fbpx
Revista Attalea Agronegócios
Comércio Exterior Logística e Infraestrutura NOTÍCIAS

CNA, Federações e Conab vão estudar corredores logísticos da região Nordeste

Objetivo deste estudo sobre os corredores logísticos é fazer um diagnóstico das estradas para melhorar a eficiência do escoamento de grãos para os portos da região Nordeste.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), as federações de agricultura dos estados e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estão discutindo uma proposta de estudo para fazer um diagnóstico dos corredores logísticos do Nordeste. O objetivo é melhorar a eficiência do escoamento de grãos para os portos da região.

O assunto foi tema da reunião da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da CNA, na quinta (7). Segundo o presidente da Comissão e da Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba (Faepa-PB), Mário Borba, o estudo é uma demanda antiga do setor, diante da necessidade de conclusão das obras de algumas rodovias que passam pela região, como a BR-020, que sai de Brasília e percorre os estados da Bahia, Piauí e Ceará. “A conclusão dessa rodovia é muito importante para a região do semiárido, onde a produção de grãos e a pecuária têm crescido nos últimos anos. Precisamos unir esforços do setor para discutir formas de como melhorar a infraestrutura e logística e atender a necessidade do Nordeste”, disse Mário Borba, que também é vice-presidente da CNA.

Durante o encontro, o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Luiz Freire, afirmou que um dos motivos para a execução do estudo é a relevância da produção e exportação de soja, milho e algodão nos estados que compõem o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

Na safra 2020/2021, os estados foram responsáveis por produzir 16 milhões de toneladas de soja e 8 milhões de toneladas de milho. De acordo com dados do Comexstat, no ano passado, o porto de Itaqui, no Maranhão, exportou 7,8 milhões de toneladas de soja. Já o porto de Salvador, na Bahia, embarcou cerca de 3 milhões de toneladas do grão.

Segundo Thomé, os principais objetivos do estudo são dimensionar o mercado de grãos do Matopiba; estimar perspectivas de crescimento do agro, com foco em soja, milho e algodão; fazer diagnóstico sobre os atuais gargalos operacionais e logísticos; e sugerir parâmetros para projetos de infraestruturas de armazenagem, portuária e equipamentos ferroviários que atendam o mercado agropecuário da região.

O ponto de partida do estudo é a Bahia, com suas conexões já existentes no Matopiba e Sealba (Sergipe, Alagoas e Bahia). “A proposta é acompanhar as estruturas que estão sendo criadas na Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), que atravessa o estado, ligando a Ferrovia Norte-Sul aos portos de Ilhéus, de Itaqui e Porto Sul, além da continuação dos investimentos nas rodovias BR-020 e BR-242, estabelecendo campos de interesse para o avanço do agro”.

Outro tema discutido no encontro foi o projeto da Ferrogrão, ferrovia que vai conectar o Mato Grosso a terminais portuários no Pará, reduzindo os custos logísticos de transporte da produção agropecuária nas regiões Norte e Centro-Oeste do país. Pelo projeto, são 933 quilômetros de extensão, ligando Sinop (MT) a Miritituba (PA).

“Apesar de fazer a ligação de apenas dois estados, a Ferrogrão vai trazer benefícios para o Brasil como um todo, como o aumento da competitividade e oferta ferroviária no país. Hoje, o frete ferroviário se equivale ao rodoviário porque o preço não é balizado. A exemplos de outros países, o frete de ferrovia deveria ter 30% menor do que o de rodovia”, afirmou a assessora técnica da Comissão, Elisangela Pereira Lopes.

Na reunião, a diretora de operações da Hidrovias do Brasil, Gleize Gealh, falou sobre a importância da construção da ferrovia para aumentar o escoamento de grãos para os portos da região Norte, reduzindo a concentração do Sudeste. Segundo ela, as exportações de grãos do Mato Grosso devem dobrar em 2030. “Se a Ferrogrão não for concluída, esse escoamento será concentrado para os portos de Santos. Ou seja, a ferrovia é a única alternativa que garante ao Pará a relevância atual no cenário logístico brasileiro”.

Em 2030, sem a Ferrogrão e com extensão da Malha Norte, seriam exportados pelo Pará 12,8 milhões de toneladas de seja e milho do Mato Grosso. Com a Ferrogrão, esse valor subiria para 33,9 milhões de toneladas.

Atualmente, o projeto da Ferrogrão aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) em razão da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6553, movida pelo PSOL, que questiona a alteração dos limites de uma área e pede a suspensão do processo para implantar a ferrovia no Pará. A CNA participa do julgamento da ADI como amicus curiae. O assessor jurídico da entidade, Rodrigo Kaufmann, explicou que o relator da matéria é o ministro Alexandre de Moraes, que concedeu liminar a favor da suspensão do processo.

Por fim, o gerente de Cadastro e Credenciamento de Armazéns da Conab, Saulo Tomiyoshi, apresentou o “Portal de Armazéns do Brasil”, que reúne uma base de dados dos armazéns brasileiros. Para se cadastrar, basta entrar no site, fazer a solicitação e aguardar a visita técnica para a coleta das informações. O Sistema de Cadastro Nacional de Unidades Armazenadoras (SICARM) tem 16.906 armazéns, com 177,6 milhões de toneladas de grãos cadastradas.

A nova vice-presidente da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura, Luana Belusso, foi apresentada aos participantes da reunião. Luana é produtora de milho, soja, feijão, e arroz e gerente administrativa e financeira da Fazenda Concórdia em Sorriso, no Mato Grosso. É engenheira Agrônoma, coordenadora Regional do Agroligadas, diretora da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Sorriso e delegada da Aprosoja do Mato Grosso. Em 2016, participou do Programa CNA Jovem e ficou entre os destaques.

Related posts

Controle de ervas daninhas pode ser sustentável

Revista Attalea Agronegócios

Congresso Brasileiro do Agronegócio 2021 avalia os aspectos para o desenvolvimento do mercado de carbono verde no país

Revista Attalea Agronegócios

ANVISA determina suspensão do agrotóxico Carbendazim

Revista Attalea Agronegócios

Deixe um comentário