de dez produzem mel e outros produtos da  meliponicultura, como o própolis. Entre elas estão a Jataí, Manduri, Mandaçaia, Tubunas e as abelhas mirins.

A importância econômica da apicultura para o estado, inclusive, é crescente. Entre 2001 e 2017, a produção de mel no Paraná teve crescimento de 102,67%, saltando de 2,9 toneladas para 5,93. A alta foi maior do que a verificada em todo o país no período, de 87,19%, com a produção nacional saltando de 22,2 toneladas para 41,6.

Não à toa, nos últimos 15 anos o Paraná consolidou-se como o segundo maior produtor nacional (até 2003 era o terceiro), cada vez mais próximo do Rio Grande do Sul, que no ano passado produziu 6,32 toneladas.

Nas últimas duas décadas, contudo, a produção gaúcha não tem tido grande evolução em termos quantitativos, diferentemente da paranaense, tanto que o crescimento verificado desde 2001 foi de apenas 4,51%. Com isso, a diferença entre a produção paranaense e a gaúcha, que já foi de 106,7%, caiu para 6,6%.

Em 2015, inclusive, houve uma grande queda na produção de mel no Rio Grande do Sul, por conta da mortandade de abelhas – estima-se que cerca de 250 mil tenham morrido, principalmente em áreas com uso intensivo de agrotóxico. O Paraná, então, chegou a se tornar por um curto período o maior produtor nacional, mas no ano seguinte já havia perdido o posto.

Curitibanos têm criação em casa como complemento de renda

Diferente do que muitos podem imaginar, iniciar uma trajetória na apicultura, embora seja um trabalho que exija dedicação, não demanda um espaço enorme, dedicado exclusivamente às abelhas. É o que afirma Valdecil Vendrameto Buzato, que há três anos trabalha com a apicultura. Ele começou a desvendar os segredos do mel após se aposentar e fazer um curso sobre apicultura.

“Acabei me apaixonando e fiz disso uma fonte de renda complementar. Hoje tenho colmeias em casa e, como estava sem espaço, também levei outras para uma fazenda na região metropolitana”, conta o empresário, que vende colmeias por R$ 250 e também produz hidromel. Em fase final de rotulação para poder comercializar seus produtos no varejo, por enquanto ele vende o que produz no mercado informal, com a ajuda de ambulantes.

“Depois da enxameação (que é quando as abelhas se reproduzem e iniciam uma nova colônia), é de 1 a 2 anos (para o apicultor poder comercializar o mel)”, explica.

Se as abelhas desaparecerem, todo o planeta sofrerá

Em 2016, um relatório divulgado pela ONU alertou para o desaparecimento das abelhas no planeta por conta do uso excessivo de inseticidas e o desmatamento. Caso esses insetos sumam do planeta, toda a atividade agrícola do mundo corre risco, uma vez que as abelhas são responsáveis por polinizar 80% das plantas do mundo – uma só abelha pode percorrer até 12 quilômetros em busca de alimento e água, sendo que cada inseto visita dez flores por minuto e toca em cerca de 240 mil flores num dia.

No livro “O filho dos dias”, o escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano relata que Albert Einstein comentou certa vez, numa roda de amigos, que se as abelhas desaparecessem, a Terra teria poucos anos de vida. “Os amigos riram. Ele não. E agora acontece que no mundo há cada vez menos abelhas (…)”. Nos EUA, por exemplo, mais de 60% das abelhas desapareceram em 24 estados. Na Europa, a situação é parecida. E se essa tendência continuar, enfrentaremos em breve uma catástrofe, com todo o ecossistema sendo alterado e a ameaça de faltar comida.

Vida de inseto. Inseto social

As abelhas (Apis mellifera) fazem parte do grupo dos chamados “insetos sociais”. A organização de uma colmeia é exemplar e as operárias contam com o que pode ser considerado um “plano de carreira”. De acordo com a sua idade, vão mudando de função dentro do grupo, que se comporta quase como um só organismo.

Em cada colmeia, existe uma rainha, que vive entre quatro e oito anos e, quando bem alimentada, põe de 2 mil a 3 mil ovos por dia. Além dela, há cerca de 400 mil zangões, que têm a função de fecundar a rainha. Eles morrem após a fecundação ou são mortos pelas operárias ao final da florada. E, finalmente, as grande responsáveis pelo funcionamento da sociedade, as operárias, em um número que varia de 60 a 100 mil indivíduos, que vivem de 30 a 50 dias e se dividem em diferentes tarefas.

 

FONTE: Rodolfo Luis Kowalski – BEM PARANÁ
www.bemparana.com.br

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