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Cafés Robustas Amazônicos geram mais de R$ 4 milhões em negócios durante programa Exporta Mais Brasil

Compradores internacionais se encantam pelos cafés produzidos na região amazônica. ApexBrasil levou 20 compradores de 11 países para ver de perto a produção local e fazer negócios com cafeicultores da região.

A 3ª rodada do Exporta Mais Brasil, programa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) que busca potencializar as exportações de todas as regiões brasileiras, gerou, de forma imediata, R$ 4.416.800,00 milhões em negócios. Desta vez, os cafés Robustas Amazônicos, produzidos no coração da região amazônica, foram os protagonistas do sucesso. As boas notícias vêm no marco do Dia da Amazônia, celebrado nesta terça-feira, 5/9. 

Na ocasião, 23 produtores do Acre e de Rondônia, sendo dois indígenas e 12 mulheres, arregimentados pelos Cafeicultores Associados da Região Matas de Rondônia (Caferon), apresentaram seus produtos para 20 potenciais compradores de 11 países diferentes: Grécia, Bélgica, Reino Unido, China, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Armênia, Paraguai, Canadá, Estados Unidos e África do Sul. A convite da ApexBrasil, eles estiveram em Cacoal (RO), de 27 de agosto a 2 de setembro, para visitar fazendas produtoras, participar de cuppings e fazer negócios. 

“O potencial exportador dos cafés Robustas Amazônicos deu um salto nos últimos anos e, por isso, foi escolhido para ser protagonista dessa terceira rodada do programa”, explica o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana. Segundo ele, o Brasil, que já é reconhecido como o maior produtor e o maior exportador de café, deve passar a ser reconhecido também pela qualidade, sustentabilidade e rastreabilidade do produto. 

“Estamos dando um grande passo nesse sentido com os cafés Robustas Amazônicos, que são excelentes cafés, de altíssima qualidade, produzidos por comunidades indígenas, pela agricultura familiar e por médios e grandes produtores. Além da qualidade, é um café com história, um café que tem Amazônia e que tem a preservação”, afirma Viana. 

Segundo o gerente de Agronegócio da ApexBrasil, Laudemir Muller, a maior parte das áreas utilizadas para produção dos cafés Robustas que estão surgindo são em cima de áreas degradadas. “O café da Amazônia é um produto compatível com a floresta; um produto que traz de volta, em áreas degradadas, uma produção com rastreabilidade, com sustentabilidade, e que traz renda e satisfação para todos os produtores locais. É uma realidade sustentável para a Amazônia”, reforça Muller.

Experiências in loco 

Com o Exporta Mais Brasil, o objetivo da ApexBrasil é aproximar importadores estrangeiros de produtores locais de diferentes setores da economia brasileira. Para isso, no caso dos cafés, foram realizadas rodadas de negócios em formato de cuppings, nome dado ao processo que compreende a prova, a degustação, a pontuação e a classificação do grão.

 “A gente tinha aqui um grupo muito habituado a provar [café] Arábica e não muito familiarizado com essa diversidade do Robusta. Para eles, foi uma novidade que foi muito bem recebida. O que eu achei bacana foi que nós pegamos média de notas do mundo inteiro e, realmente, nós estamos nivelados em termos de pontuação”, disse o presidente da Caferon, Juan Travain. Os cafés Robustas de Rondônia são identificados como aromáticos, de corpo aveludado, com notas de caramelo e retrogosto agradável e persistente, cultivados de forma sustentável e inclusiva em um terroir inigualável. 

“O que achei muito bacana, no cupping, é que a gente está ‘na mesma página’ dos compradores. Conseguimos passar conceitos baseados em ciência e tecnologia. Explicamos a separação de conilon e robusta, as diferenças em relação ao arábica e toda essa questão de diversidade, com algumas informações que podem subsidiá-los no storytelling em seus países. Acredito que estamos conseguindo passar a essência, mostrando a questão do produtor e da parte cultural”, avalia o pesquisador da Embrapa, Enrique Alves.

Para o importador paraguaio Rogelio Sanabria, da Totem Tostadores SRL, o sabor foi surpreendente. “Ser convidado para ver de perto esse novo movimento de café foi o mais interessante para mim. Os produtos me surpreenderam, eu não imaginava um sabor tão bom e especial. Vejo muito potencial e um novo paradigma para a indústria do café”, afirmou Sanabria.

Além dos cinco cuppings, os estrangeiros visitaram pessoalmente algumas fazendas produtoras, onde tiveram a oportunidade de ver de perto desde a plantação até a moagem dos grãos. Para o empresário norte-americano Will Hyndman, da Alibi Coffee, foi uma oportunidade única. “Estar reunido com profissionais da área de diferentes lugares do mundo, discutindo e aprendendo sobre os cafés Robustas, foi algo muito emocionante e estou muito feliz de fazer parte disso”, afirmou. 

Will contou que também se surpreendeu com o sabor dos cafés e garantiu que levará o produto para seus consumidores locais.  “Vou levar os cafés Robustas Amazônicos para Los Angeles. Pretendo incorporá-los em nossos blends e vou mostrar aos meus consumidores locais como algo que nunca viram igual. Será um prazer fazer parte do desenvolvimento dessa indústria que está acontecendo aqui e tem muito potencial”, externou Will.  

Para o produtor de Rondônia Arildo Ferreira dos Santos, o evento foi um marco para a vida dos produtores da região.  “Eu sempre trabalhei com café e nunca me senti valorizado como hoje. O comprador estrangeiro me pagou o preço que eu pedi e isso nunca havia acontecido. Eu mesmo dei o preço do meu trabalho e do meu produto e é assim que deve ser”, afirmou. “A produção dos nossos cafés especiais tem por trás a consciência ambiental e a produção familiar. Eventos como esse fazem nós, pequenos produtores, reconhecermos o valor e a qualidade do nosso produto e do nosso trabalho”, concluiu. 

A valorização do trabalho dos produtores foi uma constante em toda a rodada. O café produzido pelo cafeicultor indígena Tawa Aruá bateu o recorde da valorização: foi vendido por 75 reais o quilo, um preço nunca antes obtido por um Robusta Amazônico. Já a produtora Solange Suruí, da Terra Indígena Sete de Setembro, teve o quilo de seu café vendido acima dos 65 reais. Os grãos são cultivados por ela, pelo esposo e pelos três filhos na roça da família, apenas com adubação natural, e comercializados por meio de associações e cooperativas. “Sempre trabalhamos com carinho o café especial, de sabor natural, produzidos na nossa Terra”, comemora a agricultora.

“Trabalhar com cafés especiais da Amazônia tem mudado a nossa perspectiva de vida”, disse a produtora acreana Keyti Kety Espíndola Souza da Silva. “Quando decidimos plantar café pensamos justamente em agregar o extrativismo, a recuperação de áreas degradadas na Reserva Chico Mendes, mas nunca havíamos pensado na exportação. Estamos muito felizes com a negociação do nosso café para ser exportado para a China e Estados Unidos”, afirmou Keyti. 

Segundo Xener Suruí, jovem liderança da comunidade indígenas Paiter Suruí de Cacoal, um dos diferenciais do café Robusta produzido por eles é o fato de não ser em monocultura, mas em agrofloresta. “O café, junto com outras plantas, fica mais sombreado, então tem um resultado diferente daquele que fica em contato direto com o sol. Temos qualidade, sem monocultura”, explica. Além do café, a comunidade também cultiva castanha, banana e outros produtos que variam conforme a sazonalidade.

Além dos mais de R$ 4 milhões vendidos durante as rodadas, as rodadas de negócios entre os compradores e os produtores trouxeram, ainda, uma expectativa de mais de 3,5 milhões de reais em vendas para os próximos 12 meses.  

Exporta Mais Brasil 

Com o slogan “Rodando o país para as nossas empresas ganharem o mundo”, o programa Exporta Mais Brasil busca uma aproximação ativa com todas as regiões do país para potencializar suas exportações. Por meio do programa, empresas brasileiras têm a oportunidade de se reunir com compradores internacionais que vêm ao país em busca de produtos e serviços ligados a setores específicos.  

Até o final do ano, o Exporta Mais Brasil realizará 13 etapas voltadas para diferentes setores, em 13 estados brasileiros. A primeira rodada foi na Paraíba, voltada para o setor moveleiro. Já a segunda foi no Espírito Santo, com foco no setor de rochas. Com mais essa 3ª rodada, ao todo, o programa já apoiou 69 empresas, sendo 38 delas de liderança feminina, e trouxe 35 compradores de 20 países. O total de negócios esperados para os próximos 12 meses é de mais de R$ 20 milhões. 

A próxima etapa do programa será de 19 a 21 de setembro, no Paraná, em Foz do Iguaçu (PR), voltada para o setor de pescados. 

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