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Desafio da Pecuária Sustentável divulga vencedores em 2021

São conhecidos os 10 projetos selecionados para vencer o prêmio do Desafio da Pecuária Responsável, iniciativa da Phibro Saúde Animal, BE.Animal, Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes Industrializadas (ABIEC), Athenagro e Notícias do Front, com apoio de mais de 90 empresas dos vários segmentos e entidades de classe.

No total, 73 projetos foram inscritos, englobando os cinco domínios do bem-estar animal (boa nutrição, boa saúde, bom ambiente e conforto, bom comportamento e bom estado mental). Todas as propostas foram avaliadas com base nos critérios de relevância, resultados, inovação, qualidade e aplicabilidade. Os 10 projetos selecionados são apadrinhados por empresas, entidades ou profissionais e terão mentoria para eventuais ajustes e aperfeiçoamentos visando a próxima etapa, que escolherá os 3 projetos finalistas que concorrerão ao prêmio de R$ 15 mil no final do segundo trimestre de 2022.

Ivan Fernandes, diretor de marketing e serviços técnicos da Phibro Saúde Animal para a América do Sul, destaque que o Desafio da Pecuária Responsável, lançado em julho deste ano, tem como objetivo incentivar a cadeia de produção de proteína animal a melhorar suas práticas de forma alinhada aos preceitos essenciais da sustentabilidade, contribuindo para a saúde do planeta, dos bovinos e das pessoas, bem como para a economia nacional. “Recebemos 73 projetos, que foram avaliados e selecionados com extremo rigor. Destes, 10 trabalhos nos impressionaram tanto pela inovação quanto pela aplicabilidade no campo e conexão com a proposta do Desafio. São propostas de soluções reais para problemas reais da pecuária brasileira em termos de bem-estar animal”, ressalta Fernandes.

A classificação de notas dos trabalhos recebidos teve diferenciação muito pequena, afirma o prof. dr. Mateus Paranhos, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e sócio do Instituto BE.Animal, empresa responsável pela curadoria do projeto. “Não é porque as propostas que não ficaram entre as 10 não têm qualidade. Todas tinham qualidade e potencial de aplicação. Recebemos propostas com caráter múltiplo, porque além de promover o bem-estar dos animais, promovem a valorização do trabalhador e melhoram a eficiência na realização dos trabalhos. É uma perspectiva bastante nova, relacionada com um conceito de um só bem-estar, que envolve a questão animal e humano num ambiente equilibrado”, pontua Paranhos.

Conforme explica a co-fundadora da BE.Animal e professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT-Sinop), Fernanda Macitelli, “agora, esses 10 escolhidos vão ser assessorados por nós durante quatro meses para que os projetos possam fazer ajustes e, quando forem para a escolha final, estejam preparados para ser colocados em prática”, esclarece.

“Em 2020 batemos o recorde de exportações, com mais de US$ 8 bilhões em receita. Além das conquistas obtidas nos últimos anos, temos muito ainda a evoluir e, nesse sentido, o Desafio da Pecuária Responsável é uma iniciativa de suma importância ao estimular o desenvolvimento de projetos que busquem solucionar algumas das missões do hoje e do amanhã”, assinala Antônio Jorge Camardelli, presidente da ABIEC.

Conforme destaca Maurício Palma Nogueira, sócio-diretor da Athenagro, “nós vivemos um momento de muita desinformação em relação à pecuária e precisamos esclarecer a realidade da produção no campo e o que significa uma pecuária responsável. Uma das premissas é o bem-estar animal. Não se consegue bom desempenho do animal se não houver cuidado com o bem-estar, que tem a ver com a sustentabilidade e dará retorno econômico”.

O portal Notícias do Front defende que o resultado produtivo deve ser visto não apenas como a finalidade da cadeia, mas seu único objetivo possível, visando resultados financeiros positivos e sustentáveis. O portal é assinado pelo médico veterinário e pecuarista Rodrigo Albuquerque. “A pecuária precisa de quatro pilares, que são as responsabilidades animal, sanitária, social e ambiental. Produção e conservação ambiental são parceiros e não inimigos. Sem esse raciocínio, não vamos longe”, pontua Rodrigo.

Confira a lista dos 10 vencedores e os respectivos padrinhos responsáveis:

1 – Ana Luiza V. Schultz – Aliança SIPA (GPSIPA/UFRS, NITA/UFPR e GPISI/UFR)
2 – Ananda Paula L. Lourenço – Fazenda Nota 10
3 – Carolina C. Coutinho – Minerva Foods
4 – Iorrano A. Cidrini – APTA Colina
5 – Lareska C. Morzelle – GESTA’UP e Renata Cecilia Bonadio Franco da Silva
6 – Maciel Tavares – ESCO Água e Energia, ESPECIALIZO, Leonardo O. Fernandes, INTERGADO e FAZU
7 – Maria Eduarda M. da Silva – Seres Júnior Inovações em Medicina Veterinária
8 – Milena A. Junqueira – ML Zootecnia de Precisão – Mauricio Lerro
9 – Rafael M. Joseph – Fazenda Nota 10
10 – Rúbia P. Barra – Mateus Paranhos e a Lívia C. Magalhães Silva

Projeto orientado por pesquisador da APTA Regional de Colina é selecionado

Projeto de pesquisa na área de bem-estar de bovinos em confinamento desenvolvido por aluno de doutorado orientado por pesquisador da APTA Regional de Colina é um dos dez selecionados na primeira etapa do Desafio da Pecuária Responsável, uma iniciativa da Phibro Saúde Animal, BE.Animal, Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes Industrializadas (ABIEC), Athenagro e Notícias do Front, com apoio de mais de 90 empresas. O projeto desenvolvido por Iorrano Cidrini foi selecio nado entre os 73 trabalhos inscritos e agora receberá mentoria de profissionais da área de bem-estar animal. Após essa etapa, serão escolhidos três projetos finalistas que concorrerão ao prêmio de R$ 15 mil no final do segundo trimestre de 2022.

Cidrini é aluno do curso de doutorado em Zootecnia oferecido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp – Campus Jaboticabal). Orientado pelo pesquisador da APTA Regional e professor da Universidade, Flavio Resende, o doutorando propôs projeto que visa melhorar o bem-estar dos animais no deslocamento e entrada dos bovinos nos confinamentos.

“Hoje, 15% dos bovinos no Brasil são terminados em sistema de confinamento. Para chegarem a esses locais, muitas vezes os animais ficam longos períodos em deslocamento, o que acaba trazendo estresse e acarretando uma série de problemas como depressão do sistema imune e red ução do desempenho”, explica o doutorando.

Quando chegam aos confinamentos, os animais também precisam ser vacinados, vermifugados e recebem brincos para melhor controle. Todos esses procedimentos são necessários para a saúde dos animais, mas quando realizado após o desembarque acabam gerando mais estresse para os bovinos e para a equipe de trabalho, de acordo com o pesquisador.

Apesar de o setor produtivo saber sobre esses impactos, ainda faltam estudos científicos para quantificar essas perdas. Pensando nisso, Cidrini propõe a avaliação dos animais em três manejos diferentes. O primeiro deles é verificar como se comportam por 21 dias em entrepostos, uma espécie de pré-confinamento. Nesses locais, os animais passam a receber suplementação, se adaptando ao confinamento e ao seu novo grupo social, além de receberem vacinas e medicamentos. Ao término d esse período os animais seriam pesados e destinados diretamente as suas respectivas baias, não sendo necessário passar por nenhum processamento na chegada ao confinamento.

Como nem todas as fazendas conseguem implementar essa logística, o doutorando propõe uma estratégia para mitigar o estresse dos animais recém-chegados e que ainda devem passar pelo processamento. Nessa estratégia, o gado passa de três a cinco dias recebendo água e feno para se recuperar o peso corporal perdido durante a viagem antes de passarem pelo protocolo sanitário serem destinados as suas respectivas baias.  Para comparar os resultados, o doutorando também planeja avaliar animais em sistemas convencionais, processados imediatamente após a chegada no confinamento.

“A ideia é avaliar 294 animais Nelore com peso corporal (PC) inicial entre 380 e 420 kg, machos inteiros, com i dade de 16 a 20 meses. O experimento teria duração total de 121 dias”, explica o pesquisador.

Ideia surgiu com a prática no dia a dia na APTA

A ideia para o projeto inscrito por Cidrini no Desafio da Pecuária Responsável surgiu do dia a dia dos trabalhos de pesquisa na APTA. O doutorando já havia desenvolvido projeto de mestrado na APTA Regional de Colina e há alguns anos convive com a equipe de pesquisadores e alunos de pós-graduação recebidos na unidade de pesquisa.

“Moro no alojamento de estudantes da APTA e convivo com muitos outros alunos que também desenvolvem pesquisas nessa área da pecuária de corte. Alguns de nossos colegas já haviam conduzido estudos avaliando os impactos do estresse sobre o desempenho dos animais, assim como estratégias nutricionais para mit igação desses impactos e  os resultados deles me trouxeram ideias para esse projeto inscrito no Desafio”, conta.

Na visão do pesquisador, essa interação entre os estudantes, pesquisadores da APTA Regional e setor produtivo é muito interessante para o desenvolvimento dos projetos e crescimento profissional dos pós-graduandos. “Passamos o dia todo com pessoas que estudam essa área da pecuária. Tomamos café da manhã, almoçamos e jantamos falando desse assunto. Isso ajuda muito na nossa formação profissional”, afirma.

Sobre a conquista da boa colocação nessa primeira etapa de avaliação no projeto Desafio da Pecuária Responsável, Cidrini atribui a toda a equipe de profissionais da APTA Regional. “Não é uma conquista só minha, é de todos nós. Esse reconhecimento mostra que nossa formação na APTA é muito boa e que está alinhada aquilo que o mercado espe ra de nós. Meu projeto concorreu com outros tantos de profissionais que atuam, inclusive, em grandes empresas. Essa classificação é muito gratificante, porque mostra que o que fazemos aqui na APTA Regional de Colina está alinhado com as principais discussões e desafios do setor”, avalia, citando a importância da orientação de Resende e do apoio do pesquisador Gustavo Siqueira, também da unidade de pesquisa, na sua formação.

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