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Revista Attalea Agronegócios
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ARTIGOS Café

[Eder Sandy] – Brevipalpus phoenicis: Ácaro da Mancha-Anular no Cafeeiro. Precauções e medidas de controle.

EDER CARVALHO SANDY

Eng.° Agrônomo. ECS Consultoria Agronômica. Consultor em Cafeicultura. E-mail:- eder.sandy@ecsagro.com.br

IGOR RODRIGUES QUEIROZ

Eng.° Agrônomo. ECS Consultoria Agronômica. Colaborador. E-mail:- igorrqueiroz@gmail.com

ERIVAL GABRIEL GUIMARÃES FERREIRA

Eng.° Agrônomo. ECS Consultoria Agronômica. Colaborador. E-mail:- eggferreira1@gmail.com.

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1.    INTRODUÇÃO

O ácaro Brevipalpus phoenicis (Geijskes, 1939) (Acari: Tenuipalpidae) é importante em citros (Citrus spp.) e cafeeiro (Coffea spp.) no Brasil (Figura1). Na citricultura, recebe o nome vulgar de ácaro-da-leprose por ser transmissor do vírus que causa essa doença, a qual se caracteriza por manchas de formato aproximadamente arredondado, com o alo de cor ferrugínea e centro amarelado, que causa em folhas, frutos e ramos, no ato de sua alimentação.

Em cafeeiro, essa mesma espécie de ácaro recebe o nome vulgar de ácaro da mancha-anular, pelo fato de transmitir um vírus do grupo dos Rhabdovírus, que causa uma virose não sistêmica onde as manchas nas folhas podem atingir até dois cm e são formadas de linhas concêntricas claras e escuras alternadamente. Já nos frutos, cujos sintomas são em forma de anel, mais visíveis em frutos vermelhos já maduros (Figura 2).

No Brasil, tem sido relatado vivendo em cafeeiros (Coffea spp.) pelo menos desde 1950, portanto há 58 anos. Posteriormente, em 1973 foi correlacionado com a doença mancha-anular ou anelar do cafeeiro. Desde 1990, com destaque para 1995, a infestação de B. phoenicis e da doença mancha-anular, têm sido relatadas causando intensa desfolha em cafeeiros nas regiões cafeeiras do Brasil, tanto em Arábica (Coffea arabica L.) quanto em Canéfora (Coffea canephora Pierre & Froehner) (REIS & ZACARIAS, 2007), neste, em baixa ocorrência.

Figura 1a: Colônia do Ácaro da Mancha-Anular (Brevipalpus phoenicis) (ovos e ácaros).
Figura 1b: Ovos do Ácaro da Mancha-Anular (Brevipalpus phoenicis).
Figura 2a: Detalhe em folha de Cafeeiro (Catuai 99) com sintomas do vírus inoculado pelo ácaro Brevipalpus phoenicis
Figura 2b: Detalhe em frutos de Cafeeiro (Catuai 99) com sintomas do vírus inoculado pelo ácaro.
Figura 2c: Detalhe em frutos de Cafeeiro (Catuai 99) com sintomas do vírus inoculado pelo ácaro.
  1. Distribuição espacial do ácaro da mancha-anular no cafeeiro.

O conhecimento dos locais preferidos pelo ácaro na planta de café é fundamental para se ter sucesso no controle do mesmo. Em cafeeiros é constatada a presença de B. phoenicis nas folhas, ramos e frutos. Nas folhas os ácaros localizam-se principalmente na superfície inferior, próximos as nervuras, principalmente a central. Nos frutos ácaros e ovos são encontrados principalmente na coroa e pedúnculo, e também em fendas e lesões com aspecto de cortiça na casca dos frutos. Nos ramos são encontrados em fendas existentes na casca.

Os ácaros da mancha-anular são pequenos e não podem ser vistos a olho-nu, sendo o uso de lupa indispensável para se ter um bom acompanhamento do mesmo (Fig.3). As fêmeas medem (0,3 X 0,18 mm) e os ovos (0,1 X 0,06 mm).

Figura 3a: Detalhe de visualização com lupa do ácaro.
Figura 3b: Detalhe de visualização com lupa do ácaro.

Segundo Reis et AL. (2000b), o maior número de ovos e ácaros é encontrado no terço inferior e na posição interna da planta (Fig. 4), e em menor número na parte superior e externa da planta, tanto nas folhas, ramos e frutos. De modo geral, o número de ovos é sempre maior que o de ácaros. A característica do ataque se concentrar mais na parte inferior interna da planta causa o que chamamos de vulgarmente de “planta-oca”.

Figura 4: Detalhe de ataque do ácaro na parte inferior interna da planta.
  1. Danos causados pela infestação.

A desfolha sofrida pelas plantas atacadas pelo ácaro da mancha-anular é bastante drástica, sendo função do nível de infestação do ácaro (Figura 5). Porém não somente a desfolha é fator de dano ao cafeeiro, diversas são as conseqüências da infestação pelo ácaro.

A queda na qualidade de bebida é sem duvida um dos principais danos indiretos causados ao cafeeiro. Após o ataque do ácaro os frutos ficam dispostos a penetração de microorganismos, como é o caso do Colletotrichum gloesporioides Atk..

Resultados obtidos de análises de compostos fenólicos totais (REIS; CHAGAS, 2001), mostram maior teor de compostos fenólicos totais em frutos de cafeeiros atacados pelo ácaro da Mancha-Anular. Tais compostos são responsáveis pela perda de qualidade de bebida do mesmo. Portanto conclui-se que em frutos atacados pelo ácaro da mancha-anular tem sua qualidade de bebida alterada para pior.

Também se ressalta os danos indiretos relacionados às folhas, pois mesmo quando o ácaro não está infectado pelo vírus à sua raspagem na folha forma lesões que facilitam a entrada de doenças tais como a Ferrugem (Hemileia vastatrix) e principalmente Cercospora (Cercospora coffeicola).

Figura 5: Planta com alto índice de infestação por ácaro da mancha-anular (alta desfolha após colheita).
  1. Manejo do ácaro da mancha-anular.

Até que se tenham mais informações da pesquisa o controle deve ser realizado em função da incidência da doença no ano anterior. Recomenda-se o controle do ácaro, que é o seu vetor, através de duas aplicações de acaricidas (Quadro 1), em especial aqueles seletivos aos ácaros predadores.

A primeira aplicação deve ser feita após a colheita dos frutos logo nas primeiras chuvas, pois é o período em que as plantas se encontram menos enfolhadas, ocorrendo uma melhor penetração dos produtos. A segunda aplicação deve ser feita logo após o aparecimento dos frutos na fase de chumbinho, pois os ácaros nesta fase se dirigem aos frutos para se alimentar e colocar ovos na região da coroa, ficando assim mais expostos aos produtos.

Quando no ato da aplicação a vazão a ser utilizada é de extrema importância, sendo os melhores resultados obtidos a partir de 600 litros de calda por hectare, utilizando-se de equipamento com distribuição uniforme e com utilização de bicos de alto desempenho de espalhamento de gotas e distribuição nas plantas. Outro fator de extrema importância a ser considerado e a velocidade de trabalho dos turbos atomizadores, sendo que a mesma não seve ser maior a 3 Kms/hora; Sendo que nestas velocidades permite a perfeita penetração dos produtos no interior do dossel das plantas, onde se encontra a maioria dos indivíduos, escondidos nas ramificações internas da planta e nas ranhuras dos ramos envelhecidos;

Figura 6: Detalhes do bico Jacto 5 para aplicação em ácaro da mancha-anular.
Figura 6: Detalhes do bico Jacto 5 para aplicação em ácaro da mancha-anular.

O ácaro da mancha-anular ou ácaro-plano, B. phoenicis, adquiriu status de praga por veicular o vírus da mancha-anular, sendo sua ocorrência durante todo o ano, sendo que nos períodos mais secos as fases em que se têm maiores picos populacionais, devendo sua população deve ser monitorada.

Devido à maior concentração de ovos em frutos e ramos em relação às demais fases o uso de produtos com ação ovicida deve ser prevista, aumentando assim sua eficiência. Outro fator de alta importância a se observar é a época de controle quando a praga está presente, sendo o período de final de inverno / primavera o mais indicado, no período que sucede a colheita e antecede a florada, promovendo uma florada com as plantas sadias e sem ataque desta praga;

Quadro 1: Produtos indicados para o uso no controle do ácaro Brevipalpus phoenicis em cafeeiro.

Nome Técnico Seletividade* Grupo Quimico
Espiromesifeno S Cetoenol
Espirodiclofeno S Cetoenol
Fenpropathrin NS Éster piretróide
Cyflumetofen NS acylacetonitrila
Propargito NS Sulfito de alquila
Fenpyroximate NS Pyrazol
Hexythiazox S Tiazolidinacarboxamida
enxofre NS ectoparasiticidas
Abamectina NS Avermectina

*Seletividade fisiológica a Phytoseiidae: S- Seletivo; NS- Não seletivo. (inimigos naturais)

Outra tática que também apresenta bastante eficiência é a prática de podas, pois o ácaro da Mancha-Anular apresenta foto disposição negativa, ou seja, gosta de ambientes sombreados; E quando se poda a lavora aumenta-se a luminosidade do ambiente. Esta tática associada a um bom manejo da lavoura, juntamente com o controle químico, elimina esta praga, neutralizando os seus danos ao cafeeiro.

Lembre-se consulte sempre um Engenheiro Agrônomo de sua confiança, utilize de boas práticas agrícola e somente use produtor recomendados e registrados para a cultura.

  1. Referências.

REIS, P.R. “O senhor dos anéis” – ácaro vetor da mancha-anular em cafeeiro: bioecologia, dano e controle.  EPAMIG-CTSM/EcoCentro, Lavras, 4.p. jul. 2004 (Circular Técnica, 170).

RREIS, P.R. & ZACARIAS, M.S. Ácaros em cafeeiro. Belo Horizonte: EPAMIG, 2007. 76p. (EPAMIG, Boletim Técnico, 81).

REIS, P.R.; CHAGAS, S.J.R Releção entre o ataque do ácaro-plano e da mancha anular com indicadores da qualidade do café. Ciência e Agrotecnologia, Lavras, v.25, n.1, p.72-76, 2001.

Kimati, H.; et al; Manual de Fitopatologia- Volume 2- Doenças de plantas cultivadas. 4. ed. São Paulo: Agronômica Ceres, 2005.

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