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Revista Attalea Agronegócios
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ARTIGOS Café

[Davi Moscardini] – Considerações sobre o fósforo na implantação do cafezal

Davi Moscardini

Eng. Agrônomo, Mestrando em Fitotecnia pela ESALQ/USP.  E-mail: moscardini@usp.br

Com o retorno das chuvas nas principais regiões cafeeiras do Brasil os produtores já se preparam para o plantio de 2018 e surgem dúvidas sobre como será realizada a adubação fosfatada de plantio para fornecimento deste nutriente de fundamental importância para estabelecimento das culturas agrícolas.

Na planta, o fósforo é componente essencial da ATP, do DNA, RNA e dos fosfolipídios, portanto influencia no armazenamento energético, na herança genética, na síntese de proteínas e na formação de membranas celulares. O fósforo é também muito exigido nos tecidos meristemáticos como ápice de raízes. Por estes motivos, a adubação fosfatada de implantação deve ser feita de forma adequada para evitar deficiência durante o desenvolvimento do cafeeiro.

O fornecimento do fósforo é particularmente complicado em ambiente tropical, por conta da predominância de solos altamente intemperizados, que são caracterizados no Brasil principalmente pelos Latossolos. Na classificação americana o Latossolo é chamado de Oxisol, ou seja, solo com alto teor de óxidos de alumínio e de ferro, este último responsável pela coloração avermelhada característica de alguns solos desta ordem. A elevada concentração de óxidos confere alta capacidade de fixação de ânions (como o H2PO4), além da presença de alumínio, ferro e manganês que precipitam o fósforo tornando-o indisponível às plantas. Estes fatos explicam porque a eficiência da adubação fosfatada é tão baixa nos solos brasileiros, fazendo com que em algumas situações seja necessário aplicar até cinco vezes mais fósforo do que o exigido pelas plantas.

No plantio da lavoura de café o objetivo da adubação fosfatada no sulco é promover o enraizamento inicial para que a muda seja capaz de acessar a água e os nutrientes necessários para o bom funcionamento do metabolismo de carbono, que é o grande responsável pelo incremento de biomassa em qualquer planta. A única oportunidade do fornecimento de fósforo em profundidade, próximo às raízes, está na implantação, pois após a formação da lavoura o mesmo só poderá ser fornecido em cobertura e sabe-se que sua mobilidade no perfil é praticamente inexistente devido a sua forte interação com a fração coloidal dos solos tropicais.

Dentre as fontes de fósforo utilizadas no sulco de plantio destacam-se os fosfatos totalmente acidulados (superfosfato simples, superfosfato triplo, fosfato monoamônico) e os termofosfatos magnesianos.

Superfosfato Simples

É o principal adubo fosfatado utilizado no Brasil, é originado do ataque do concentrado apatítico com ácido sulfúrico. Possui 18% de P2O5 total, sendo mais de 90% solúvel em citrato neutro de amônio e água (CNA + H2O). Tem como principal vantagem o fornecimento também de cálcio (20%) e enxofre (12%), pois 50% do superfosfato simples é composto de gesso, que atua como condicionador de solo auxiliando no aprofundamento radicular. Existe também a possibilidade de adquirir superfosfato simples formulado com micronutrientes.

Superfosfato Triplo

É obtido do ataque do concentrado apatítico com ácido fosfórico. Apresenta alta concentração de fósforo (45% P2O5) de elevada solubilidade em água, é também fonte de cálcio (13%). Tem como vantagem a maior concentração de fósforo que otimiza o rendimento operacional e diminui o custo de transporte. Porém, por ser um adubo concentrado perde-se os benefícios do gesso encontrado no superfosfato simples.

Fosfato monoamônico (MAP)

É obtido da combinação da amônia com ácido fosfórico. Possui 50 a 52 % de P2O5 de alta solubilidade em água e 10 a 12% de nitrogênio. Tem como vantagem o menor custo e o maior rendimento operacional por ter elevado teor de fósforo. A única desvantagem do MAP é que, no caso da necessidade de altas doses de fósforo na implantação, pode ocorrer fornecimento de nitrogênio em demasia, prejudicando o bom desenvolvimento das mudas.

Termofosfato Magnesiano

O termofosfato magnesiano é obtido pela rota térmica, com a fusão do concentrado apatítico com silicato de magnésio. Possui 18% de P2O5 total e 16% solúvel em ácido cítrico 2%, além de 20% de cálcio, 9% de magnésio e 25% de SiO2. Algumas formulações são enriquecidas com fritas para o fornecimento de micronutrientes. É um fertilizante fosfatado de liberação gradual e apresenta a maior eficiência agronômica dentre os citados neste artigo.

Apresenta-se como uma das melhores fontes de fósforo disponíveis no mercado para a implantação da lavoura de café por quatro motivos:

  • Reação alcalina: O termofosfato magnesiano possui índice de basicidade 50 (100 kg de termofosfato magnesiano equivalem à alcalinidade gerada por 50 kg de calcário com PRNT igual a 100%). Isso significa, por exemplo, que a aplicação de 200 g/m no sulco tem o mesmo efeito alcalinizante que a aplicação de 100 g/m de calcário. O aumento do pH diminui a disponibilidade dos metais que precipitam o fósforo e diminui também a adsorção causada pela presença de cargas positivas nos óxidos.
  • Solubilidade gradual: Por ser um fosfato menos solúvel que os fertilizantes totalmente acidulados, o termofosfato magnesiano apresenta maior efeito residual e é menos suscetível a fixação, fato que contribui para a sua maior eficiência agronômica.
  • Efeito do magnésio como carreador de fósforo: O magnésio aumenta a absorção de fósforo pela planta. Acredita-se que a interação entre estes dois nutrientes estão relacionadas com reações de transferência de energia nas células.
  • Fornecimento de silício: O silício tem preferência em relação ao fósforo na série liotrópica de ânions. Isso significa que o silício preenche os sítios de adsorção que seriam ocupados pelo fósforo, aumentando a sua disponibilidade para as plantas. Além disso, o silício é um elemento benéfico, reduz estresses abióticos e ataque de pragas e doenças em determinadas culturas.
GRÁFICO: Resumo aproximado da eficiência agronômica de fontes de fósforo para cultura anuais (GOEDERT, 1986).

Recomendação

As recomendações de adubação fosfatada de plantio da 5ª aproximação de MG e do Boletim 100 recomendam doses de 15 a 80 g de P2O5 por metro de sulco, sendo estas doses variáveis em função do teor de argila e do teor de fósforo no solo.

O cafeeiro apresentou maior produtividade na média de dois anos quando foi implantado associando-se superfosfato simples a termofosfato magnesiano na proporção de metade a até 75% da dose recomendada com termofosfato magnesiano e o restante com superfosfato simples (SANTINATO, 1998). O superfosfato simples fornece grande quantidade de fósforo solúvel em água, porém mais suscetível à fixação. Já o termofosfato magnesiano fornece fósforo de solubilidade gradual e micronutrientes, apresentando os benefícios citados anteriormente. Portanto a associação destas fontes fornece fósforo prontamente disponível e de liberação gradual, isso promove disponibilidade pontual e residual, o que é muito desejável na implantação de uma cultura perene.

Conclusão

A associação de uma fonte de fósforo totalmente acidulada ao termofosfato magnesiano é uma estratégia interessante para o fornecimento do fósforo na implantação do cafezal. Como os cafezais estão sendo cada vez mais implantados em solos de baixa fertilidade é necessário que sejam escolhidas fontes que forneçam também os micronutrientes e os macronutrientes secundários, como Ca, Mg e S.

Cabe ao produtor com o auxílio de um técnico escolher a fonte adequada de fósforo e que apresente relação custo benefício favorável. A adequada implantação do cafeeiro esta diretamente ligada ao fornecimento de fósforo e se feita de forma adequada, é o pontapé inicial para o estabelecimento de lavouras de alta produtividade.

Referências Bibliográficas

GOEDERT, W. J. et al. Eficiência agronômica de fertilizantes fosfatados não tradicionais. Planaltina, EMBRAPA-CPAC 1986, Documentos, 24. Disponível em:https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/547644/eficiencia-agronomica-de-fertilizantes-fosfatados-nao-tradicionais.

SANTINATO, R. et al. Modo de fosfatagem no sulco de plantio com a associação do super fosfato simples e o yoorim master em solo de cerrado. Carmo do Paranaíba, 1998. Disponível em:< http://www.santinatocafes.com/bs.content//Artigos/ARTIGOS/24CONGRESSO/39/MODO_DE_FOSFATAGEM_NO_SULCO_DE_PLANTIO_COM_A_ASSOCIACAO_DO_SUPER_FOSFATO_SIMPLES_E_O_YORIM_MASTER_EM_SOLO_DE_CERRADO.pdf>.

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