Bovinos de Corte

Carne de Búfalo ganha espaço em eventos gastronômicos e surpreende consumidores

No mês de julho criadores associados à ASCRIBU – Associação Sulina de Criadores de Búfalos participam no município de Santana do Livramento (RS) de uma churrascada internacional onde uma carcaça inteira de búfalo será a grande atração

A participação em eventos que têm a carne como destaque está contribuindo para divulgar os benefícios dos produtos derivados do búfalo à saúde do consumidor. Criadores que pertencem à ASCRIBU estiveram presentes na Fenasul Expoleite deste ano, assim como nas comemorações dos 250 anos de Porto Alegre (RS), consagrada como a Capital Mundial do Churrasco. E outros eventos ligados à gastronomia estão no radar da entidade.

A presidente da ASCRIBU, Desireé Möller, afirma ser muito importante a participação de búfalos nos eventos gastronômicos. Lembra que durante a Fenasul Expoleite, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), foi oferecida a degustação de carne e de queijo de búfalas e as pessoas se surpreendiam com a leveza e o sabor dos produtos. “E no evento dos 250 anos de Porto Alegre nada mais justo do que ter churrasco de búfalo, portanto a nossa carne estava lá presente”, ressalta, informando que em julho próximo a entidade participará em Santana do Livramento (RS) de uma grande churrascada internacional, no evento “A Ferro e Fogo”, com o Chef Marcos Livi. “Vai ter a churrasqueira dos brasileiros e dos uruguaios, e a grande atração será uma carcaça inteira de búfalo”, complementa.

Conforme Desireé, nos dois eventos já realizados foi possível constatar que o consumidor final não conhece os produtos derivados do búfalo, tanto o queijo quanto a carne, e se surpreende ao degustá-los. “Nós temos um queijo bem leve, com menos colesterol, mais vitaminas, proteínas e minerais. Temos o leite com a vitamina A prontamente disponível, assim como a ausência da beta caseína A1, que causa desconforto gástrico. O leite de búfala tem a beta caseína A2”, explica.

Já a carne de búfalo tem 40% menos colesterol e 55% menos calorias em comparação à carne bovina. A presidente da ASCRIBU enfatiza, ainda, que é uma carne 12 vezes com menos gorduras no geral, assim como tem 10% mais proteínas e minerais. “Além de ser uma carne mais magra, outra vantagem é que os búfalos são praticamente animais criados a pasto, quase uma carne verde, sem a presença de organosfosforados”, observa.

Desireé também destaca que, de uma forma geral, o búfalo não tem carrapato, o que reduz muito o manejo com carrapaticidas. Outro fato que ela considera interessante é o abate de novilhos com idades entre 18 e 20 meses, pesando quase 400 quilos. “Então, além de ser uma carne muito jovem, é uma carne macia, sem gordura e muito saborosa”, conclui.

DIFERENÇA ENTRE CARNE BOVINA E DE BÚFALO

Muitos consumidores já devem ter experimentado carne de búfalo sem saber — devido às semelhanças com a carne bovina. Por muito tempo preteridos, cortes de animais bubalinos começam a ganhar novo status no prato dos gaúchos. A valorização vem das características do produto: menos gordura e colesterol.

A carne de búfalo costumava ser procurada apenas por consumidores que priorizavam preço, já que o produto é de 15% a 20% mais barato. Nos últimos anos, os cortes de bubalinos passaram a ser propagados por supermercados, restaurantes e casas de embutidos com diferenciais. “É uma carne vermelha mais magra, que vem despertando o interesse de pessoas que buscam uma dieta mais saudável”, explica Régis Gonçalves, presidente da Associação Sulina de Criadores de Búfalos (Ascribu).

Por não ter marmoreio (gordura entremeada entre as fibras), a carne de búfalo destinada para grelha e churrasco vem de animais abatidos jovens — no máximo 24 meses. Acima dessa idade, são preparados em panela ou usados para hambúrguer. “A carne cozida, por exemplo, não deixa nenhuma gordura”, explica Gonçalves, acrescentando que para manter a maciez os cortes devem ser servidos entre mal passado e ao ponto.

O menor teor de gordura é uma das características nutricionais buscada pelos novos apreciadores do produto.

Rusticidade dos animais reduz uso de medicamentos

O estímulo para mudar o cardápio veio depois da participação na Expointer, em Esteio (RS), onde Rivero coordenou o restaurante da Casa do Búfalo. “Percebemos muito interesse e curiosidade dos consumidores”, lembra Rivero, que planeja fazer eventos voltados à divulgação da carne de búfalo.

Outro diferencial das raças bubalinas é a rusticidade, que aumenta a resistência a parasitas. Isso faz com que a criação exija menos medicamentos, como antibióticos — preocupação crescente entre os consumidores.

Linguiças sem conservantes

Fabricante de produtos sem conservantes, a CM Casa da Linguiça, de Rosário do Sul (RS), na Fronteira Oeste, passou a produzir em agosto deste ano duas linguiças à base de carne bubalina — uma inclusive com queijo de búfala. As novidades foram apresentadas durante a Expointer. Em pouco tempo, passaram a figurar entre as opções mais vendidas nos dois pontos de venda em Porto Alegre. “Não há nenhuma diferença visual e nem no gosto. O apelo é nutricional mesmo, por ter menos gordura e colesterol”, destaca Benny Peter Dornelles, um dos proprietários da Casa da Linguiça.

Professora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a nutricionista Gilberti Helena Hübscher explica que a quantidade de colesterol nos cortes bubalinos responde a média de 83mg/100g — enquanto que na carne bovina a média é de 123mg/100g. A diferença é de quase 50%. “Entre as carnes vermelhas, é de fato uma opção mais magra, na comparação com a bovina”, confirma a nutricionista.

Os teores de proteína da carne bubalina são, em média, de 21%, e da carne bovina de 19,5%, compara a professora. Além disso, cortes de búfalos têm menor quantidade de ácido graxo saturado palmítico — que contribui para doenças relacionadas a níveis de gorduras no sangue.

Conheça a produção

O rebanho no Rio Grande do Sul, de 70 mil cabeças, é muito menor do que o bovino, que soma 13 milhões de animais

– Os búfalos são animais domésticos da família dos bovídeos (a mesma dos bovinos), de origem asiática.
– O rebanho no Rio Grande do Sul, de 70 mil cabeças, é muito menor do que o bovino, que soma 13 milhões de animais.
– As raças predominantes no Estado são Murrah (origem indiana) e Mediterrâneo (origem italiana).
– As maiores criações no país estão concentradas no Norte, pela maior adaptação climática.
– O rebanho nacional é de 1,8 milhão de cabeças.
– Os animais são considerados de duplo propósito, já que produzem carne e também leite — que dá origem à mussarela de búfala.
– Cerca de 900 propriedades gaúchas criam bubalinos para produção de carne e apenas três para produção de leite.
– Trinta frigoríficos e abatedouros são autorizados a produzir carne de bubalinos no RS.

Fonte: ASCRIBU

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