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Azeite de abacate: novidade gostosa e nutritiva que veio para ficar

Extraído por um sistema de centrifugação, produto bem fino oriundo da fruta do abacateiro tem alta qualidade nutricional e pode substituir o azeite de oliva.

Um azeite bem fino semelhante ao de oliva e extraído do abacate, por meio de um sistema especial de centrifugação, é uma das mais recentes experiências realizadas por um grupo de especialistas da EPAMIG – Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais. O trabalho vem sendo realizado no Campo Experimental do órgão, no município mineiro de Maria da Fé (MG). “O azeite de abacate, extraído pelo sistema de centrifugação, possibilita um produto de altíssima qualidade, disponível imediatamente para o consumo, após a padronização e a embalagem para o mercado varejista”, informa o pesquisador da EPAMIG, Adelson de Oliveira, coordenador dos estudos pioneiros do azeite de abacate no Brasil.

Ele ainda destaca que, fora a possibilidade de introduzir o azeite de abacate puro e extra virgem para uso comestível, como substituto ao de oliva, esse novo produto também poderia ser usado para obtenção do composto – azeite de abacate e de oliva – em substituição às misturas feitas com outros óleos vegetais, a exemplo do óleo de soja.

Diferença entre óleo e azeite

Antes de contar melhor sobre a novidade, Oliveira cita a diferença entre óleo e azeite: “Óleos são extraídos de sementes – como é o caso do milho e da soja – e os azeites vêm da polpa dos frutos, a exemplo da oliva, que é extraída da polpa das azeitonas. No caso do azeite de abacate, ele é retirado da polpa da fruta do abacateiro”.

Outro aspecto importante, ao refutar que o novo produto seria um “óleo de abacate”, está no fato de que o nome “azeite” agrega mais valor, “embora muitos azeitólogos pensem o contrário: que o azeite é somente de oliva”.

“Neste caso, são pessoas que pensam apenas no segmento gastronômico ou olivareiro, e não tem uma visão de inclusão de mais produtores rurais, em outras linhas de produtos que possam atingir aos consumidores com maior poder aquisitivo e que se preocupam com uma alimentação saudável, como deve ser nosso caso (da EPAMIG)”, justifica Oliveira.

Mesmos princípios

Tanto o azeite de abacate quanto o de oliva, além de serem extraídos da polpa de seus respectivos frutos, também compartilham princípios básicos em seus processos de produção, inclusive, utilizando os mesmos equipamentos para extrai-los. (Créditos: Divulgação EPAMIG)

O pesquisador comenta que tanto o azeite de abacate quanto o de oliva, além de serem extraídos da polpa de seus respectivos frutos, também compartilham princípios básicos em seus processos de produção, inclusive, utilizando os mesmos equipamentos para extrai-los.

“Considerando que o azeite de oliva foi estudado em profundidade, especialmente correlacionando-o com fatores agronômicos e tecnológicos, é possível que, em muitas situações, resultados semelhantes podem ser observados para o azeite de abacate, o que representa potencialmente avanços para os resultados de pesquisa.”

Do ponto de vista científico, conforme Oliveira, “a mesma abordagem adotada para o desenvolvimento do azeite de oliva pode ser adotada para o de abacate, garantindo sua melhoria continuada, com ganhos quantitativos e qualitativos do azeite de abacate obtido”.

É o caso, por exemplo, da inserção de talco, silicato de magnésio, durante a etapa de batimento da polpa, antes da centrifugação, “que melhora o rendimento de extração e sua qualidade, por sair livre de partículas ou restos de polpa”.

Rendimentos da extração

Para os pesquisadores envolvidos na produção do azeite de abacate, a agroindústria deste setor apresenta boas perspectivas no País, por causa dos frutos de algumas variedades cultivadas – como Wagner, Hass, Fuerte, Linda e Margarida –, que apresentam quantidades importantes de lipídios, em média 20% de óleo na polpa úmida.

“Levando em conta os rendimentos da extração, o conteúdo total de azeite – dependendo da variedade do abacate e de seu ponto de maturação – pode alcançar, na polpa, níveis de até 22% de azeite, com valores médios de 15% a 19%, o que permite rendimentos na extração em aproximadamente 10% sobre o peso bruto dos frutos, considerando que, por métodos mecânicos – como é o caso da centrifugação – não é possível a extração da totalidade do azeite contido na polpa”, informa Oliveira.

O pesquisador da EPAMIG ressalta outro aspecto vantajoso: a disponibilidade de matéria-prima durante quase o ano todo. “Isto porque as variedades mais ricas em óleo têm um tempo de safra entre os meses de julho e novembro, enquanto as variedades com menos quantidade de óleo na polpa (em média, 9% na polpa úmida) têm um período de janeiro a junho.”

Durante a safra, destaca Oliveira, “geralmente o preço do abacate no mercado interno chega a valores muito baixos por causa do volume produzido, o que propicia a utilização do excedente na agroindústria”.

Fatores agronômicos

O especialista explica que, para a elaboração de azeite de abacate de alta qualidade, é preciso considerar os fatores agronômicos que influenciam o resultado final, como a variedade, o manejo da cultura, a colheita, dentre outros. Estudos mostram que as variedades Hass e Fuerte são as que apresentam maior rendimento, podendo ser extraído até 26% de azeite.

Na imagem abaixo é possível conferir que o nome usado para o azeite da Hass é “avocado” – palavra que, em inglês, designa todas as variedades de abacate.

Estudos mostram que as variedades Hass (foto) e Fuerte são as que apresentam maior rendimento, podendo ser extraído até 26% de azeite. (Créditos: Divulgação)

“O azeite obtido da variedade Breda também é interessante, especialmente por apresentar um sabor ligeiramente picante”, informa o pesquisador, reforçando a importância da total maturação do fruto, fase em que concentra maior conteúdo de óleo. Mesmo assim, ele alerta que o abacate não pode estar muito maduro.

Benefícios à saúde

Experiente na produção de alimento vindo do abacate, Oliveira ressalta que essa fruta é rica em minerais como ferro, cálcio e fósforo, fibras solúveis, fitoesteróis e lipídios (gordura). Seu consumo auxilia na redução dos níveis do colesterol ruim (LDL) e na elevação do colesterol bom (HDL), diminuindo o risco de doenças cardiovasculares.

“A vitamina E (um antioxidante natural) somada à vitamina A torna o azeite de abacate um composto também capaz de prevenir doenças oftalmológicas, como catarata e cegueira noturna.”

Esse alimento também favorece o emagrecimento, pois auxilia na redução da absorção de colesterol pelo intestino. “Apesar de todas estas vantagens, seu consumo deve ser controlado, por ser um alimento muito calórico.”

Vantagens agregadas

Produção de azeite de abacate envolve um tipo de agroindústria promissora no País, por causa do clima, disponibilidade de terras e muitas variedades de abacate. (Créditos: Divulgação EPAMIG)

Para Oliveira, a produção de azeite de abacate envolve “uma agroindústria promissora no Brasil, devido à diversidade climática, disponibilidade de terras e de muitas variedades de abacate, que poderiam ser destinadas à extração de azeite”.

“Por outro lado, diferentemente das azeitonas que, para comercialização, necessitam de agregação de valor (curtimento para consumo em verde ou extração do azeite de oliva) – ou seja, não são consumidas in natura para alimentação humana, por apresentarem um sabor fortemente amargo por causa da riqueza em oleuropeina –, contrariamente, o abacate pode ser vendido in natura.” 

Na visão do pesquisador, “isso faz uma grande diferença, pois, neste caso, o produtor tem seu trabalho remunerado imediatamente, após a colheita dos frutos, sem a necessidade de ter gastos adicionais e instalações agroindustriais de custo inicial relativamente alto”.

“Há de considerar, entretanto, que a extração do azeite de abacate é uma alternativa para a qual os frutos podem ser destinados, quando as circunstâncias de comercialização in naturanão estejam favoráveis ou quando não atingem padrão para tanto.”

Oliveira defende que produzir azeite de abacate “é uma opção para a transformação da fruta em outro produto de valor agregado, que dispõe de, pelo menos, mais dois anos para sua comercialização, além do fato de ser um produto novo no mercado brasileiro, com diferentes possibilidades de uso e consumo, além do grande potencial para remunerar melhor o produtor rural”.

 

Fonte: Epamig e Revista A Lavoura

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